segunda-feira, 30 de abril de 2012

PALAVRA MÁGICA

Precisa tomar coragem para resolver questões complexas que se arrastam por toda uma vida e até então não foram resolvidas? Precisa acreditar no seu potencial na busca por um emprego melhor?Precisa solucionar mistérios que rondam sua vida quando o assunto é sentimentos e emoções? Precisa estudar mais para conseguir passar em um concurso público ou vestibular? Precisa ter ânimo para levantar da cama em plena segunda-feira, véspera de feriado? Precisa valorizar mais suas características físicas a fim de conquistar  um novo amor?
Infelizmente não existe uma regra mágica capaz de erradicar a inércia, ou ineficiência na busca por seus sonhos, mas existe uma palavra que se sair do campo das meras letras e ganhar espaço no seu mundo real vai dar uma guinada em sua jornada rumo a conquista dos seus objetivos. Ela se chama ATITUDE. Assista a esse vídeo fantástico e tire suas próprias conclusões.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

DIA DO BEIJO


       Beijo: Ato de tocar com os lábios em alguém ou em alguma coisa, fazendo leve sucção.
Alguns tem nojo, outros não vivem sem. Beijar é algo tão transcendental e indiscutível que povos de culturas e línguas diferentes (com o perdão do trocadilho!) unem-se em torno de tal ato. Existem os chamados beijos molhados, bitocas, de língua, o beijo técnico, o marcante, o discreto, o cinematográfico, revelador, de Judas, sublime. Existem os beijos puros, os cheios de pecado, mas acima de tudo não se pode negar que o beijo faz parte da história da humanidade.
Pode ter certeza que não apenas seu(sua) filho(a) já beijou alguém, seu pai beijou (ou beija) sua mãe, sua avó (é, ela mesma, no tempo em que ainda tinha dentes!) beijou seu avô, e mesmo aqueles evangélicos mais praticantes que você escuta do outro lado da rua falando com poder nos púlpitos, usa também sua boca para entre outras coisas, beijar alguém.
Ainda na infância, lembro do texto “O primeiro beijo” de Clarice Lispector, que me fez despertar para o poder do ósculo, razão pela qual o dia, o mês, o ano e até as horas e os minutos do meu primeiro, tenho até hoje registrado no coração.
Sinta a beleza do ato nas palavras dessa grande escritora:

O PRIMEIRO BEIJO

        Os dois mais murmuravam que conversavam: havia pouco iniciara-se o namoro e ambos andavam tontos, era o amor. Amor com o que vem junto: ciúme.
- Está bem, acredito que sou a sua primeira namorada, fico feliz com isso. Mas me diga a verdade, só a verdade: você nunca beijou uma mulher antes de me beijar? Ele foi simples:

- Sim, já beijei antes uma mulher.

- Quem era ela? perguntou com dor.

       Ele tentou contar toscamente, não sabia como dizer.

       O ônibus da excursão subia lentamente a serra. Ele, um dos garotos no meio da garotada em algazarra, deixava a brisa fresca bater-lhe no rosto e entrar-lhe pelos cabelos com dedos longos, finos e sem peso como os de uma mãe. Ficar às vezes quieto, sem quase pensar, e apenas sentir - era tão bom. A concentração no sentir era difícil no meio da balbúrdia dos companheiros.

       E mesmo a sede começara: brincar com a turma, falar bem alto, mais alto que o barulho do motor, rir, gritar, pensar, sentir, puxa vida! como deixava a garganta seca.

       E nem sombra de água. O jeito era juntar saliva, e foi o que fez. Depois de reunida na boca ardente engulia-a lentamente, outra vez e mais outra. Era morna, porém, a saliva, e não tirava a sede. Uma sede enorme maior do que ele próprio, que lhe tomava agora o corpo todo.

       A brisa fina, antes tão boa, agora ao sol do meio dia tornara-se quente e árida e ao penetrar pelo nariz secava ainda mais a pouca saliva que pacientemente juntava.

        E se fechasse as narinas e respirasse um pouco menos daquele vento de deserto? Tentou por instantes mas logo sufocava. O jeito era mesmo esperar, esperar. Talvez minutos apenas, enquanto sua sede era de anos.

        Não sabia como e por que mas agora se sentia mais perto da água, pressentia-a mais próxima, e seus olhos saltavam para fora da janela procurando a estrada, penetrando entre os arbustos, espreitando, farejando.

        O instinto animal dentro dele não errara: na curva inesperada da estrada, entre arbustos estava... o chafariz de onde brotava num filete a água sonhada. O ônibus parou, todos estavam com sede mas ele conseguiu ser o primeiro a chegar ao chafariz de pedra, antes de todos.

         De olhos fechados entreabriu os lábios e colou-os ferozmente ao orifício de onde jorrava a água. O primeiro gole fresco desceu, escorrendo pelo peito até a barriga. Era a vida voltando, e com esta encharcou todo o seu interior arenoso até se saciar. Agora podia abrir os olhos.

        Abriu-os e viu bem junto de sua cara dois olhos de estátua fitando-o e viu que era a estátua de uma mulher e que era da boca da mulher que saía a água. Lembrou-se de que realmente ao primeiro gole sentira nos lábios um contato gélido, mais frio do que a água.

         E soube então que havia colado sua boca na boca da estátua da mulher de pedra. A vida havia jorrado dessa boca, de uma boca para outra.

        Intuitivamente, confuso na sua inocência, sentia intrigado: mas não é de uma mulher que sai o líquido vivificador, o líquido germinador da vida... Olhou a estátua nua.

        Ele a havia beijado.

        Sofreu um tremor que não se via por fora e que se iniciou bem dentro dele e tomou-lhe o corpo todo estourando pelo rosto em brasa viva. Deu um passo para trás ou para frente, nem sabia mais o que fazia. Perturbado, atônito, percebeu que uma parte de seu corpo, sempre antes relaxada, estava agora com uma tensão agressiva, e isso nunca lhe tinha acontecido.

        Estava de pé, docemente agressivo, sozinho no meio dos outros, de coração batendo fundo, espaçado, sentindo o mundo se transformar. A vida era inteiramente nova, era outra, descoberta com sobressalto. Perplexo, num equilíbrio frágil.

        Até que, vinda da profundeza de seu ser, jorrou de uma fonte oculta nele a verdade. Que logo o encheu de susto e logo também de um orgulho antes jamais sentido: ele...

        Ele se tornara homem.

(In "Felicidade Clandestina" - Ed. Rocco - Rio de Janeiro, 1998)

MUITO IMPORTANTE

           "De acordo com os dados mais recentes do DataSUS, do Ministério da Saúde, referentes a 2018, o País apresenta por dia ...

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