Não querer falar sobre esse assunto é natural. Mas o certo é que na atual sociedade em que vivemos, o preconceito, a discriminação e a falta de respeito com as pessoas que se comportam ou que têm interesses e filosofias de vida diferentes dos da maioria das pessoas são absolutamente reais.
Algo precisa ser feito para que o panorama em que vivemos hoje mude radicalmente, para que cenas de tortura, estupros e atentados se tornem menos comuns e as pessoas consigam vislumbrar um futuro de coexistência, no mínimo, respeitosa. Mas quem o fará?
O médico psiquiatra, Dr. Régis Eric Maia Barros, Mestre e Doutor em Saúde Mental pela FMRP, USP, diz que "Como o preconceito nasce nos grupos e se manifesta nas posturas individuais, só poderemos eliminá-lo com manifestações afetivas naqueles que compõem o grupo preconceituoso. No entanto, as atitudes de mudança e de esclarecimento deverão usar a lógica de modificar a coletividade com atitudes capazes de atingir o grupo por inteiro. Se não houver um trabalho educativo, elucidativo e com capacidade de modificar as paixões subjacentes ao preconceito, ele crescerá cada vez mais." Sendo assim, a conclusão será óbvia: Um pai preconceituoso no passado terá como reflexo um filho ainda mais preconceituoso no futuro.
Devemos, portanto, esperar que o presidente dos Estados Unidos tome alguma atitude diante da nação mais poderosa do planeta para que a sigamos por aqui? Devemos aguardar que os países de primeiro mundo comecem a efetivar as mudanças que assegurem a integridade física dos "diferentes"? Será que precisamos esperar que líderes religiosos do mundo inteiro clamem por paz e solidariedade para mudarmos nossas ações discriminatórias?
Não! Não podemos perder mais tempo! Precisamos começar pela nossa casa, pela nossa família! Primeiro reconhecendo nossos preconceitos, depois tentando implantar naqueles que dependem de nós - especialmente nossos filhos - valores considerados universais, de modo que não apenas aprendam a respeitar a todos, sem distinção, mas passem a amá-los também. Devemos mostrar que ser diferente é algo absolutamente natural. Precisamos deixar claro que respeitar o outro não significa ter de fazer as mesmas coisas que ele faz, mas aceitar a sua ideologia e a sua forma de viver como parte integrante da rica diversidade que compõe o mundo em que vivemos. Afinal, este é um mundo repleto de cores, perfumes, brilhos e sons diferentes. Por que haveríamos de ter todos as mesmas características?
