sábado, 31 de dezembro de 2016

TEM GENTE


Tem gente que atrai
Tem gente que trai
Tem gente que distrai
Tem gente que contrai

Tem gente que destrói
Tem gente que constrói
Tem gente que rói
Tem gente que corrói

Tem gente que faz
Tem gente que desfaz
Tem gente que refaz
Tem gente que não faz

Tem gente que é coroa
Tem gente que é patroa
Tem gente que é "de boa"
Tem gente que voa

Tem gente que é palhaço
Tem gente que é pedaço
Tem gente que é abraço
Tem gente que é amasso

Tem gente que ama
Tem gente que reclama
Tem gente que é drama
Tem gente que clama

Tem gente que passa
Tem gente que repassa
Tem gente que caça
Tem gente que é caça

Tem gente que diz
Tem gente que desdiz
Tem gente que é aprendiz
Tem gente que é feliz

Tem gente que é ateu
Tem gente que é judeu
Tem gente que já deu
Tem gente como eu


terça-feira, 27 de dezembro de 2016

RECEITA DE FAMÍLIA

     
Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema, principalmente no Natal e no Ano Novo. Pouco importa a qualidade da panela, fazer uma família exige coragem, devoção e paciência. Não é para qualquer um. Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de desistir. Preferimos o desconforto do estômago vazio. Vêm a preguiça, a conhecida falta de imaginação sobre o que se vai comer e aquele fastio. Mas a vida, (azeitona verde no palito) sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite. O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. Súbito, feito milagre, a família está servida. Fulana sai a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo. Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante. Aquele o surpreendeu e foi morar longe. Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente.

     E você? É, você mesmo, que me lê os pensamentos e veio aqui me fazer companhia. Como saiu no álbum de retratos? O mais prático e objetivo? A mais sentimental? A mais prestativa? O que nunca quis nada com o trabalho? Seja quem for, não fique aí reclamando do gênero e do grau comparativo. Reúna essas tantas afinidades e antipatias que fazem parte da sua vida. Não há pressa. Eu espero. Já estão aí? Todas? Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados. Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola. Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza.

      Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco. Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar, tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa.

    Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto, é um verdadeiro desastre. Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido. Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher. Saber meter a colher é verdadeira arte. Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada.

    O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão. Não existe Família à Oswaldo Aranha; Família à Rossini; Família à Belle Meunière; Família ao Molho Pardo, em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria. Família é afinidade, é “à Moda da Casa”. E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito.

    Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas. Há também as que não têm gosto de nada, seriam assim um tipo de Família Dieta, que você suporta só para manter a linha. Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.

     Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia a dia. A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel. Muita coisa se perde na lembrança. Principalmente na cabeça de um velho já meio caduco como eu. O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer. Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro. Aproveite ao máximo. Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete.

(de "O Arroz de Palma, de Francisco Azevedo)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

FRENTE E VERSO


Você quer saber como te amo?
Olhando de cima ou de baixo pra cima;
Sentada no meu colo ou deitada sobre mim,
Vertendo lágrimas de emoção ou chorando de dor;
Andando ao meu lado ou caminhando distante de mim;
Olhando fixamente nos meus olhos ou fitando o horizonte;
Quebrando protocolos ou sendo rígida quanto aos rituais;
Lúcida quanto ao futuro ou grogue quanto ao presente;
De cabeça erguida ou reclinada sob meus ombros;
Segurando minha mão ou pegando no meu pé;
Dando conselhos ou recebendo orientações;
Beijando ou deixando-se beijar;
Usando short ou vestidinho;
Servindo ou sendo servida;
Bocejando ou despertando;
Cantando ou ouvindo canções;
Articulando ou sendo surpreendida;
Fazendo comida ou sendo o prato do dia;
Cultivando árvores ou colhendo seus frutos;
Sendo meu objeto de estudo ou minha referência;
Palestrando ou refletindo sobre o que foi palestrado;
Na capital do meu cérebro ou no interior do meu coração;
Lendo um bom livro ou assistindo a sua versão cinematográfica;

Enfim... Em termos literários eu diria que te amo de frente e verso!

terça-feira, 29 de novembro de 2016

CHAPECOENSE...

A vida tem uma dimensão trágica. Filósofos tratam disto. Teólogos discorrem sobre o tema. Por que morrem pessoas no apogeu da juventude e do sucesso? Há os que indicam um plano superior. Outros, como eu, entendem que os fatos são aleatórios. Mesmo assim, todos sentimos a dor das famílias enlutadas. Desci do avião e vi as notícias da tragédia do time chapecoense. É o maior sinistro do esporte e do jornalismo do país. senti-me duramente atingido. Muito mais gente morre no trânsito mensalmente, mas o acidente desse tipo tem um poder impactante forte. Emocionou-me ver as cenas. A ordem do nosso mundo foi abalada. Estamos todos por um fio e é importante viver plenamente. Os que ficamos aprendemos com os que deixaram de existir: vamos viver de verdade, sem adiamentos, sem meio termo. A vida segue um pouco mais melancólica.

