quinta-feira, 28 de julho de 2011

DESTINO EM DOSE DUPLA


Olhe na esquina. É, ali mesmo, naquele barzinho. Bráulio costumava frequentar ali, não é? Entregando-se completamente a bebida e ao cigarro. E a desenvoltura do rapaz no virar do copo e no tragar do cigarro sem pigarrear ou tossir revelavam a experiência com essas drogas lícitas que vem desde os anos 80. Mais precisamente o ano de 1989, quando no barzinho que seu pai tinha provou do primeiro cigarro, acendendo para os fregueses.
        Bráulio achava bonito ver aqueles homens maduros e cheios de saúde passarem horas a fio conversando, rindo, contando piadas, paquerando e bebendo muito. Além de darem lucro ao estabelecimento, ainda incentivavam, pela sua alegria, uma futura vida em fase de aprendizado a querer usufruir da mesma felicidade.
        Na escola uniu-se a meninos que também estavam despertando para a bebida e o tabagismo e nas aventuras juvenis pôde começar a sentir o prazer indescritível dessas drogas, na maioria das vezes escondido. Assim começava a dar os primeiros passos na vida um menino ainda na puberdade e já com vícios de difícil resolução.
        Não demorou muito, apenas dois anos depois e ele conheceu sua primeira mulher da vida. A primeira experiência sexual dele aconteceu na cama de um prostíbulo com uma senhora 30 anos mais velha e muita bagagem nas costas... Apesar disso, gostou do que aconteceu, afinal de contas, até hoje não foi inventado nada melhor do que o orgasmo, independente da companhia, ou até se vai ou não existir companhia, às vezes a mente é a melhor companhia.
        Mas Bráulio queria mais. Além de mulheres, bebidas e cigarros, um outro mundo mais perigoso provocava seus instintos e aguçava sua imaginação: O mundo das drogas pesadas. Loló, maconha, crack, heroína, entre tantas outras foram provadas antes mesmo dos 15 anos, fazendo com que em pouco tempo, passasse por vários hospitais com começo de overdose. Os roubos em casa para a manutenção do vício tornaram-se cada vez mais frequentes, angustiando seus pais e provocando a revolta de toda a família. Depois os roubos passaram a acontecer fora também e assim, ao completar 18 anos, pôde provar de algo que só um maior de idade pode provar: a cadeia.
        Lá dentro as coisas só pioravam. Fez rapidamente amizade com a turma mais barra pesada que existia e passou a comandar alguns crimes de dentro da prisão. Era inteligente, embora tivesse cursado apenas até a quarta série. Muitos presos menos favorecidos intelectualmente levavam a culpa em seu lugar e assim foi se safando até o dia em que pode ver novamente a abóbada solar.
        Decidiu então ser uma pessoa diferente ao saiir da prisão. Arrumou emprego de garçom em um bar e começou a trabalhar honestamente, bebendo apenas no fim de semana, mas fumando 3 maços de cigarro por dia, porque ninguém é de ferro, né?
        Conheceu uma menina que apareceu no bar algumas vezes sozinha e que “desenrolava” sozinha uma garrafa de volúpia. Foi pra cama com ela logo na primeira noite e embora o sexo não tivesse sido dos melhores, deixou um fruto: Um bebê. Por causa disso juntaram suas coisas e foram morar juntos em um quartinho de fundo de quintal na periferia da cidade. A menina não era muito limpa e isso causava brigas intermináveis com grandes ameaças de ir parar na delegacia, quando, com o nariz quebrado de um soco, ela prometia denunciá-lo, mencionando uma tal de “Maria da Penha”.
        Após uns cinco anos de convivência turbulenta, as coisas se acalmaram. Bráulio vive saindo com mulheres da vida para compensar a frigidez da mulher. Passa a maior parte do tempo fora para não adoecer por causa do mofo que consome sua casa em todas as estações do ano, vez por outra sai no tapa com a mulher quando chega bêbado em casa, ou quando ouve falar por aí que sua esposa “costura pra fora”.
       Fico imaginando como seria a vida desse jovem de apenas 33 anos se no ano em que provou pela primeira vez do cigarro e da bebida em 1989, ele tivesse, ao invés disso, aceitado aquele convite para participar de um Retiro Espiritual de uma igreja e lá conhecesse o verdadeiro mundo da liberdade e da felicidade... Como seria sua vida hoje?

