terça-feira, 25 de dezembro de 2012

PRESENTES

          Presente... É a primeira associação que a minha filha Ivny faz quando se fala em Natal. E eu que na minha infância não tive "natal", e nunca tive "presentes", enquanto meus pais dormiam eu saía pela rua em busca de alguma casa que estivesse em festa! Hoje eu faço a festa, e procuro oferecer a todos os que me rodeiam momentos que possam lembrar com alegria na posteridade! E quanto aos presentes? Virou mania... adoro presentear aqueles que amo, mas tenho que confessar, pareço com Ivny quando se fala em presentes, fico toda contente, curiosa, ansiosa, tentando descobrir o que tem guardado pra mim. Este foi um ano de muitos presentes. Algumas "frescurinhas" que ganhei daqueles que prestam atenção em tudo o que gosto, projetos pessoais concretizados com muita determinação, realizações profissionais que me fizeram crescer e renovaram a minha vontade de continuar, e finalmente o que existe de mais importante: "PESSOAS-PRESENTE"! Durante este ano fui agraciada com pessoas fantásticas, que se tornaram verdadeiros presentes pra mim. Algumas delas eu convivia o tempo todo, mas talvez por puro preconceito nunca quis me aproximar, e quando o verdadeiro "conhecimento" aconteceu, descobri que no embrulho mais tímido pode conter o presente mais reluzente. Outras pessoas eu ouvia falar desde criancinha, e não imaginava que eram tão vibrantes e cheias de energia. Outras ainda, estiveram comigo o tempo todo, reafirmando o seu amor e fazendo de mim uma pessoa melhor. E então surgiram aqueles presentes que você nunca imaginaria ganhar, aquelas pessoas que você sempre admirou à distância, riu com seus risos, chorou com suas dores, e quando inesperadamente o encontro aconteceu, mesmo que apenas um, você pôde perceber que o melhor presente é aquele que transforma os seus momentos em instantes únicos, como aquela horinha mágica em que você abre o embrulho e descobre que ali dentro contém tudo o que você desejava! É exatamente isto que desejo aos amigos e familiares, “pessoas-presente”, que transformem cada segundo de suas vidas em momentos marcantes e inesquecíveis! Um bom Natal!

Por Iviana Lima

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

SOBRE FUTEBOL


Por que existem inúmeras pessoas que se dedicam tanto a um time de futebol, se não há retorno de nenhum tipo para elas? O que leva alguém a brigar, desistir de fazer outras coisas para ir a um estádio, ou simplesmente ficar em frente a uma TV por pelo menos duas horas, gritando, esbravejando, chorando, rindo ou comemorando, vendo 22 caras correndo atrás de uma bola?
Pode ser o puro desejo de sentir parte de um mundo mais amplamente visualizado. A sensação de fazer parte de um grupo, grande ou pequeno, muito ou pouco conhecido, mas que de alguma forma, em um dado momento está chamando a atenção. Considera a vitória do “seu” time, uma vitória sua! Talvez tenha poucas conquistas pessoais na galeria da sua medíocre história e procure misturar a trajetória de um time com a sua, para poder dar um pouco de sentido e de valor aos seus melancólicos dias sobre a terra.
Torcer por um clube desperta ao mesmo tempo o desejo inconsciente que a maioria das pessoas tem de encontrar em algo ou alguém, de maneira explícita ou implícita, a oportunidade de veneração, de exaltação e de idolatria. Um time de futebol é um ótimo caminho para essa necessidade humana, porque tem representatividade, tem notoriedade e independente de suas vitórias, tem seguidores, fanáticos ou não.
A vida sem sal, sem graça e sem perspectiva de alguns é preenchida pelo futebol, que não exige inteligência do torcedor, não espera esforço de ordem intelectual para provar que time A ou time B é realmente o melhor, pode ser assunto de rodas de conversa em praticamente todos os lugares reais ou virtuais (bares, esquinas, casas de parentes, restaurantes, feiras livres, igrejas, redes sociais, blogs...)
O futebol tem esse poder: Você, um pacato cidadão que professa ter idéias próprias e não se vender ao consumismo desenfreado ou inconseqüente fortemente influenciado pela televisão (Veja bem, estou falando de todas as emissoras que trabalham também com futebol, não apenas a uma, como os falsos moralistas tentam pregar por aí... Putz!), de repente se vê fortemente tentado a comprar uma camisa oficial do seu time do coração, ainda que custe 300,00! (Pra família às vezes fica faltando até o que comer ou vestir por falta de recursos financeiros...)
Se sentir importante quando se trata de futebol não acontece exclusivamente com quem é a favor do esporte. Tem gente que se sente mais valorizado falando mal dele. Não pretendo aqui chamar atenção pra mim quando falo sobre tal assunto, mas chamar a atenção para o fanatismo exacerbado de quem é contra ou a favor de um time, ou de quem é contra ou a favor do futebol, mas que age sem controle, sem responsabilidade (quem disse que não se pode ser responsável quando se trata de entretenimento?) e sem respeito.
Se através do futebol você consegue se sentir parte integrante do planeta, independente de quão invisível você possa ser; se a única chance que lhe surge na vida de “zoar” o seu chefe sem riscos de demissão sumária é quando o seu time supera o dele; se torcer não te afasta das pessoas e não te deixa constrangido em reuniões familiares, nem te impede de ter uma vida social sadia; se na torcida apaixonada pelo seu time tal esporte te deixa mais feliz e completo... Por que não?
O retorno que muitos não fanáticos recebem ao torcerem pelos seus times vai muito além de questões financeiras ou ideológicas, às vezes a simples lembrança de seu pai vestido com as cores de um determinado clube, pode ser a força motriz que te conduz a gritar apaixonado: “Goooooooooooooool!!!!”
Já pensou nisso?

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

TRISTE NEWTOWN


Lágrimas, choro, pranto sem controle... Como não ficar consternado com o que aconteceu na Escola Primária de Sandy Hook em Newtown, Connecticut, no último dia 14/12? Uma verdadeira cena de filme de terror chocou não apenas os americanos, mas a todos os que tem um coração de carne, pulsando com intensidade ainda não equilibrada depois de tal acontecimento.
20 vidinhas que se foram (fora a da diretora da escola, do psicólogo educacional,da mãe do assassino, dentre outros), 12 meninas e 8 meninos, cheios de alegria, de perspectivas e de oportunidades, brutalmente interrompidos pela insanidade de um jovem rapaz...
Como recuperar a vida dos familiares? Como entender tal loucura? Como evitar novos atos criminosos e tornarmos o amor ao próximo nosso mais belo objetivo? A pequena cidade de Newtown só havia registrado nos últimos dez anos um homicídio. A surpresa com a atitude diabólica do assassino mostra o quanto somos impotentes e despreparados diante do desconhecido da mente humana. Mas o que nos resta é saber que as coisas só vão mudar efetivamente quando Jesus voltar a este mundo e encerrar as maldades promovidas pelo inimigo de nossas almas!
Enquanto isso, cumpramos todos o pedido do Mestre: “Amai-vos uns aos outros”, quem sabe assim tenhamos menos lágrimas de dor para limparmos de nossa face...