(Por: Leandro Karnal)

Quando um avião cai, a gente cai junto. Um avião transporta mais do que vidas, transporta sonhos. É o pai que está indo reencontrar os filhos, é a mãe que está indo buscar o sustento de sua família, são pilotos que planejam estar em casa ao jantar e a aeromoça que leva na bagagem o perfume favorito do namorado.

Quando cai um avião a gente cai junto, pois quantos de nós viram os sonhos começar dentro de um avião. A viagem tão esperada, a assinatura de um contrato, o encontro com alguém que tanto sonhamos estar junto.

Aviões partem rumo a sonhos, e era isso que cabia também neste trágico voo que quase chegou a seu destino. Jogadores que representavam o sonho do menino que quer ser jogador, jogadores que representavam seus familiares, seus torcedores.

Quando um avião cai todos nós caímos juntos. Morrem sonhos, morrem encontros que não vão mais ocorrer, morrem saudades que não vão ser vencidas e que dali por diante vão apenas crescer e se tornar um buraco junto a quem nunca chegou.

Quando um avião cai a dor é compartilhada, pois todos nós somos torcedores, torcemos para quem amamos, torcemos para logo poder dar o abraço, torcemos, pois ninguém sonha sozinho.

Hoje esse humilde time de Santa Catarina tem a maior torcida do mundo, pois quando sonhos despencam do céu a solidariedade é a única camisa que todos vestem, pois essa é a única camisa que nesse momento nos conforta.

Fica meu abraço e sincera dor a familiares e torcedores desse triste voo...

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

CARTA DE AMOR

Çaudassões profi!

Adisculpa, Profi Blaurio, mais eu precizava mermo escrevê eça cartinha pru sinhô...
É qui eu fais tempu qui ti adimiru muinto sabi? E como eu não tenhu coraji di ti falá peçoalmenti, prifiri escrevê. Queim sabi açim eu conciga falá de maneira mais compreta sobri o qui eu sintu em meu corassão...
Não consigu olhar pru sinhô e não pensar em nois dois juntinhu si beijanu... É tantu amô qui não estou consiguinu durmi direitu, só pensanu nu sinhô.
Meus paiz axa qui eu tô estudano todas as materia, mais minha pachão é pur portugês! Ou melhó, pelo profi de portugês!
Eu quiria sabê si eu tenho alguma xansse com  o sinhô, só pra eu não ficâ crianu falças espequitativa... 

Adisculpa os eros (axu qui teim pocos, aja vista qui eu tô iscrevenu cum dissionáru, pra não errá!)

Bêjus di sua aluna qui ti amava em çecretu, mais qui agora si revelô di veiz!




sábado, 26 de novembro de 2016

ROTEIRO DO MAL

     Hoje acordei com o pé esquerdo, quebrei o vaso que ficava na beira da cama com um chute inesperado, queimei meu café da manhã, saí atrasado para o trabalho e levei um puxão de orelha da minha chefe... Não entendo o porquê de tanta coisa ruim ter acontecido comigo de uma só vez! Eu sempre faço tudo tão certinho. Sou bondoso com as pessoas ao meu redor, educado com todos, cumpro meus deveres, conheço meus direitos, não negligencio ajuda aos que precisam, sou um bom pai de família, bom filho... 
    Acho que só cometendo atos maldosos pra me acalmar! Mas como fazer isso? Sou leigo no assunto! Não quero combinar nada com ninguém, quero pegar a todos de surpresa com minha perversidade, mas é muito difícil, já que não tenho muita intimidade com atitudes desagradáveis... Já sei! Vou fazer uma lista! Segue o roteiro de maldades:

  1. Guiar lentamente meu carro, mesmo vendo ao longe o sinal verde, até amarelar e ficar vermelho, só pra o de trás ficar morrendo de raiva;
  2. Soltar pum no elevador quando o mesmo estiver lotado;
  3. Colocar qualquer música de Wesley Safadão pra tocar em casa, quando toda a família estiver reunida;
  4. Pegar um ônibus e ficar em pé segurando o pega mão de cima com um buraco na camisa, na altura das axilas;
  5. Responder: "O que tem de bom?" quando me saudarem com um "bom dia";
  6. Colocar no face uma indireta contra alguém;
  7. Ler um jornal da última à primeira página;
  8. Abrir uma caixa de cereal pelo fundo;
  9. Visualizar sem responder nenhuma mensagem no whatsapp;
  10. Posicionar o carro de forma a ocupar dois espaços em um estacionamento.
Pensando bem, acho que é muita maldade pra um dia só... Vou dividir pela semana! 

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

THE END



E quando minha hora chegar?
Estarei pronto para mudar de plano?
Permearei sonhos, mesmo não estando por aqui?
Terei marcado positivamente a vida da minha família?
Terei emocionado com palavras os que andavam comigo?
Será que chorarão de tristeza pela minha partida inesperada?
Será que minhas experiências servirão de exemplo para alguém?
Os meus ensinamentos guiarão os passos de alguém, quando me for?
A exposição dos meus segredos mais terríveis destruirá minha reputação?
Deus será lembrado em minhas atitudes quando eu não mais estiver por aqui?
Será que valerei cada gota de lágrima derramada pela minha ausência?
Meu nome continuará habitando os corações dos que hoje me amam?
Deixarei bordões ou expressões que guiem ou alterem caminhos?
Será que terei sido suficientemente bom para deixar saudades?
Rirão de algum episódio em que estive envolvido diretamente?
Valerá a pena jogar tristemente flores em minha sepultura?
Alguma música fará com que lembrem de mim?
Conseguirei deixar os meus num bom lugar?
Terei realizado tudo o que planejei?