SOBRE ACORDES E EMOÇÕES

      Como a música é fascinante! Ela nos faz viajar no tempo e reviver emoções passadas que até um segundo antes de ouvirmos seus primeiros acordes, por algum grande mistério da vida, estavam guardadas em alguma gaveta do nosso subconsciente.
        É tão bom saber que esta chave consegue abrir gavetas, portas e janelas deixando escancarados medos, angústias, felicidades, paz, terror, alucinação, saudade, fogo, paixão, despertando nossos instintos mais primitivos e nos proporcionando o usufruto de todas as sensações vividas em outros tempos, em outras idades...
        Ao ouvir a música “You and I”, de Kenny Rogers, recordo-me do tempo em que fiquei “sozinho” em casa e minha mãe no hospital. Quanta tristeza e saudade naquele coraçãozinho infantil! Quase não podia conter minha emoção todas as vezes que a ouvia novamente. Assim fui crescendo, com a idade veio a maturidade e a impressão de que realmente as coisas velhas tinham ficado presas em fotografias. Pura ilusão!
        Senti-me novamente aquela criancinha de quatro anos, com medo da solidão e com o profundo desejo de ter perto de mim quem tanto amo. Novamente a história se repetiu: minha mãe de novo no hospital, desta vez não vinha uma nova vida a este mundo como na minha infância, agora era a vida dela que eu queria de volta a minha e aquela música orquestrou as lágrimas que de minha face escorriam de novo.
        Quantas vezes a música foi docemente letal para mim... Meu pai me dá sempre um novo abraço a cada nota das canções que ele curtia e que pelos meus ouvidos faz a projeção do seu retorno e de um contato transcendental entre seres viventes em mundos diferentes. Eu, neste mundo de dores e de batalhas constantes pela sobrevivência e ele no reino do silêncio, embora fale comigo pelas músicas que nos marcaram tanto.
        Ah... paixões também fazem das letras e poesias cantadas um momento de antológico contato com a palpitante dimensão de amores ou sentimentos passados, que como um deja vu refaz os pedaços de um encantador coração adolescente preso dentro de um velho e calejado peito.
        Não posso esquecer de mencionar o melhor momento musical que uma pessoa pode passar: o momento do louvor. Mais que palavras entoadas com ritmo de elevação do nome do nosso Criador ao ponto mais alto da nossa curta existência sobre a terra, é a sublime demonstração de gratidão pela grandiosa oportunidade de nos aproximarmos cada vez mais do Senhor do Tempo e da Música: Jesus Cristo...

terça-feira, 12 de julho de 2011

DE ÓCULOS

“Se as meninas do Leblon não olham mais pra mim, eu uso óculos.
E volta e meia eu entro com meu carro pela contramão, eu tô sem óculos. Se eu tô alegre eu ponho os óculos e vejo tudo bem,
mas se eu tô triste eu tiro os óculos eu não vejo ninguém.”
Através da letra dessa música, pude nos anos 80 refletir sobre a triste realidade de ter de usar óculos, iniciada na mais tenra idade, com apenas cinco anos. Ouvir expressões desagradáveis como: “Quatro olhos!”, “Velma!” (Referência a personagem de Scooby Doo), ou “Fundo de garrafa!”, entre tantas outras palavras típicas de uma verdadeira “bulimia ocular” era tão somente o “princípio das dores”! Após alguns anos, este objeto tão controverso, além de me dar a possibilidade de enxergar o mundo com “outros olhos” e me dar tanta tristeza com o tratamento dos “normais”, estava aos poucos despertando em mim uma paixão avassaladora. Eu fui descobrindo aos poucos que podia viver sem muitas coisas ou pessoas que amava, mas sem os óculos de forma alguma!
Cada vez que eu quebrava os óculos meu mundo parava. As aulas deixavam de acontecer em pleno período de prova, minhas exposições na universidade eram canceladas ou adiadas, meu namoro ficava temporariamente interrompido, minhas leituras tão queridas não aconteciam, meus filmes, programas de tv e minhas novelas não eram assistidos nestes dias, meu emprego era ferozmente ameaçado pela minha ausência indiscutível, enfim, o planeta deixava de girar como de costume e esperava pacientemente pela resolução do meu “probleminha...”
Dos anos 80 para os 90 essa situação era muito pior que atualmente, pois eram semanas aguardando a chegada do meu novo amor. Hoje, alguns dias apenas me separam de uma renovada paixão, embora durante esse tempo de separação meu mundo continue do mesmo jeito dos tempos de outrora: parado.
Em 2009 tive a relação abalada por uma plano de separação muito bem elaborado pela minha esposa: O uso de lentes de contato. Meu coração ficou partido. Participei de festas, cultos na igreja e de outros eventos, deixando em casa, desconsolado, meu inseparável amor. Em 2010 tudo voltou ao normal, fizemos as pazes e retornamos com nosso relacionamento de intensa paixão, participando juntos inclusive de meu retorno aos gramados no último dia 26, na Chácara Menino Deus (Embora continue causando até hoje espanto essa nossa cumplicidade dentro de um campo de futebol!).
Acredito que nem a medicina, nem a religião, nem qualquer outra força do universo podem explicar essa relação homem/objeto, ao ponto de um não conseguir viver sem o outro. Agora surge no horizonte uma perspectiva de volta no tempo e a possibilidade de voltar a ser aquele menino que tinha a visão perfeita no início da década de 80 através de uma cirurgia. Início de uma nova vida com um novo prisma a ser observado literalmente, ou a morte de uma grande paixão? Ai, ai...

sexta-feira, 1 de julho de 2011

BODAS DE ESTANHO

Uma das coisas máximas da vida, na minha opinião, é que as dificuldades são passageiras, mas as vitórias são eternas. Quando se tem um desejo, uma meta ou um sonho, todo sacrifício é válido. As poucas horas de sono, as concessões, as horas difíceis em que se tem de escolher entre duas coisas que muito se quer, tudo vale a pena quando se tem atitude, honestidade e perseverança para alcançar seus objetivos. As derrotas também fazem parte da vida dos vencedores, por isso não tenho medo delas, faço do revés um trampolim para chegar às tão almejadas vitórias. Com Iviana conquistei a minha maior vitória: O amor! Há dez anos as conquistas estavam apenas começando...

MUITO IMPORTANTE

           "De acordo com os dados mais recentes do DataSUS, do Ministério da Saúde, referentes a 2018, o País apresenta por dia ...

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