sábado, 8 de dezembro de 2012

NIEMEYER: A VIDA EM CURVAS

    O mundo curvilíneo das ideias, os elementos abstratos dos edifícios surgidos da fertilidade criativa de uma das maiores mentes da arquitetura mundial ficaram essa semana sem seu maior representante. O legado deixado no planeta arquitetônico no último século por Oscar Niemeyer leva-nos a refletir sobre a nossa própria vida. Quão curvilínea e com formatos arredondados ela está sendo atualmente? Será que o mundo tão pré-definido, quadrado ou retangular, certinho do ponto de vista geométrico, concreto ideologicamente, mas imperfeito nos acabamentos, serão suficientemente capazes de nos fazer felizes?
   Todos sabem da importância matemática na construção de qualquer empreendimento, seja ele de que tamanho for, mas esquecem que na vida pessoal, na tomada de decisões a que todos os dias somos submetidos e na elaboração de um futuro promissor, a beleza e o encantamento dos pormenores, que curiosamente não necessitam de tanta análise criteriosa dos prós e dos contras, mas da sensibilidade, da criatividade, da inovação e da visão, são os elementos que abrilhantam e que fazem a diferença em um mundo tão igual.
      Vale a pena dedicar um pouco de nossa curta existência nessa terra (Sim, não pense que você chegará facilmente aos 104 anos, não!) ao balanço suave das curvas da estrada, aos formatos femininos do passeio público, musicalizados por uma bossa nova sempre atual, desafiando as linhas retas do nosso tempo, numa busca incessante pela inovação. Essa inquietude diante do comum deve ser inspiração perene na construção de um futuro melhor e mais belo.
     Niemeyer conquistou tudo isso nos seus quase 105 anos. Como ele mesmo dizia: " A vida nos leva pra onde ela quer, cada um vem, escreve a sua historinha e vai embora. Não vejo segredo em levar a vida." O fato é que as histórias mais empolgantes e marcantes que ficam registradas nos livros humanos são aquelas em que são escritas com certa dose de poesia, talento para fazer diferente e coragem para desde a fundação até o último andar da nossa existência, desafiarmos os pensamentos contemporâneos, projetando com beleza  e harmonia, obras que nem o tempo, nem as retas perfeitas jamais poderão questionar.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

UM CERTO JOAQUIM




   Ele nasceu em Paracatu, Minas Gerais, filho de um pedreiro e de uma dona de casa. Negro, sete irmãos, arrimo de família quando seus pais se separaram, sempre estudou em colégio público e com apenas 16 anos foi arrumar emprego sozinho em Brasília. 
   Esta poderia ser a biografia inicial de mais um pobre homem que por todas as dificuldades acima mencionadas não teria muito sucesso na vida. Vencer preconceitos, superar obstáculos naturais na luta por uma boa educação e um bom emprego eram desafios quase que intransponíveis para aquele mineiro da periferia, que como todo ser humano, aspirava dias melhores para ele e para a sua família. O segredo do seu sucesso na escalada para ser destaque nacional? Pensamento coletivo, coragem e determinação.
   Joaquim Benedito Barbosa Gomes obteve seu bacharelado em Direito na Universidade de Brasília, onde, em seguida, obteve seu mestrado em Direito do Estado. Prestou concurso público para procurador da República, e foi aprovado. Desde então só fez acumular iniciativas de sucesso e progressão profissional que destaca-se à medida em que sua fama toma conta do país. 
   Ao tornar-se o terceiro ministro negro do STF teve atuação relevante em diversos momentos de nossa recente história, com posições absolutamente distintas e desafiantes, opondo-se, inclusive, ao foro privilegiado para autoridades (Quem não lembra que foi dele a iniciativa em abrir processo contra o então deputado Ronaldo Cunha Lima, decisão considerada histórica, pois foi a primeira vez em que o STF abriu processo contra um parlamentar?).
   Em 2006 assumiu a relatoria da denúncia contra os acusados do mensalão, prometendo levar até as últimas conseqüências as denúncias feitas aos 40 réus do maior escândalo político brasileiro. Em 2012, ao completar 188 anos da criação do STF, um fato histórico vem marcando as decisões comandadas por ele: A condenação de um político, algo nunca antes visto no nosso país (Até parece que os primeiros políticos corruptos surgiram agora, quase dois séculos depois da criação do Supremo!).
   A Revista Veja escreveu: “O Brasil nunca teve um ministro como ele (…) No julgamento histórico em que o STF pôs os mensaleiros (e o governo e o PT) no banco dos réus, Joaquim Barbosa foi a estrela – ele, o negro que fala alemão, o mineiro que dança forró, o juiz que adora história e ternos de Los Angeles e Paris”. 
   Enfrentou inúmeras vezes seus colegas de bancada, defendendo suas idéias e concepções sobre como se deve dirigir processos legais em julgamentos, como na famosa discussão com o “colega” Gilmar Mendes: “Vossa Excelência está destruindo a justiça desse país. (…) Vossa Excelência não está na rua, Vossa Excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro. (…) Vossa Excelência, quando se dirige a mim, não está falando com os seus capangas do Mato Grosso, ministro Gilmar.” Mendes se apressou em encerrar a sessão sem refutar nenhuma das acusações. 
    22 de novembro marca uma nova história na justiça brasileira. A integridade, a riqueza cultural, a quebra de preconceitos, a coragem e a ousadia do negro mais importante do país, na presidência do Supremo Tribunal Federal. Que sua trajetória à frente deste que é um dos três poderes no Brasil seja tão bem sucedida quanto a sua biografia.


- Fontes: O Globo / cenariomt.com.br / Revista Veja

terça-feira, 20 de novembro de 2012

TEMPO DE SER FÚTIL

    Alguns fatos que acontecem na vida são tão maravilhosos que não podem ficar escondidos no nosso coração ou na nossa mente. Diante disso, muitos de nós decidimos falar ao mundo de maneiras diferentes sobre esses fatos. Uns utilizam o telefone para fazer a divulgação, outros divulgam de maneira pessoal, e ainda outros fazem uso das redes sociais para mostrar ao mundo os motivos para tanta alegria e/ou felicidade. A grande questão é: E se os motivos que levam alguém a usufruir de tanta êxtase forem considerados fúteis pelos outros? Mas, afinal, o que é futilidade?