E se eu for imortal? Como essas perguntas serão respondidas???

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

TRIM! TRIM!





No Motel Diamante...

_ É muito bom estar com você de novo!
_ Fazia quanto tempo que nós não nos víamos?
_ Nem lembro mais. Valéria marca sob pressão, você conhece sua amiga, né?
_ Ô se conheço! Quando éramos pequenas nós vivíamos brigando pelo mesmo brinquedo! Ela sempre foi muito ciumenta!
_ Imagina comigo! Desde o nosso casamento que ela desconfia de que estou com outra. Já pensou? Logo eu? Rá, rá, rá!
_ Nossa! Você é um poço de fidelidade! Rá, rá, rá! Só sai comigo, né? Cuidado, bichinho...
_ Sou cauteloso, você não sabe?
_ Isso é verdade. Sempre que ela tem alguma desconfiança, a primeira pessoa que procura sou euzinha aqui, sua melhor amiga!
_ Coitada! Rá, rá!

Trim! Trim!

_ Esqueci de desligar o celular! É ela! O que eu faço?
_ Volta pra cama.... Deixa tocar!
_ Não posso... Ela vai continuar insistindo até eu atender!
_ Desliga, ora bolas!
_ Não dá! Aí é que ela vai desconfiar e a vistoria vai ser grande em minha roupa!
_ Então atenda e diga que está comigo no Motel, cara!
_ Calma, Diná, não é assim também não! Parou. Graças a Deus!

Trim! Trim!

_ Droga! Nunca mais ela pegou no meu pé... Era muito bom pra ser verdade!
_ Atenda e diga que faltam 35 minutos para sairmos daqui, ainda dá tempo de ir mais umazinha!
_ Deixa de brincadeira, Diná! Opa... Parou de novo!

Trim! Trim!

_ Não aí já demais! Desliga essa droga de celular!
_ Não, neguinha... Esse não é o meu. Agora é o seu...
_ Xiiiii! É Valéria! Será que ela está desconfiada de mim? Ai, ai!
_ E aí, vai atender?
_ É lógico que não, Suélio! Eu não saberia mentir pra Valéria!
_ Ah, não? Então porque você não conta sobre aquela posição... Como é mesmo o nome? Aquela que você fez comigo ainda há pouco?
_Deixa disso, homem! O que é que eu faço?
_ Eu já te disse... Ah, parou de tocar. Ótimo! Vem cá que ainda temos um tempinho...

Trim! Trim!

_ Ah, não, Diná... Fica em silêncio, vou atender e dizer que estou com o carro quebrado em um lugar muito, muito distante, que o celular estava dentro do carro e vai descarregar, mas que o mecânico já está chegando...
_ Boa ideia! Assim ela deixa de nos importunar. Acho que não é nada, ela não veio chorar em meus ombros, desconfiada de você nesses últimos tempos...
_ Deve ser dizendo que está me esperando para o jantar! Faz silêncio, vou atender... Alô? Amor? Oi querida! Estou com saudades! Olha, ainda vou demorar um pouco porque meu carro quebrou no trecho Alamedes José com a XV de Novembro e estou esperando o mecânico vir consertar. O celular estava dentro de minha bolsa no carro e eu não ouvi... Oi? Como? Hum... Sei. Certo, certo...

Após alguns minutos...

_ E aí? Resolvido? Conseguiu enganar a esposinha de novo, garanhão?
_ Não...
_ O que houve? Algum problema? Ela desconfiou de sua história?
_ Não, não...
_ Então? O que ela disse que te deixou assim tão pálido? Fala que estou nervosa!
_ Ela disse que saiu pra jantar fora e ia demorar...
_ Ah, que alívio... Mas, espera... Com quem?

_ Com você...

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

O SILÊNCIO DAS PANELAS

   
Triste realidade a nossa... 

     As panelas outrora surradas, agora estão silenciadas. Acho que todas devem estar encharcadas de lágrimas, ao ver que apanharam tanto - uma surra promovida pela hipocrisia e pela manipulação midiática - mas que cada amassado seu não cumpriu o propósito bradado aos quatro ventos: "Fora corruptos"... 
     
    As pancadas nas panelas aconteceram porque em apenas dois meses do governo de Dilma ocorreu a maior transferência de renda do que a soma dos oito anos de mandato do governo tucano? Será porque empregados e patrões passaram a frequentar o mesmo restaurante? Ou porque a filha da empregada passou no ENEM e a do patrão não? Será porque as viagens de avião passaram a misturar as classes média e baixa? Será porque os negros tiveram mais acesso ao ensino superior? Enfim, qual o valor do tilintar desavergonhado das pobres panelas? Apenas fazer barulho? Esse barulho resolveu os problemas? Se não, por que se calaram? Qual a razão de tanto silêncio se os desmandos e a corrupção tão alardeados continuam imperando e de forma ainda mais agressiva contra o povo, como na aprovação da PEC 241, que limita os gastos, dentre outros, com educação e saúde pelos próximos vinte anos? Na verdade, a pirotecnia é o maior dos nossos PECados. Fazer barulho apenas por fazer não traz soluções para os graves problemas que enfrentamos. 

