quarta-feira, 31 de outubro de 2012

AH, ITABIRA...





   Às vezes fico pensando se seria bom ter nascido em uma outra época. Não existiria “anos 80” tal qual recordo-me hoje, mas haveria outras décadas memoráveis, lembradas pela inquietude de uma geração, pela rebeldia de um segmento da sociedade, pelo requinte e pela formalidade de um povo, inclusive no seu “se portar à mesa”, pelo machismo ainda não considerado machismo, nem tampouco considerado algo errado, na expressão: “Chegue pra cá, que eu quero lhe usar!”, pelo deslumbramento da tecnologia: “Como é possível falar com alguém em tempo real em uma distância de mais de 500 metros, usando esse pequenino equipamento?”. Dizem que o primeiro telefone era do tamanho de um tijolo... 

   Penso ainda em que lugar poderia ter nascido. Em um outro país? Nem pensar! Adoro o Brasil. Mas seria em uma capital ou cidade do interior? Nasceria em um grande e destacado Estado do Sul ou novamente na pequenina e humilde Paraíba? Não, acho que não. 

   Acho que uma boa opção seria Minas Gerais, pelos seus encantos, talentos, culinária deliciosa, grandes e célebres personagens da nossa cultura, que tem, desde o seu nascimento uma predisposição ao sucesso. Talvez não necessariamente em Belo Horizonte, mas quem sabe em Itabira? O ano poderia ser 1902 (é uma data bonita, não é?). 

   Imaginem só, contemporâneo desde o princípio com um gênio da nossa literatura, capaz de encantar multidões com a eloqüência peremptória da palavra escrita, mesmo depois de sua morte! Seria uma honra muito grande! Como por lá existe essa predisposição ao sucesso, como já mencionei, quem sabe a honra de ter nascido em 1902 fosse dele, já que seria meu contemporâneo desde a mais tenra idade? 

   A verdade é que falar sobre literatura é difícil, entretanto, falar de um dos gênios da literatura é mais difícil ainda! Principalmente quando o mesmo se auto definia “desajustado” (gauche). Carlos Drummond de Andrade era oriundo de uma família de fazendeiros decadentes na pequena cidade de Itabira, mas quem sabe do outro lado da cidade, que na época não devia ter mais de seis mil habitantes, estivesse nascendo o grande Braulio, de uma família ilustre e ascendente...? 

   Lendo um pouco sobre a biografia de Drummond (não apenas na época da academia) percebemos nitidamente sua dificuldade em apropriar-se de um rumo para a vida que lhe proporcionasse algum reconhecimento – lugar comum na vida de inúmeros outros grandes escritores – Abandonou o Colégio Arnaldo de Belo Horizonte, no qual era aluno interno, por questões de saúde; foi expulso do Colégio Anchieta, em Nova Friburgo por “insubordinação mental”; conseguiu um diploma de farmácia a qualquer custo por insistência e pressão familiar que precisava “dar uma resposta” a sociedade quanto a inteligência de um de seus parentes (isso mesmo, era só um dos!); trabalhou no serviço público; fundou “A Revista”, que embora tenha sido um importante meio de divulgação do modernismo na época, teve curta existência; mesmo escrevendo obras hoje reverenciadas pelo mundo inteiro, na época não obtiveram muito sucesso... Enfim, era para ser apenas mais um escritor fracassado na história literária do nosso país... 

   Ser contemporâneo desde os primeiros segundos de vida de Drummond poderia não ser tão boa idéia assim. Primeiro porque o movimento modernista brasileiro era algo que despertava mais aversão que reconhecimento no meio intelectual, segundo porque as divergências eram pano de fundo na maioria dos debates literários e isso poderia me posicionar do outro lado do embate artístico, fazendo com que eu, quem sabe, repudiasse seus escritos, ao invés de ser um admirador deles... 

   Prefiro a alegria de ouvir sua voz através das letras, de curtir sua musicalidade nos versos, rimas e estrofes inspirados, de tocá-lo com a fragrância de seu bom humor poético e de viajar no tempo, a bordo das suas obras mais significativas. Quem sabe fazendo essa viagem, todos nós deixássemos nascer novamente a esperança e o amor? Afinal, como já dizia o velho mestre das palavras, falecido em 17 de agosto de 1987 (portanto, contemporâneo nosso, pelo menos no final do seu estradar!): “Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou encontram um amor verdadeiro. Ou às vezes encontram e, por não prestarem atenção nesses sinais, deixam o amor passar, sem deixá-lo acontecer verdadeiramente. Por isso preste atenção nos sinais, não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: o amor” 

   Melhor mesmo é continuar acreditando que nasci na época certa. Época de reconhecer, de admirar, de sonhar, de realizar e de concretizar esse amor tantas vezes descrito em seus poemas! Obrigado, Drummond, pelo seu nascimento! Obrigado por me fazer enxergar nos pequenos detalhes da vida, valorosos e profundos ensinamentos!

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

A ARTE E O PRAZER

      Em 25 de outubro de 1881 nascia um dos maiores gênios do mundo das artes do universo: Pablo Diego José Francisco de Paula Juan Nepomuceno María de los Remedios Cipriano de la Santísima Trinidad Ruiz y Picasso, ou apenas Pablo Picasso. Pintor, escultor e desenhista, nasceu na Espanha, na cidade de Málaga para tornar-se um dos grandes mestres da arte no século XX.

     Para construirmos nossa identidade como seres humanos e marcarmos nossa passagem por essa terra, precisamos entender a importância da arte em nossas vidas. O conhecimento sobre nossa história atual e passada, sobre a singularidade das ações humanas ao longo das civilizações e a visão sobre o caminho escolhido para ser trilhado por outros povos, acaba ampliando nossa visão do mundo e tornando-nos seres mais completos, ao passo em que entendemos um pouco mais sobre a nossa complexidade.

      A arte tem a capacidade de reunir todas as faculdades humanas, como a emoção, a razão, a sobriedade, a loucura, a genialidade, o eterno e o efêmero, envolvendo corpo e mente, levando o ser humano a desfrutar de um prazer totalmente diferenciado dos prazeres comuns. O prazer de ser livre para imaginar, para sonhar, para abstrair, para fugir e acima de tudo, expôr essa liberdade de maneira concreta. É quase um paradoxo: Apresentar o abstrato através de algo palpável. Não existe uma outra experiência tão suficientemente prazerosa quanto a criação ou tão somente a observação de algum tipo de arte. É quase como um orgasmo, em que corpos ardentes, repletos de desejo, encontram no toque artístico e profundo uma forma de fazer surgir um prazer incomensurável tanto no apreciador do objeto pintado, desenhado, escrito, interpretado ou esculpido, quanto no pintor, desenhista, escritor, intérprete ou escultor. O ponto central para essa analogia encontra-se na criatividade, segurança, concentração, leveza e foco na utilização do instrumento necessário para o "gozo" artístico que os artistas do mundo do prazer farão surgir. É por essas e outras que eu adoro fazer amor com a arte!


MUITO IMPORTANTE

           "De acordo com os dados mais recentes do DataSUS, do Ministério da Saúde, referentes a 2018, o País apresenta por dia ...

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