    Recorrendo (como sempre) ao dicionário, lemos que "Futilidade é algo de pouco valor, insignificante, ninharia, frivolidade". Pressupomos, então, que se algo pode ser considerado por alguém como sem valor, ou insignificante, não merece a "honra" da divulgação... Será mesmo?
    Vivemos em um mundo absolutamente preconceituoso, onde cada ato nosso é criteriosamente avaliado pelos outros. Quanto maior nossa relevância dentro de um determinado grupo social, maior nossa responsabilidade sobre o que falamos, comentamos, expomos e divulgamos. Vide exemplos: Você morreu de rir assistindo ao filme "Banzé no Oeste" em uma reprise da Sessão da Tarde; deliciou-se ao passar por um lugar que estava tocando a música "Ah, como eu amei" de Benito de Paula; chorou ao ver o esforço de uma pequenina formiga deficiente de uma das suas seis patinhas, carregando com dificuldade um saboroso pedaço de bolo; passou a tarde lendo a Bíblia e acabou encontrando respostas para seus questionamentos no Livro Sagrado...
    Tudo isso seria digno de fazer ecoar aos quatro ventos sobre como você está feliz, afinal, o que faz o mundo preto e branco ficar colorido são esses pequenos detalhes. Fazer comentários maldosos ou que discriminem o sujeito feliz pelo objeto da sua felicidade, apenas mostra o estado de mediocridade em que vivem certas pessoas que muitas vezes por quererem parecer inteligentes vivem a criticar os outros. Já dizia Marie Von Ebner Eschenbach "Somos tão fúteis que nos importamos mesmo com a opinião daqueles que não nos importam."
    A vida deve ser vivida com mais leveza, não com irresponsabilidade.  Parafraseando a passagem bíblica em que o sábio Salomão verseja sobre o tempo, eu diria que existe tempo pra tudo: Tempo de lutar pela moral e pelos bons costumes e tempo de deixar os outros lutarem um pouquinho também, tempo de ser inteligente e tempo de deixar-se levar pelo efêmero, tempo de criticar e tempo de desenvolver uma autocrítica honesta. Tempo de ouvir músicas eruditas e tempo de curtir um breguinha, tempo de assistir filmes intelectualmente dispostos na galeria dos melhores, como "Crianças Invisíveis" ou "Uma Mente Brilhante" e tempo de se emocionar como um adolescente assistindo "Amanhecer - Parte II"...
    Se evitar as futilidades tiver a ver com a negação de detalhes que dão prazer e que nos motivam a continuar vivendo, prefiro viver a futilidade a morrer na intelectualidade. E tenho dito.

sábado, 10 de novembro de 2012

PERFEITAMENTE INFIEL


_Prestou atenção no caminho até aqui? Ninguém te seguiu?
_Não, observei bem se vinha alguém atrás de mim.
_Tem certeza?
_Tenho, claro!
_Apagou a mensagem sobre o endereço pra chegar até aqui?
_De novo? Você repetiu isso um milhão de vezes! Não já disse que apaguei?
_É bom ser sempre prevenido... Minha mulher é muito esperta. Se ela nos descobre, estamos fritos!
_Deixa isso pra lá! Onde está o carro?
_Deixei no estacionamento do Shopping Center, perto das câmeras principais. Nós vamos ao motel de taxi.
_Certo, mas onde ele está?
_Já liguei pra central, daqui a dois minutos está chegando... Lembre-se: meu nome é Gustavo!
_(risos) Claro, claro! E o meu?
_Severina.
_Ah, não! O seu é bem bonito e o meu é horrível! Não quero não!
__Já tá decidido, Severina. Esse era o nome da minha saudosa bisavó... Uma espécie de homenagem, sabe?
_Minha nossa! Homenagem? Você é estranho, Alberto...
_Alberto não! Gustavo!
_Tá, tá. Gustavo. Mas não gostei do Severina!
_Com o tempo você se acostuma, além disso...
_Além disso o quê?
_O nome não é tão feio assim.
_Como assim, não é tão feio?
_Pior é essa peruca e você terá de usar...
_Oh, não! Que coisa triste! Vou ficar a cara de sua esposa!
_Deixa de história! Além do mais, minha esposa é linda!
_Ha, há, há! Até parece!
_Cadê esse taxi que não chega?
_Já deve estar chegando, querido, tenha calma...
_Você sabe que nosso tempo é cronometrado. Sim, aqui está o roteiro de nossa conversa no taxi, dá uma lidazinha rápida...
_O quê? Até o que vamos conversar dentro do taxi será falso?
_Com certeza! Apagar pistas é minha especialidade. Vou colocar agora meu bigode postiço e uma peruca que comprei em Madri no ano passado...
_Ai, que bom, lá vem o taxi!

***

_Foi bom pra você?
_Foi ótimo, só ficou um pouco estranho aquele: “Ai, Severina! Que gostoso, Severina!” Mas tudo bem.
_Você poderia utilizar isso como fetiche, numa próxima, quem sabe...
_(Risos) Você leva muito à sério essa história de traição perfeita, né?
_Certamente. Você não conhece a minha esposa. Não ignore essa olhada minuciosa de cada parte do meu corpo, não. Ela o fará também. De maneira discreta e sorrateira. Meus bolsos de calça, camisa e paletó serão vistoriados, sem nenhuma dúvida. O cheiro de cada peça de roupa que chegarei em casa usando será analisado com extremo cuidado e perícia. Nenhum fio de cabelo estranho poderá aparecer, tenho de reler sobre tudo o que disse que iria fazer hoje para não entrar em contradição, depois ainda precisarei tomar um banho para deixar que ela vasculhe cada centímetro de minha roupa para certificar-se de que não há possibilidades de traição... Ufa! É muita coisa pra mim, acho que não tenho mais idade pra isso!
_Como não? No que você se propõe a fazer, você faz com maestria... Como é mesmo o nome daquela posição?
_Olha Severina, está na hora de irmos embora. Outro dia a gente conversa mais.
_Tudo bem, tudo bem. Vou aguardar ansiosamente pela próxima vez... Meu gostosão!
_Não se aproxima! Já me livrei de cada evidência sua que podia estar em mim! Não estrague o que você fez tão bem. Nada de chupadas ou arranhões... Parabéns! Vamos embora?
_Vamos sim.

***

_Olá, querida! Beatriz está dormindo?
_Sim, está. Também pudera, esta hora, né?
_Como assim?
_Já são 20:35, percebeu?
_Sim, claro. Mas eu não disse que chegaria às vinte pras nove?
_Eu sei. Só estou falando que esta é a hora dela dormir...Como estava lá no shopping? Muito movimentado?
_Sim, bastante...
_Comprou o smartphone que você queria?
_Não, amor, procurei bastante em cada loja, mas não tinha nem da marca, nem do modelo que eu queria...
_Sim, sei... Você está com fome?
_Não. Comi no shopping...
_Trouxe o panfleto comercial da loja que te pedi?
_Trouxe sim, amor. Aqui está.
_Obrigada. Vamos deitar?
_Lógico, eu só preciso tomar um banho... Estou exausto. O shopping me deixa tão cansado.
_É mesmo. Vai, querido, eu te espero na cama.