    Petralhas, tucanalhas, golpistas, palhaços, homofóbicos, preconceituosos, poderes executivo, legislativo ou judiciário mostram a cada novo dia o quanto as suas piscinas cheias de ratos enlameiam uma nação tão rica e bonita. Bandidos de qualquer esfera devem ser combatidos ainda que nas redes sociais ou com panelas, mas que não seja só barulho.

     A inocência das crianças é o que me comove, não a dos adultos, pois com mãos fortes não bateram só nas panelas das manifestações passadas, mas bateram no rosto de cada um dos pequeninos que não sabem o que os aguarda no futuro, nem sequer o que TEMER quanto a ele...

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

SOBRE A EDUCAÇÃO BRASILEIRA III


   
    Se existe alguém que ainda não entendeu a Medida Provisória do governo Temer para o ensino médio, vou explicar: O diretor do hospital (ministro da educação) chega em um dos leitos (escola) e encontra um paciente muito doente (ensino médio). Ele analisa o paciente e descobre que os órgãos (disciplinas) estão dispostos no mesmo corpo (currículo). Pra tentar salvar a vida do paciente ele pede ajuda a alguém com conhecimento profundo e experiencia na área médica, um ator pornô (Alexandre Frota). Como estímulo para os médicos (professores), o diretor do hospital promete cortar 45% dos gastos com a formação de futuros médicos (universidades federais), prevê instabilidade para a profissão (adiando concursos por dois anos) e corta a entrada de medicamentos importantes para a cura da doença (Programa Nacional de combate ao Analfabetismo, Ciência sem fronteiras, Pronatec, etc...) 

   Embora seja do conhecimento de todos que o paciente tenha apresentado problemas graves em órgãos vitais como coração, pulmão, fígado e rins , esse mesmo diretor anuncia o "enxugamento" das especialidades médicas, demitindo cardiologistas, nefrologistas, hepatologistas e pneumologistas (Filósofos, Sociólogos, professores de Artes e de Educação Física), deixando a cargo de apenas um médico a responsabilidade por cinco especialidades para as quais ele não obteve formação necessária e abrindo espaço para que qualquer "profissional de notório saber" assuma essa função. Para que ninguém descubra a intenção assassina do diretor do hospital (Ministro da educação) e do dono do Hospital (Presidente da República), eles colocam no lugar dos remédios (educação de qualidade) cianeto e arsênico, encobrindo os seus nomes com os rótulos (currículo flexível e período integral). 

     Para que acabe tudo bem, eles oferecem ao paciente (aluno) a dignidade de escolher como vai morrer, se jogado no corredor (futura educação brasileira) ou pela eutanásia (formação técnica). 
 
     Espero ter ajudado com a explicação, afinal, sempre HÁ O QUE TEMERRRR...

(Por: Iviana Lima, Psicopedagoga, professora há 23 anos e pós graduanda em Desenvolvimento Humano e Educação Escolar)

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

SOBRE O LEGADO OLÍMPICO


Cantar o Hino Nacional com o Maracanã lotado em dias históricos!
Arrepiante! 

Poder ver Martinho da Vila, Caetano, Gil, Paulinho da Viola, Gabi Amaranto, Vanessa da Mata, Lenine, Saulo, Armandinho, Jorge Benjor, Seu Jorge, Diogo Nogueira, João Carlos Martins...

Uma aula de emoção e orgulho com uma soma de Jobim e Gisele Bündchen.
E sobre o 14 Bis?
Genial! G E N I A L !

Por falar em soma, D2 e Pagodinho mostrando a diversidade da cultura musical no Rio, e as portas abertas pras novas caras da música brasileira como Anitta e Ludmilla (são realidade).

Emoção no momento da tocha ao ver que os guerreiros Vanderlei Cordeiro de Lima e Clodoaldo Silva nos representariam!
E com Louvor o fizeram!

Oferecer um show pro mundo e passar uma mensagem forte sobre nossos valores e questões sociais que vivemos hoje.

Homenagear, Celebrar e Valorizar o povo brasileiro!
Festejar cada festa com samba, (Samba dos Bons) e mostrar que o Brasil não é feito só dele!

Me sentir em casa no Maracanã através da batucada que compassa com as batidas do coração do Nordeste, das minhas raízes! Maracatu, Axé, Frevo, Baião, FORRÓ!

"Caraca! É sério isso?? Gonzagão na boca do povo em plena Cerimônia de Encerramento da Olimpíadas!!!"
Eita danado! Bateu um orgulho da mulesta!

Se é do Nordeste é intenso! É forte! É show! Levanta Poeira!
Que show foi esse dona Ivete?! Arrepiou e fechou com moral!

Que Bolt,
Que Phelps,
Que nada!
Quem deu show nas Olimpíadas do Brasil foi o Brasileiro!!!

(Por: Asafe Kerven - Voluntário paraibano de Queimadas, nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016)

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

L. I. N. E. A. R. I. D. A. D. E.

O que é mais importante que o topo?

No momento exato em que percebemos que subimos uma ladeira por tanto tempo, até o instante em que fica claro que não há mais o que subir, essa indagação torna-se indispensável. O cume tão almejado traz no alto da bandeira fincada como celebração da vitória, a seguinte mensagem codificada que responde a indagação inicial: “A linearidade é mais importante que o topo”.  Nesse instante só se passa pela cabeça que na verdade falta apenas um minuto para o fim do mundo. Do nosso mundo.

Por mais que se tenha a convicção de que a alma não envelhece, algo se perde na poeira da ampulheta... Nossos estímulos, sonhos, objetivos e desejos começam a ser apagados pela força motriz da gravidade cronológica. Tudo ao nosso redor muda.  As ruas mudam, as músicas mudam, o sabor das coisas muda, o sol muda, a lua muda, as pessoas mudam.

Sobre a efemeridade da vida e das débeis discussões só percebidas nitidamente com a idade, divagava o grande Rubem Alves: “As pessoas não debatem conteúdo, apenas rótulos. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos. Quero a essência. Minha alma tem pressa” e essa pressa se deve ao fato de que toda ladeira possui além de subidas, descidas, e o tempo não espera por nós... Já Fernando Teixeira diz:

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas ...
Que já têm a forma do nosso corpo ...
E esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos
mesmos lugares ...

É o tempo da travessia ...
E se não ousarmos fazê-la ...
Teremos ficado ... para sempre ...
À margem de nós mesmos...

De repente você se olha no espelho e marginalizado, reconhece: “Metade da minha vida se foi! Caramba!” E a única palavra de consolo é: “Mas tenho bastante experiência acumulada!” Replico, pois: Experiências... Melhor vivê-las, que tê-las! Independente dos momentos de amor e ternura usufruídos, a linearidade será nossa única salvaguarda. Caso contrário, só nos restará dizer: “Que amor era esse, que não saiu do chão? Não saiu do lugar, só fez rastejar o coração...” A linearidade mostrar-se-á, nessa hora, mais importante que o topo e menos latente que a descida...


terça-feira, 6 de setembro de 2016

IMPORTA FAZER!

Não importa o dia, a hora, o turno, a duração, o tamanho. Não importa...

Importa o tato, o toque, a língua, o agarrar dos cabelos...
Importa o tapinha onde as costas mudam de nome...
Importa o suor, os gemidos, os suspiros, o virar dos olhos...
Importa a fantasia, a ideia, a originalidade, o trivial...
Importa a música, o barulho, as palavras obscenas...
Importa o ranger da velha cama, o afundar do sofá, o quebrar da mesa de cozinha...
Importa a gota d’água no chuveiro misturada ao frenesi da libido, escorrendo pelas pernas trêmulas...
Importa o meia nove observando de quatro o “dar três” em um pernoite...
Importa o brinquedo, o fetiche, a mata, o descampado...
Importa o aperto do caminho, a facilidade dos atalhos, a capacidade de enfrentamento das dificuldades...
Importa preparar, surpreender, dominar, sentir, causar, ser levado...
Importa agigantar-se, esticar-se, dobrar-se, contorcer-se...


Importa fazer... 
Mas bem feito de preferência! 

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

TEMER O QUÊ?

   
“Vivemos esperando dias melhores”,  já dizia Jota Quest. Será que não é esse o nosso problema? Viver esperando? Acreditar que por si só o futuro nos reservará dias melhores sem nos movermos, sem deixarmos para trás certos vícios e vaidades? Será que acreditar em um amanhã de paz e prosperidade, sem construir, por meio de muita força, coragem e honestidade o caminho para tal, seremos agraciados com essas conquistas?

    Nada vem de maneira gratuita. Nossos pingos de suor em simbiose com nossas gotas de sangue devem servir de argamassa nessa construção. Nossos sonhos devem ser racionalizados e teorizados sim, mas sem a prática não passarão disso: sonhos... É preciso ter fé na vida, mas é preciso, antes de mais nada, ter fé na força de nossas mãos para encaixar em suas palmas as enxadas da vida e semear as conquistas vindouras. Elas não virão se na chuva temporã não as tivermos almejado e efetivado com nosso esforço.


    Um futuro socialmente mais digno para nossas famílias se inicia no exato momento em que estudamos mais profundamente a obviedade das coisas e procuramos a imprevisibilidade delas. Precisamos renovar as energias , principalmente no revés. Acreditar que as batalhas do dia a dia estão aí para serem sempre vencidas, ainda que saiamos derrotados em algumas delas... A vitória na derrota surge do aprendizado que ela deixa. E nos motiva a continuar sem temer o que nos reserva os dias que virão.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

DUALIDADE

Eu sou uma pessoa que sabe exatamente o que quer. Às vezes...

Sou alguém que tem quase certeza de que sabe o que está fazendo em todos os momentos.

Gosto de afirmar com convicção que consigo sair de situações difíceis, ainda que por apenas alguns minutos.

Sou do tipo corajoso, que não evita uma boa briga...Desde que assista de camarote os conflitos dos outros!

Sempre prefiro me fazer de difícil, embora costume ser fácil pra evitar desgastes desnecessários...