***

_Meu amor, você me trairia algum dia?
_Como assim, Roberta? Eu te trair? Nunca, jamais! É mais fácil que você faça isso! Você não gostou do sexo? Foi isso?
_Não, Alberto. É que eu acho que não sobreviveria a isso. Você é tão perfeito e irrepreensível, o sonho de qualquer mulher...
_Deixa disso, Roberta. Vamos dormir que seu mal é sono! Boa noite.
_Boa noite... Ah, sim. Sua mãe ligou, disse que tentou falar com você, mas só dava na caixa de mensagens.
_Você não explicou pra ela que no shopping não dá sinal, que esse meu celular é uma droga e que por isso é que eu estou tentando comprar um novo?
_Sim, querido. Lógico que expliquei, mas você sabe como é a sua mãe quando não consegue falar com você.
_Sei sim. Amanhã eu ligo pra ela.
_Como sempre, né? Você sempre deixa pra depois...
_Meu amor, eu sou assim. Gosto de minhas coisas no meu tempo.
_Sim, sim. Como quando você vai para o shopping. Sempre a mesma horinha, com margem de erro de cinco minutos para mais ou para menos...
_Você está me chamando de previsível?
_Não. De organizado.
_Sim, porque se você quiser, eu posso ser o homem mais imprevisível e desorganizado deste mundo!
_Não, meu amor, está ótimo assim. Não precisa ficar com raiva!
_Tudo bem. Vamos dormir que estou muito cansado...
_Boa noite.
_Boa noite.

Ele pensou: ”Como eu sou esperto! Com minha organização e previsibilidade poderei manter meus casos extraconjugais pra sempre e ela nunca vai perceber!”
Ela pensou: “Como eu sou esperta! Com a organização e previsibilidade dele poderei manter meus casos extraconjugais pra sempre e ele nunca vai perceber!”

E dormiram infielmente felizes...

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

ÚLTIMAS PALAVRAS



_O que você está fazendo aqui? 


_Vim te buscar... 

_Mas eu ainda sou tão jovem! 

_Eu sei, eu sei. Com 74 anos o senhor ainda está na flor da idade, mas fazer o quê, né? 

_Não tem nem como a gente protelar um pouquinho...? 

_Não tem, infelizmente... 

_Tenha piedade, por favor! 

_Claro, claro. Eu tenho. E responsabilidade também. 

_Se não existe meio de escape pra mim, qual a razão desse diálogo? 

Silêncio sepulcral. 

_Vamos partir? 

_Mas eu ainda nem tive tempo de me despedir dos meus parentes... 

_É esse o sentido da viagem final. Não se despedir, pra que os que ficarem possam refletir sobre o que fizeram ou deixaram de fazer por e para você. 

_Por que alguns tem essa oportunidade e outros não? 

_Por que alguns aceitam a idéia sem questionar e outros não? 

Fúnebre silêncio. 

_Enfim, vamos partir? 

_Existem alternativas? 

_Não. 

_Então por que me pergunta algo que você já sabe a resposta e que não poderá atender? 

_Pra não fazê-lo partir de surpresa. 

_Só me diz uma coisa: Pra onde eu vou? 

_Que diferença faz? A vida é uma só, mas as teorias existentes sobre a morte são tantas... 

_É muito importante pra mim saber qual o caminho que eu vou seguir após a morte! 

_O que diz a sua religião? 

_Eu não tenho religião. 

_Então você não faz idéia do que o espera do outro lado? 

_Não, não faço idéia... 

_Então pra quê temer? 

_É o medo do desconhecido, você entende, né? 

_Não, não entendo... Analise comigo: Você nasceu em uma época distante, cresceu em um ambiente completamente diferente do atual, teve sensações despertadas por um mundo de paixões completamente diferentes das atualmente experimentadas pela juventude do século XXI, amadureceu em um tempo de transformações sociais que moldaram seu caráter e suas atitudes diante das adversidades, ganhou dinheiro com empreendimentos de sucesso, perdeu dinheiro com alternativas fracassadas de ganhar mais, amou e foi amado, odiou e foi odiado, perseguiu e foi perseguido, foi justo em decisões difíceis e injusto em decisões fáceis, foi homenageado em vários momentos pelos muitos serviços prestados e questionado por não ter agido quando mais precisavam de você. Deu muitas alegrias a senhoritas na cama e decepcionou a outras, com a célebre frase:”Isso nunca me aconteceu antes!”. Foi pai herói e pai bandido, bom vizinho, péssima companhia, beneficiou a muitos com sua presença e aliviou a outros com sua ausência, foi correto em caminhos tortos e torto em caminhos corretos. Acima de tudo isso, o que quero enfatizar é que as situações vividas dia após dia justificaram um bom, longo e próspero viver, valorizando no desconhecido, um mundo de possibilidades! Um novo mundo de possibilidades agora o aguarda. Pode ser um recomeço ou um final glorioso, mas o seu momento chegou... 

_Tudo bem, tudo bem... Você venceu. Aliás, você sempre vence, né? Já que de qualquer forma “cumpri minha sentença e hei de encontrar-me com o único mal irremediável, aquilo que é a marca de nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo morre.” Posso dizer pelo menos minhas últimas palavras? 

_Fique à vontade. 

_Eu não tenho 74 anos, mas 75... Você errou! Há, há! 

_Como assim? Você não nasceu em 1938? 

_Não, nasci em 1937. 

_Seu nome não é Severino Andrade Barbosa Filho? 

_Não. É Altamir Pereira de Vasconcelos. 

_Nossa! Desculpe, senhor, mas foi engano... Eu deveria estar conversando com outra pessoa, em outro leito! 

_E agora? 

_Siga sua vida, ainda lhe resta um bom tempo pela frente! 

Sumiu. Severino pensou, sorrindo:

_Faltava ainda no meu currículo: “Enganou até a própria morte”! Há, há, há!

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

AH, ITABIRA...





   Às vezes fico pensando se seria bom ter nascido em uma outra época. Não existiria “anos 80” tal qual recordo-me hoje, mas haveria outras décadas memoráveis, lembradas pela inquietude de uma geração, pela rebeldia de um segmento da sociedade, pelo requinte e pela formalidade de um povo, inclusive no seu “se portar à mesa”, pelo machismo ainda não considerado machismo, nem tampouco considerado algo errado, na expressão: “Chegue pra cá, que eu quero lhe usar!”, pelo deslumbramento da tecnologia: “Como é possível falar com alguém em tempo real em uma distância de mais de 500 metros, usando esse pequenino equipamento?”. Dizem que o primeiro telefone era do tamanho de um tijolo... 

   Penso ainda em que lugar poderia ter nascido. Em um outro país? Nem pensar! Adoro o Brasil. Mas seria em uma capital ou cidade do interior? Nasceria em um grande e destacado Estado do Sul ou novamente na pequenina e humilde Paraíba? Não, acho que não. 

   Acho que uma boa opção seria Minas Gerais, pelos seus encantos, talentos, culinária deliciosa, grandes e célebres personagens da nossa cultura, que tem, desde o seu nascimento uma predisposição ao sucesso. Talvez não necessariamente em Belo Horizonte, mas quem sabe em Itabira? O ano poderia ser 1902 (é uma data bonita, não é?). 