Sem dúvida a indecisão não é uma de minhas características mais latentes, no máximo sou precavido e busco analisar criteriosamente inúmeras possibilidades, antes de não decidir sobre o que fazer.

Tenho uma memória excelente! Lembro até o quanto no passado eu sofria por esquecer que não podia contar com ela em nenhuma circunstância!

Eu me considero um cara bacana, independente do fato das pessoas com as quais me relaciono pensarem diferente.

Não sou antissocial, sou apenas reservado. Reservo-me o direito a solidão e a quietude.

Detesto violência! Sou capaz de promover uma verdadeira anarquia em defesa do pacifismo!

Não tenho frescura com comida. Só não gosto de frutas, verduras, legumes e carne...Ah, e sal e açúcar... Lembrei que também não tomo refrigerantes, chás, leites e suco. Detesto café também! Senhor, livrai-me das massas!

Gosto de cuidar da minha saúde indo malhar periodicamente. Pelo menos duas vezes por ano!

Já tive muitas paixões em minha vida, mas como sou muito discreto, nenhuma das pessoas envolvidas ficou sabendo.

Bens materiais não me interessam, a não ser se forem muito valiosos...

Sou questionador e extremamente crítico. Apenas penso que se eu externasse as minhas perguntas e críticas arrumaria muitos inimigos, então finjo-me complacente...!

Não tenho preconceitos... Mas sou bastante seletivo. Por isso não tenho amigos negros, gays ou deficientes. Acho que eles é que tem preconceito comigo!

Acredito que as pessoas duvidam de minha capacidade de regeneração. Não as contradigo com atitudes.


Não gosto de deixar incompletos meus pensamentos, mas tenho a absoluta certeza de que... Deixa pra lá!

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

LÁGRIMAS...

       
       Aos três anos, ela rompe a madrugada com um forte grito e corre até meu quarto, abraçando meus pés descobertos... Uma vez molhados pelo seu pranto infantil, desperto assustado para ouvir de sua angústia por ter tido um pesadelo: Seu brinquedo tão estimado, estava quebrado! Nossa noite verdadeiramente se torna uma criança!


      Aos sete, ela me acorda desta vez num rompante de angústia por sonhar com um ladrão entrando em nossa casa. O consolo paterno em meio a sons ébrios  - emitidos com dificuldade devido ao sono dos múltiplos trabalhos - ecoa no meu quarto, mais uma vez...

      Aos dez, após o labor cotidiano, a encontro novamente em lágrimas, deitada de bruços na cama, no fim do dia. O motivo está em suas mãos... Nota baixa impressa com letras garrafais e avermelhadas de Bic, em uma recente prova de matemática. Limpo seu rosto com palavras de incentivo e com demonstração de que o apoio será mais intenso de minha parte doravante, embora não tenha a mínima ideia de como calcular 7a + 7 = 4a + 19!

     Aos 15 anos, após uma discussão despretensiosamente ouvida por mim enquanto meu ouvido permanecia colado a porta que nos separava, vou ao seu encontro para dar-lhe um abraço e ao limpar as suas lágrimas, explico que aquela era apenas a primeira de tantas outras desilusões que ainda surgiriam em sua vida amorosa... Mais lágrimas! Acho que disse algo que não deveria!

     Aos 18, reluto a princípio em limpar-lhe o rosto dos rios que correm abundantemente dos seus olhos, mas tento lembrar do meu passado também e, complacente, explico-lhe que o sexo deve ser feito com a pessoa certa, no momento certo e da forma certa, mas nem sempre a carne suporta as tentações e nos entregamos aos seus desejos, mesmo com a pessoa errada, na hora errada e da forma errada... o bom disso tudo é que muitas vezes temos uma segunda chance de fazermos diferente. E pode ser muito mais prazeroso! Não preciso dizer o quanto foi difícil pra mim dizer tudo isso... 

      Aos 22 anos, seu choro é de dúvida se o seu iminente enlace será ou não bem sucedido... Faço com que ela reflita comigo sobre os altos e baixos do meu casamento e sobre a felicidade que impera em nosso lar, independente disso. Segredos para a manutenção segura dos sentimentos e para a ampliação da cumplicidade são finalmente revelados a ela... Um terno sorriso brilha no canto de sua boquinha, prestes a ratificar com um "sim", todo o seu amor pelo noivo...

     Aos 25, choramos juntos ao decifrarmos os segredos presentes na expressão "positivo" em um exame de sangue feito por ela. O milagre do existir mais uma vez se apresentou no seio de nossa família! Mais uma criancinha voltará a correr nos corredores de minha casa!

       Aos 35, ela chora ao saber da doença com a qual terei de me relacionar até o dia em que dará cabo de minha vida, impreterivelmente... Consolo-a falando do nosso "triste destino sobre a terra", do quanto minha vida tinha sido boa, de quantos bons momentos vivemos juntos e do quanto ainda viveremos, mas em outro plano. Novas lágrimas, nova sensação de que falhei de novo na tentativa de represar sentimentos dolorosos liquefeitos, oriundos de seu olhar de mulher madura, mas que não aprendeu a conviver com a ideia da morte...

     Aos 41, seu choro finalmente não terá mais minhas mãos a tocar-lhe o rosto, minha voz a embalar seus passos nas adversidades, meu beijo benevolente de aceitação da sua pessoa, em detrimento de seus atos errados... 

     Suas lágrimas copiosas a partir de agora só cessarão, se cada ato meu for lembrado com carinho, se ao final de cada memória do que vivemos provocar-lhe a certeza de que enquanto eu interferia nos rumos de sua vida, marcas de amor que o tempo jamais apagará foram gravadas de maneira indelével em seu coração. E assim, cada pingo nostálgico de lágrima derramada lhe dará a certeza de que eu serei para sempre... seu pai... 

domingo, 31 de julho de 2016

SOBRE A EDUCAÇÃO BRASILEIRA II

Em artigo deplorável numa das mais abjetas publicações semanais de nossa imprensa golpista – primeira aliada das elites econômico-política e da retomada do projeto neoliberal no Brasil –, o sr. Cláudio de Moura Castro tece longo ataque à remuneração e à organização do trabalho dos/as professores/as da educação básica no país, numa indisfarçável propaganda contra a escola pública e seus profissionais, e, consequentemente, a favor das parcerias público-privadas que, muito provavelmente, poderá lhe render vultosas remunerações, lucros e dividendos na condição de associado do projeto de mercantilização da educação.


A base teórica do artigo inexiste, embora muitas considerações sejam feitas em referência a supostas pesquisas ou estudos acadêmicos, sem quaisquer citações de fontes. Verdadeira fraude! Aliás, fraudar a opinião pública virou moda no Brasil, onde reina a impunidade para esse crime. Que o diga a última pesquisa Datafolha/Folha de São Paulo a respeito da manutenção do governo interino de Michel Temer!

Voltando ao sr. Castro, ele considera que os/as professores/as brasileiros possuem salários competitivos, quando analisados por hora de trabalho, inclusive em relação à média internacional. Desconsidera, por exemplo, a recente pesquisa da rede em que é apoiador, Todos pela Educação, que no último mês divulgou dados extraídos da Pnad-IBGE revelando que a remuneração média do magistério com formação em nível superior, no Brasil, equivale à metade da dos demais profissionais com mesmo nível de escolaridade.

Em nível internacional, o diagnóstico da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), denominado Education at a Glance 2014, ao qual o sr. Castro certamente teve acesso, mas não o considerou em seu artigo, mostrou que o Brasil possui o penúltimo salário em comparação a 38 países. O estudo ainda apontou que o Brasil tem a maior relação de estudantes por sala de aula (29 na média) e a maior jornada efetiva de trabalho de professores em sala de aula (19 horas semanais, em média) – ver tabela remuneratória ao final, ironicamente disponível no site de Veja.com.

Por outro lado, o artigo de Castro, em Veja de 27/7/16, possui contradições e ilações pejorativas sobre o trabalho do/a professor/a brasileiro/a, que exigem certas ponderações e comparações para fins de melhor entendimento.

O articulista defende a meritocracia salarial, pois, segundo ele, o Estado despende muitos recursos para os salários do magistério onde a “produtividade é baixa”. Ora, mesmo sendo a educação um direito universal e sabendo que as condições de trabalho dos profissionais interferem na qualidade do aprendizado – sem falar que a maioria dos gestores resiste em investir na formação continuada e nas carreiras do magistério e dos demais trabalhadores da educação –, não seria o caso de questionarmos as despesas per capita do Estado com o judiciário, com os parlamentos das três esferas e com as demais áreas públicas em relação às suas respectivas produtividades? E os gastos com publicidade governamental nos veículos de comunicação privados, quanto custa e o que agrega em produtividade? Por que então o foco na educação? A resposta é simples: o sr. Castro defende a privatização da área, pois os fundos públicos educacionais correspondem a bilhões de reais.

A recente decisão do STF, permitindo parcerias público-privadas na educação, tem mobilizado o empresariado a disputar os recursos públicos. E o “lobby” privado será cada vez maior para substituir professores e demais profissionais concursados das escolas públicas, por trabalhadores vinculados à CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) ou mesmo terceirizados, na perspectiva do PL 4.330, da pejotização. Com relação aos profissionais efetivos, a pressão será por rebaixamento salarial, maior tempo de contribuição para a aposentadoria e redução dos proventos previdenciários (tal como escreveu literalmente o sr. Castro), a fim de sobrar mais recursos para as empresas. Essas demandas privatistas dialogam com o PLP 257, que visa congelar salários e concursos públicos nos estados, e com a PEC 241, que pretende suspender por duas décadas as vinculações constitucionais de impostos para a educação (e a saúde). Trata-se, como dito, de briga por fundos públicos!

Neste sentido, a principal mensagem do artigo de Castro indica a precarização (ainda mais!) do trabalho do/a professor/a como política para o problema do financiamento da educação e da melhoria da aprendizagem, devendo-se, ainda, conceder a gerência dos sistemas escolares para a iniciativa privada, sobretudo para organizar o corpo docente. Um poço de contradição e pretensão desvairada!