   Imaginem só, contemporâneo desde o princípio com um gênio da nossa literatura, capaz de encantar multidões com a eloqüência peremptória da palavra escrita, mesmo depois de sua morte! Seria uma honra muito grande! Como por lá existe essa predisposição ao sucesso, como já mencionei, quem sabe a honra de ter nascido em 1902 fosse dele, já que seria meu contemporâneo desde a mais tenra idade? 

   A verdade é que falar sobre literatura é difícil, entretanto, falar de um dos gênios da literatura é mais difícil ainda! Principalmente quando o mesmo se auto definia “desajustado” (gauche). Carlos Drummond de Andrade era oriundo de uma família de fazendeiros decadentes na pequena cidade de Itabira, mas quem sabe do outro lado da cidade, que na época não devia ter mais de seis mil habitantes, estivesse nascendo o grande Braulio, de uma família ilustre e ascendente...? 

   Lendo um pouco sobre a biografia de Drummond (não apenas na época da academia) percebemos nitidamente sua dificuldade em apropriar-se de um rumo para a vida que lhe proporcionasse algum reconhecimento – lugar comum na vida de inúmeros outros grandes escritores – Abandonou o Colégio Arnaldo de Belo Horizonte, no qual era aluno interno, por questões de saúde; foi expulso do Colégio Anchieta, em Nova Friburgo por “insubordinação mental”; conseguiu um diploma de farmácia a qualquer custo por insistência e pressão familiar que precisava “dar uma resposta” a sociedade quanto a inteligência de um de seus parentes (isso mesmo, era só um dos!); trabalhou no serviço público; fundou “A Revista”, que embora tenha sido um importante meio de divulgação do modernismo na época, teve curta existência; mesmo escrevendo obras hoje reverenciadas pelo mundo inteiro, na época não obtiveram muito sucesso... Enfim, era para ser apenas mais um escritor fracassado na história literária do nosso país... 

   Ser contemporâneo desde os primeiros segundos de vida de Drummond poderia não ser tão boa idéia assim. Primeiro porque o movimento modernista brasileiro era algo que despertava mais aversão que reconhecimento no meio intelectual, segundo porque as divergências eram pano de fundo na maioria dos debates literários e isso poderia me posicionar do outro lado do embate artístico, fazendo com que eu, quem sabe, repudiasse seus escritos, ao invés de ser um admirador deles... 

   Prefiro a alegria de ouvir sua voz através das letras, de curtir sua musicalidade nos versos, rimas e estrofes inspirados, de tocá-lo com a fragrância de seu bom humor poético e de viajar no tempo, a bordo das suas obras mais significativas. Quem sabe fazendo essa viagem, todos nós deixássemos nascer novamente a esperança e o amor? Afinal, como já dizia o velho mestre das palavras, falecido em 17 de agosto de 1987 (portanto, contemporâneo nosso, pelo menos no final do seu estradar!): “Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou encontram um amor verdadeiro. Ou às vezes encontram e, por não prestarem atenção nesses sinais, deixam o amor passar, sem deixá-lo acontecer verdadeiramente. Por isso preste atenção nos sinais, não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: o amor” 

   Melhor mesmo é continuar acreditando que nasci na época certa. Época de reconhecer, de admirar, de sonhar, de realizar e de concretizar esse amor tantas vezes descrito em seus poemas! Obrigado, Drummond, pelo seu nascimento! Obrigado por me fazer enxergar nos pequenos detalhes da vida, valorosos e profundos ensinamentos!

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

A ARTE E O PRAZER

      Em 25 de outubro de 1881 nascia um dos maiores gênios do mundo das artes do universo: Pablo Diego José Francisco de Paula Juan Nepomuceno María de los Remedios Cipriano de la Santísima Trinidad Ruiz y Picasso, ou apenas Pablo Picasso. Pintor, escultor e desenhista, nasceu na Espanha, na cidade de Málaga para tornar-se um dos grandes mestres da arte no século XX.

     Para construirmos nossa identidade como seres humanos e marcarmos nossa passagem por essa terra, precisamos entender a importância da arte em nossas vidas. O conhecimento sobre nossa história atual e passada, sobre a singularidade das ações humanas ao longo das civilizações e a visão sobre o caminho escolhido para ser trilhado por outros povos, acaba ampliando nossa visão do mundo e tornando-nos seres mais completos, ao passo em que entendemos um pouco mais sobre a nossa complexidade.

      A arte tem a capacidade de reunir todas as faculdades humanas, como a emoção, a razão, a sobriedade, a loucura, a genialidade, o eterno e o efêmero, envolvendo corpo e mente, levando o ser humano a desfrutar de um prazer totalmente diferenciado dos prazeres comuns. O prazer de ser livre para imaginar, para sonhar, para abstrair, para fugir e acima de tudo, expôr essa liberdade de maneira concreta. É quase um paradoxo: Apresentar o abstrato através de algo palpável. Não existe uma outra experiência tão suficientemente prazerosa quanto a criação ou tão somente a observação de algum tipo de arte. É quase como um orgasmo, em que corpos ardentes, repletos de desejo, encontram no toque artístico e profundo uma forma de fazer surgir um prazer incomensurável tanto no apreciador do objeto pintado, desenhado, escrito, interpretado ou esculpido, quanto no pintor, desenhista, escritor, intérprete ou escultor. O ponto central para essa analogia encontra-se na criatividade, segurança, concentração, leveza e foco na utilização do instrumento necessário para o "gozo" artístico que os artistas do mundo do prazer farão surgir. É por essas e outras que eu adoro fazer amor com a arte!


quarta-feira, 12 de setembro de 2012

GUERRA DOS SEXOS

   Agora que a Rede Globo está preparando o remake da novela dos anos 80 “Guerra dos Sexos” a sociedade certamente voltará a um debate que nos últimos tempos tem se tornado comum: Quem é o melhor: O homem ou a mulher? 

   “Durante milênios, as mulheres viveram sob a repressão e a dominação masculina. Foram torturadas, violentadas e tratadas como gado. Após períodos em que a vida das mulheres melhorou, houve repressão ainda pior. Mas no século XX, finalmente se apresentou a combinação correta de fatores: a massa crítica manifestou-se. 

     Metaforicamente, a deusa despertou. Podem vir a ocorrer dias difíceis, mas não há retorno. Nunca as mulheres chegaram tão longe. A centelha do poder, da beleza e da criatividade das mulheres, há muito enterrada ou esquecida, jamais renasceu de um modo tão exuberante. Neste contexto surge uma pergunta: quem pode mais, o homem ou a mulher? Acho que a primeira vez que refleti sobre esta pergunta foi no dia das mães, há algum tempo. Até porque a figura da mulher - e da mãe, em particular - recebe imenso destaque em dias comemorativos, especialmente no terreno da poesia e das artes em geral. Com toda justiça. Afinal, a mulher é a grande plasmadora de todos nós. 