Em fevereiro de 2015, o Jornal Nacional, que dispensa comentários sobre sua opção política, divulgou uma série de reportagens sobre a escola pública e seus profissionais. Nas matérias de Graziela Azevedo e Ronaldo de Sousa constatou-se que grande contingente de professores têm abandonado o magistério e que os jovens não se sentem atraídos pela profissão. Motivos: baixos salários, péssimas condições de trabalho e violência no ambiente escolar.

Já a pesquisa do instituto Data Popular, realizada em 2015, revelou que 85% da população considera o magistério uma profissão mal remunerada, indo ao encontro das pesquisas da Pnad-IBGE e da OCDE.

Diferente das pseudo teses alardeadas pelo articulista de Veja, esses são exemplos reais da percepção de nossa gente sobre a educação e seus profissionais. E é sobre esses problemas que o Plano Nacional de Educação construiu suas metas visando garantir o acesso de todos/as à educação pública, gratuita, laica, democrática e de qualidade socialmente referenciada. E a CNTE mantém seu compromisso em cobrar o cumprimento integral do PNE, sobretudo em relação às políticas de valorização dos profissionais da educação e de maior investimento público na educação pública tendo como referência 10% do PIB.

A CNTE e seus sindicatos filiados estão atentos às ofensivas do capital sobre os recursos públicos da educação, ao mesmo tempo em que mantêm a luta pela valorização da escola pública e de seus profissionais, tendo como bandeiras de luta o aumento do valor e a extensão do piso salarial nacional para os funcionários da educação e a implementação de diretrizes nacionais para os planos de carreira da categoria.

Nossa luta contrapõe o desejo privatista instalado no país em torno da educação pública e procura atender aos anseios dos/as trabalhadores/as escolares.

Vamos resistir e avançar na luta!

Por: Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE)

sábado, 30 de julho de 2016

SOBRE AMORES NÃO CORRESPONDIDOS

Não dá pra se falar do que não se sente...Mas dá pra sentir, mesmo sem falar.
Nossas angústias muitas vezes excedem o limite do razoável quando o assunto é amor não correspondido.
Procuramos ao redor e nada vemos, cegos e inebriados pela sensação de rejeição.
Até nosso cachorro nos vira as costas e parece não mais sentir prazer no abanar do rabo.
Os olhos inchados de tanto chorar são nossos maiores traidores, revelando o que pra nós deveria ser irrevelável...Nossa dor.
Não  existe chocolate que resolva, conversas em bares que nos anime, tampouco uma nova paixão...
O melhor mesmo é chorar. E permanecer aceitando que somos muito frágeis e dependentes dos outros..

quarta-feira, 29 de junho de 2016

RESPEITO

     
       Não querer falar sobre esse assunto é natural. Mas o certo é que na atual sociedade em que vivemos, o preconceito, a discriminação e a falta de respeito com as pessoas que se comportam ou que têm interesses e filosofias de vida diferentes dos da maioria das pessoas são absolutamente reais.
    
     Algo precisa ser feito para que o panorama em que vivemos hoje mude radicalmente, para que cenas de tortura, estupros e atentados se tornem menos comuns e as pessoas consigam vislumbrar um futuro de coexistência, no mínimo, respeitosa. Mas quem o fará?         
      
       O médico psiquiatra, Dr. Régis Eric Maia Barros, Mestre e Doutor em Saúde Mental pela FMRP, USP, diz que "Como o preconceito nasce nos grupos e se manifesta nas posturas individuais, só poderemos eliminá-lo com manifestações afetivas naqueles que compõem o grupo preconceituoso. No entanto, as atitudes de mudança e de esclarecimento deverão usar a lógica de modificar a coletividade com atitudes capazes de atingir o grupo por inteiro. Se não houver um trabalho educativo, elucidativo e com capacidade de modificar as paixões subjacentes ao preconceito, ele crescerá cada vez mais." Sendo assim, a conclusão será óbvia: Um pai preconceituoso no passado terá como reflexo um filho ainda mais preconceituoso no futuro.
   
     Devemos, portanto, esperar que o presidente dos Estados Unidos tome alguma atitude diante da nação mais poderosa do planeta para que a sigamos por aqui? Devemos aguardar que os países de primeiro mundo comecem a efetivar as mudanças que assegurem a integridade física dos "diferentes"? Será que precisamos esperar que líderes religiosos do mundo inteiro clamem por paz e solidariedade para mudarmos nossas ações discriminatórias?
     
       Não! Não podemos perder mais tempo! Precisamos começar pela nossa casa, pela nossa família! Primeiro reconhecendo nossos preconceitos, depois tentando implantar naqueles que dependem de nós - especialmente nossos filhos - valores considerados universais, de modo que não apenas aprendam a respeitar a todos, sem distinção, mas passem a amá-los também. Devemos mostrar que ser diferente é algo absolutamente natural. Precisamos deixar claro que respeitar o outro não significa ter de fazer as mesmas coisas que ele faz, mas aceitar a sua ideologia e a sua forma de viver como parte integrante da rica diversidade que compõe o mundo em que vivemos. Afinal, este é um mundo repleto de cores, perfumes, brilhos e sons diferentes. Por que haveríamos de ter todos as mesmas características?

MUITO IMPORTANTE

           "De acordo com os dados mais recentes do DataSUS, do Ministério da Saúde, referentes a 2018, o País apresenta por dia ...

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