   Embora filhos pequenos vejam mãe e pai como um bloco monolítico indissolúvel, é inegável que a figura materna se impõe de modo particular, até porque fomos literalmente formados dentro dela. 

     Mas o homem, o pai, é básico em todas as culturas, o sexo masculino se impõe invariavelmente. São raras as exceções. Observe que, se alguém tem nove filhas e um único filho, chamará a todos de meus filhos. Em nosso modelo cultural até Deus é masculino! 

   Peço a você que acompanhe o meu raciocínio. A despeito do aparente domínio masculino, um mergulho na mente humana nos mostra que a mulher, em especial a mãe, é uma espécie de corrente subterrânea, que mesmo quando não aparece está sempre presente. 

   Não dizem que "a voz do povo é a voz de Deus"? Pois bem, o povo destaca o poderoso papel da mulher quando mãe, ao dogmatizar: "a mão que embala o berço governa o mundo". Como em teatro de marionetes, a mulher deixa o palco para o homem, mas suas mãos conduzem os fios invisíveis das ações masculinas. 

   Penso, às vezes, que as lutas feministas apenas quebram parte desta magia quando reivindicam o óbvio. E o feminismo tem razão quando rejeita injustiças e a indisfarçável arrogância masculina. Mas insisto em que o pretenso domínio masculino serve, até certo ponto, neste jogo de cumplicidades e conveniências, para os dois lados; jogo que mal disfarça o poder muito maior da mulher. Talvez, o feminismo reclame agora também a ribalta... Assim, é natural para mim que a mulher quebre, cada vez mais, preconceitos antigos e ocupe posições antes consideradas masculinas. 

   Porque a libertação da mulher não é o fim. De modo algum. É o início de muito trabalho. Há todo um mundo lá fora que necessita ser totalmente transformado, para que homens e mulheres possam criar, desejar, construir e desfrutar. 

   Não se trata de mulheres assumindo o poder, mas de mulheres e homens expressando juntos seu pleno potencial - estou convencido de que é preciso buscar o equilíbrio harmonioso entre homem - mulher. Agora note bem: não existem superioridades, mas diferenças que pedem a complementação.” 

   "Se a mulher for suficientemente ambiciosa, determinada e talentosa não haverá praticamente nada que não possa realizar". (Helen Lauwrenson) 

Por:
Daniel C. Luz 
Autor dos livros Insight I e Insight II DVS Editora

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

VOCÊ TEM MEMÓRIA?



     Alzheimer é uma doença degenerativa atualmente incurável, seu sintoma primário mais comum é a perda de memória. A degeneração progressiva dificulta a independência, levando o paciente a perder a capacidade de fazer coisas simples como ler e de escrever, afetando o raciocínio e deixando muitas vezes o paciente em estado de demência.
     Eis a dúvida cruel...porque ao mesmo tempo em que alguns fogem desse mal e das terríveis consequências que o acompanham, outros insistem em se afundar no esquecimento?
    Fico imaginando um membro de uma igreja, que viveu muitos anos de dedicação total e exclusiva, abrindo mão de momentos preciosos com a família, que deixou de investir em sua carreira profissional e juntou todas as forças: materiais, físicas e espirituais para que a palavra de Deus fosse semeada. Que mesmo depois de brigas compradas, sonhos realizados e uma vida inteira doada, tem tudo levado ao esquecimento, pois "alguém" acredita que ainda não foi feito o bastante, ou...que ele cometeu um "pecado grave". Será a demência que confunde o raciocínio e impede que tantos atos feitos sejam esquecidos? Ainda existe algum resquício de memória ou apenas a memória recente, aquela que envolve VOCÊ, os benefícios feitos por VOCÊ, todo o trabalho que VOCÊ está tendo, todo o infortúnio que VOCÊ está passando e a enorme "santidade" que habita em VOCÊ? Será que a seguinte frase não combina com VOCÊ? RAÇA DE VÍBORAS!!!! Onde estão a justiça divina, o amor ao próximo e o não "matarás"? É isto o que acontece, a falta de memória mata aqueles que tanto fizeram, impede que as boas ideias, os bons projetos e o entusiasmo continuem dando frutos. A única forma de prevenir uma doença tão terrível como esta é lembrar de DEUS, da maneira como Ele vê cada ser humano, e ter a certeza que Ele é maior que o egoísmo, que a mágoa ou qualquer sentimento negativo que faça VOCÊ esquecer de fazer apenas o bem, e de lembrar de quem fez o bem também. 

Por Iviana Lima

sábado, 8 de setembro de 2012

GOL DE PLACA


    

    Eu nunca fui muito fã da pessoa do Romário (embora reconheça o seu valor como grande jogador que foi, trazendo ao país, inclusive, o tetracampeonato de futebol em 1994), mas depois de repetidas participações marcantes na Câmara dos Deputados, essa última foi no mínimo fantástica. A seguir, o trecho da entrevista cedida pelo parlamentar menos faltoso de Brasília ao jornalista Cosme Rimoli, da TV Record:


_Você foi recebido com preconceito em Brasília?
_Olha, vou ser claro para quem ler entender como as coisas são. Há o burro, aquele que não entende o que acontece ao redor. E há o ignorante, que não teve tempo de aprender. Não houve preconceito comigo porque não sou nem uma coisa nem outra. Mesmo tendo a rotina de um grande jogador que fui, nunca deixei de me informar, estudar. Vim de uma família muito humilde. Nasci na favela. Meu pai, que está no céu, e minha mãe ralaram para me dar além de comida, educação. Consciência das coisas... Não só joguei futebol. Frequentei dois anos de faculdade de Educação Física. E dois de moda. Sim, moda. Sempre gostei de roupa, de me vestir bem. Queria entender como as roupas eram feitas. Mas isso é o de menos. O que importa é que esta sede de conhecimento me deu preparo para ser uma pessoa consciente... Preparada para a vida. E insisto em uma tese em Brasília, com os outros deputados. O Brasil só vai deixar de ser um país tão atrasado quando a educação for valorizada. O professor é uma das classes que menos ganha e é a mais importante. O Brasil cria gerações de pessoas ignorantes porque não valoriza a Educação. E seus professores. Não há interesse de que a população brasileira deixe de ser ignorante. Há quem se beneficie disso. As pessoas que comandam o País precisam passar a enxergar isso. A Saúde é importante? Lógico que é. Mas a Educação de um povo é muito mais.

_Essa ignorância ajuda a corrupção? Por exemplo, que legado deixou o Pan do Rio?
_Você não tenha dúvidas que a ignorância é parceira da corrupção. Os gastos previstos para o Pan do Rio eram de, no máximo, R$ 400 milhões. Foram gastos R$ 3,5 bilhões. Vou dar um testemunho que nunca dei. Comprei alguns
apartamentos na Vila Panamericana do Rio como investimento. A melhor coisa que fiz foi vender esses apartamentos rapidamente. Sabe por quê? A Vila do Pan foi construída em cima de um pântano. Está afundando. O Velódromo caríssimo está abandonado. Assim como o Complexo Aquático Maria Lenk... É um escândalo! Uma vergonha! Todos fingem não enxergar. Alguém ganhou muito dinheiro com o Panamericano do Rio. A ignorância da população é que deixa essa gente safada sossegada. Sabe que ninguém vai cobrar nada das autoridades. A população não sabe da força que tem. Por isso que defendo os professores. Não temos base cultural nem para entender o que acontece ao nosso lado. E muito menos para perceber a força que temos. Para que gente poderosa vai querer a população consciente? O Pan do Rio custou quatro vezes mais do que este do México. Não deixou legado algum e ninguém abre a boca para reclamar.

_Se o Pan foi assim, a Copa do Mundo no Brasil será uma festa para os corruptos...
_Vou te dar um dado assustador. A presidente Dilma havia afirmado quando assumiu que a Copa custaria R$ 42 bilhões. Já está em R$ 72 bilhões. E ninguém sabe onde os gastos vão parar. Ningúem. Com exceção de São Paulo, Rio, Minas, Rio Grande do Sul e olhe lá...Pernambuco... Todas as outras sete arenas não terão o uso constante. E não havia nem a necessidade de serem construídas. Eu vi onze das doze... Estive em onze sedes da Copa e posso afirmar sem medo. Tem muita coisa errada. E de propósito para beneficiar poucas pessoas. Por que o Brasil teve de fazer 12 sedes e não oito como sempre acontecia nos outros países? Basta pensar. Quem se beneficia com tantas arenas construídas que servirão apenas para três jogos da Copa? É revoltante. Não há a mínima coerência na organização da Copa no Brasil.

_São Paulo acaba de ser confirmado como a sede da abertura da Copa. Você concorda?
_Como posso concordar? Colocaram lá três tijolinhos em Itaquera e pronto... E a sede da abertura é lá. Quem pode garantir que o estádio ficará pronto a tempo? Não é por ser São Paulo, mas eu não concordaria com essa situação em lugar nenhum do País. Quando as pessoas poderosas querem é assim que funcionam as coisas no Brasil. No Maracanã também vão gastar uma fortuna, mais de um bilhão. E ninguém tem certeza dos gastos. Nem terá. Prometem, falam, garantem mas não há transparência. Minha luta é para que as obras não fiquem atrasadas de propósito. E depois aceleradas com gastos que ninguém controla.

_O que você acha de um estádio de mais de R$ 1 bilhão construído com recursos públicos e entregue para um clube particular?
_Você está falando do estádio do Corinthians, não é? Não vou concordar nunca. Os incentivos públicos para um estádio particular são imorais. Seja de que clube for. De que cidade for. Não há meio de uma população consciente aceitar. Não deveria haver conversa de politico que convencesse a todos a aceitar. Por isso repito que falta compreensão à população do que está acontecendo no Brasil para a Copa.

_A Fifa vai fazer o que quer com o Brasil?
_Infelizmente, tudo indica que sim. Vai lucrar de R$ 3 a R$ 4 bilhões e não vai colocar um tostão no Brasil. É revoltante. Deveria dar apenas 10% para ajudar na Educação. Iria fazer um bem absurdo ao Brasil. Mas cadê coragem de cobrar alguma coisa da Fifa. Ela vai colocar o preço mais baixo dos ingressos da Copa a R$ 240,00. Só porque estamos brigando pela manutenção da meia entrada. É uma palhaçada! As classes C, D e E não vão ver a Copa no estádio. O Mundial é para a elite. Não é para o brasileiro comum assistir.

_Ricardo Teixeira tem condições de comandar o processo do Mundial de 2014?
_Não tem de saúde. Eu falei há mais de quatro meses que ele não suportaria a pressão. Ser presidente da CBF e do Comitê Organizador Local é demais para qualquer um. Ainda mais com a idade que ele tem. Não deu outra. Caiu no hospital. E ainda diz que vai levar esse processo até o final. Eu acho um absurdo.

_Muito além da saúde de Ricardo Teixeira. Você acha que pelas várias denúncias, investigações da Polícia Federal... Ele tem condições morais de comandar a organização Copa no Brasil?
_Não. O Ricardo Teixeira não tem condições morais de organizar a Copa. Não até provar que é inocente. Que não tem cabimento nenhuma das denúncias. Até lá, não tem condições morais de estar no comando de todo o processo. Muito menos do futebol brasileiro... A África apresentou há alguns meses atrás o resultado final da Copa do Mundo: deu prejuízo e grande. Agora é a vez do Brasil. Fifa, CBF, políticos e os empreiteiros vão ganhar muito dinheiro. Quem teve a ideia de promover o evento em nosso país, alguém sabe?

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

INDEPENDÊNCIA E LIBERDADE



        Independência e Liberdade são vocábulos relativamente distantes no dicionário, mas dá pra perceber que existe uma íntima relação entre os dois no significado e na definição um do outro. Não dá pra falar em independência sem falar em liberdade e vice-versa.


           Segundo o dicionário: “Independência é a desassociação de um ser em relação a outro, do qual dependia ou era por ele dominado. É o estado de quem ou do que tem liberdade ou autonomia.
Faculdade de fazer ou de não fazer qualquer coisa, de escolher. Direito que o homem tem por natureza de agir sem qualquer constrangimento externo. Liberdade de opinião, de pensar, direito de exprimir cada um seus pensamentos, suas convicções. Direito concedido aos indivíduos de deliberar sobre assuntos de sua preferência em um lugar franqueado a todos, sem necessidade de solicitar autorização prévia. Livre arbítrio.”

         Como se comemora o Dia da Independência aqui no Brasil? Afinal, este é um lugar “onde nunca os humildes são ouvidos e uma elite sem Deus é quem domina, que permite um estupro em cada esquina e a certeza da dúvida infeliz, onde quem tem razão baixa a cerviz e massacram - se o negro e a mulher, pode ser o país de quem quiser, mas não é, com certeza, o meu país.” 
 
         Na realidade, a comemoração deveria estar baseada na proclamação da felicidade por estarmos gozando de uma liberdade outrora a nós negada. Mas, que liberdade? Não quero aqui reproduzir discursos, fingir que está tudo bem, negando o que os nossos olhos vêem, ou deixar de ser patriota por isso, quero apenas propor reflexões sobre a liberdade, utilizando os escritos de Luis Fernando Veríssimo no seu livro de crônicas “Em algum lugar do paraíso”, na página 181:

       “É livre quem pode fazer o que quiser — dentro das suas limitações de espaço, tempo, energia e recursos. Só se é livre dentro de certos limites. Portanto, toda liberdade é condicional.”

        “Alguns são obcecados pela liberdade e prisioneiros da sua obsessão.”

   Diante do exposto, novamente questiono: Quem, no mundo, é verdadeiramente livre? Quem tem plena autonomia sobre os seus atos para fazer o que quiser, com quem quiser, quando quiser e onde quiser? Quem pode decidir se deve ou não ter responsabilidade sobre determinada coisa?

     É fácil criticar o Brasil pela corrupção latente, pelos estrangeirismos, inclusive da nossa língua, da falta de políticas públicas eficazes para a juventude, pela necessidade urgente da Reforma Agrária, de uma melhor distribuição de renda e de maior valorização da educação... Todo mundo fala assim e é reverenciado por isso. Difícil é falar que admira a terra pelas boas músicas que ainda existem por aqui, pela sua gente hospitaleira e sorridente, que mesmo em face dos graves problemas sociais, ainda consegue fazer festa e ser feliz, pelas diversas modalidades esportivas, que pelo fato de ter pouquíssimo incentivo de quem deveria ter (se comparado a outras grandes potências mundiais na área, como Jamaica e Cazaquistão) ainda se destaca em muitos momentos no cenário mundial, pela sua rica cultura, entre outros. 

    Isso se chama: Independência filosófica e liberdade de expressão! Entretanto, “Toda liberdade é relativa. Verdade exemplarmente ilustrada por este diálogo entre o preso e o carcereiro.

— Nunca mais vou sair daqui.
— Calma. Não desanime.
— Não tem jeito. Estou aqui para sempre.
— Vou ver o que posso fazer por você -
— Não adianta. Estou condenado. Desta prisão eu não saio. Se esqueceram de mim.
— Eu não esquecerei. Voltarei para visitá-lo.
— Promete? — diz o carcereiro.” 

     Quer começar a comemorar a independência? Comece livrando-se de rótulos e usufruindo de tudo o que seu país tem de bom para lhe oferecer, inclusive a possibilidade de discordar de textos como esse.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Big e Wet em: DIA DO SEXO


_ Olá.
_ Olá.
_ Você tem vindo muito por aqui?
_ Não, não. Pra falar a verdade essa é a primeira vez que passo por aqui...
_ Curioso... Você não me é estranho...
_ Você também não me é estranha, mas tenho certeza que não fomos apresentados ainda. Qual o seu nome?
_ Wet, e o seu?
_ Big, muito prazer!
_ Não faça promessas falsas!
_ Como assim?
_ Diga apenas “prazer”, o “muito” pode ser propaganda demais...
_ Você é engraçada! Sabe de uma coisa? Acho que nos daremos muito bem...
_ Quem sabe? Se você se comportar, pode até ser.
_ Como assim, me comportar?
_ Eu sei que caras como você costumam ser muito intrometidos, se metem em verdadeiras encrencas e são , vez por outra, absurdamente inconvenientes!
_ Não farei nada que você não queira, mas vou logo lhe dizendo, é incontrolável... Adoro quando você sorri pra mim, esses seus lábios me alucinam!
_ Todos?
_ Todos!
_ Você também é muito agradável! Principalmente quando demonstra carinho, fico louquinha!
_ Não fica falando assim... Ah, não! Desculpa... Estou em fase de crescimento...
_ Noooossa! Não compreendo bem o porquê, mas isso me deixa ainda mais entusiasmada!
_ Acho que nosso relacionamento pode evoluir mais... e você, o que acha?
_ Pode ser o começo de uma longa amizade!
_ Íntima e profunda!
_ Você promete ser carinhoso? É que... eu nunca mantive uma relação tão próxima com alguém como você...
_ Claro, claro! O que você permitir! Agora, por favor, se eu não estiver sendo muito inconveniente, tira a  roupa...
_ E você, coloca a sua...

FELIZ DIA DO SEXO!
(Não perca! Em breve novas aventuras voluptuosas do casal mais gostoso do mundo!)

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

COLETÂNEA DIA DOS PAIS 2012



  •   Feliz dia dos pais Braulio Maciel! Lembro bem de seu anseio de ser pai e hoje vejo o quanto você é feliz por ter alcançado essa dádiva de Deus. Um abraço! Felicidades (Marciana Milanês)


Você deve imaginar como é gratificante e incomensurável a paternidade, afinal, como você, é coisa do outro mundo! Rsrsrsrs! Brincadeirinha! Você é muito amável, obrigado pela lembrança! (Braulio Maciel)

  •   Um Feliz dia dos pais para Braulio Maciel, querido professor... Que Deus abençoe você... (Paula)

Obrigado amiga historiadora e atriz em um passado não muito longínquo! Você é também muito especial! (Braulio Maciel)

  •   Não basta ser PAI, tem que ser Herói! Parabéns Braulio Maciel, você é um pai excepcional!!! (Iviana Lima)

Obrigado! A única coisa que prometo é tentar passar adiante o que aprendi com o meu, se conseguir repassar ao menos 50% dos seus ensinamentos, terei amplo sucesso nessa caminhada! (Braulio Maciel)

concordo plenamente com você Iviana LimaBraulio Maciel é um super pai,depois de Edgard Perssy, ele é o melhor! (Mírian Barbosa)

Super pai, super companheiro, super amigo.. Admiro muito você Braulio.. Mais uma vez.. PARABÉNS! (Fabiana Ribeiro)

Meus parabéns papai, que Deus dê sabedoria a você para criar esta princesa..\o/.. (Alessandro Ramos)                                                             

  • Braulio Maciel, se posso chamar a influência para o bem que alguém teve na minha vida de marca, então, eu tenho no que sou hoje, a sua marca em cada coisa boa existente em mim. Hoje com 22 anos, eu tenho a plena convicção de que eu não teria chegado tão longe sem o amor que você deu a mim e a meu irmão, você tornou nossa infância mágica, tornou dias de sofrimento em dias a serem lembrados com sorriso, tornou com a ajuda de Deus o impossível ser facilmente possível... eu não tenho o seu sangue, não sou seu filho de fato, mas eu não tenho como negar que você foi e é um ótimo pai, são nesses momentos que vemos que laços de sangue não são nada comparados a laços da vida. Feliz dias dos Pais. (Aleff e Akiles)

       "Laços da vida"... Mágico! Não há palavras pra agradecer as suas... Apenas lágrimas...!   (Braulio Maciel)

  • Trago essa assinatura na minha mente e no meu coração...  (Braulio Maciel)


Eita que saudades do meu irmãozinho querido. (Luciana Gondim)

 Muita falta nos faz.  (Marta Barbosa)

 Eita que eu tenho uns escritos dele aqui...realmente não tem como esquecer essa assinatura. Muitas saudades. (Bruna Marinho)


"Por que a necessidade de ser eterno 

enquanto ego
Se sou quando não sou?
Pobre assinatura,
Será rasgada pelo tempo
Mas o que sempre foi 
Lá estará."


E assim festejo o Dia dos Pais há 3 anos e me entristeço há 8...

MUITO IMPORTANTE

           "De acordo com os dados mais recentes do DataSUS, do Ministério da Saúde, referentes a 2018, o País apresenta por dia ...

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