segunda-feira, 30 de março de 2020

NÓS CONTRA ELE: O VÍRUS

A guerra do vírus - Brasil 247

    Albert Einstein soou premonitório quando disse, a propósito do poder de destruição das armas atômicas, o seguinte: "Não sei com que armas a 3ª Guerra Mundial será travada, mas a 4ª será travada com paus e pedras".

    Chegou a terceira grande guerra. O inimigo é biológico, microscópico. Artefatos nucleares são inúteis contra ele. Indefeso, o mundo trancou-se em casa. Conta os cadáveres. E estima os prejuízos.

     A improvisação é a marca do conflito. Por mal dos pecados, o coronavírus prospera no improviso. O estrago na economia mundial avança na proporção direta da demora em encontrar munição apropriada.

    Pior do que duas crises, só três crises. No Brasil, Bolsonaro conseguiu adicionar às encrencas sanitária e econômica uma terceira confusão: a crise política. O capitão tornou-se um problema de saúde pública.

    A pandemia potencializa as piores debilidades do inquilino do Planalto. À frente de um governo da guerra, pela guerra e para a guerra, o presidente revela-se capaz de tudo, menos de confrontar o vírus. Ele nunca aproveita as oportunidades que a conjuntura lhe oferece para melhorar. Dessa vez, o presidente é a oportunidade que o coronavírus aproveita. O brasileiro não merecia a reincidência da mediocridade no Planalto.

    A pandemia entra em sua fase mais crítica no país. O Ministério da Saúde prevê que a curva do contágio subirá exponencialmente em abril. Para complicar, junto com o coronavírus virão outros dois surtos: o da influenza e o da dengue.

     Seria um ótimo momento para o chefe do executivo exercitar os dotes de um grande líder, se ele os tivesse. Como não possui esse tipo de talento, o capitão dedica-se a brigar com os governadores e os prefeitos que deveria liderar.

   Ao mesmo tempo complica-se em duas frentes. Numa, insinua que o crescimento econômico pode ser mais importante do que salvar vidas. Até porque o brasileiro já nasceu imunizado. "Não pega nada... O cara sai pulando em esgoto, mergulha e não acontece nada", declarou, convertendo-se no primeiro presidente da história a celebrar o fato de que, no Brasil, pobre não dispõe de saneamento básico.

     Noutra frente, o presidente insulta a equipe da pasta da Saúde ao descrer das estatísticas sobre mortos e das previsões técnicas sobre o potencial de letalidade do coronavírus. Ele opera com teorias científicas próprias, alternativas.

     Para o capitão, o coronavírus já está derrotado. Os pobres imunizam-se com esgoto. Os mais abastados serão curados da "gripezinha" com um remédio milagroso utilizado nos tratamentos contra a malária e o lúpus.

    Isolamento social? Só para os idosos, declara, forçando o ministro Henrique Mandetta, da Saúde, a fazer malabarismo verbal para defender a permanência das pessoas em casa. Sob pena de levar o sistema de saúde ao colapso.

   A falta de coordenação central submete a sociedade brasileira a duas anomalias. A primeira é a discrepância entre as providências adotadas por Estados e municípios. Alguns aderem ao confinamento e fechamento de parte do comércio. Outros, não.

    Em Brasília, Bolsonaro fala em levantar o isolamento. O doutor Mandetta prega a manutenção das pessoas em casa, com liberação gradual, condicionada a pareceres científicos.

   Mandetta busca diálogo com governadores. o presidente acusa-os de exterminar empregos, politizando o vírus. Para o capitão, os inimigos do povo desejam paralisar a economia para impedir a reeleição de um presidente extraordinário. Os seus paradoxos atrasam a implementação de medidas econômicas para socorrer pessoas e empresas vulneráveis. É como se o Brasil tivesse no momento não um presidente, mas um antipresidente.

    O brasileiro merecia melhor sorte. Nos governos do PT, vigorou a estratégia do "nós contra eles". Bolsonaro aplica a tática do "eles contra nós". Desperdiça a oportunidade de tentar algo diferente: a política do nós contra ele, o vírus.

    Ou a sociedade e as instituições funcionam à margem do presidente, ou logo não restarão senão paus e pedras.

(Por: Josias de Souza - Colunista da UOL)

sexta-feira, 27 de março de 2020

NÃO PODE PARAR?




      No dia 27 de fevereiro, há precisamente um mês, Giuseppe Sala, prefeito de Milão, teve uma grande ideia: Beppe Sala, como é conhecido, retuitou um vídeo que circulava nas redes sociais que anunciava: "Milão não para". Era uma campanha contra a defesa que uns poucos faziam em favor do absoluto isolamento social de toda a Itália para combater o vírus. Contavam-se, então, na região da Lombardia, onde fica Milão, 250 pessoas contaminadas e 17 mortos.


Detalhe: Um mês atrás! 

     Domingo passado, dia 22, o prefeito pediu desculpas durante entrevista concedida ao programa "Che tempo fa", repetindo o feito depois nas redes sociais. Afirmou: "No dia 27 de fevereiro, o vídeo #milanononsiferma estava circulando nas redes. Talvez eu tenha errado em repassá-lo. Mas, naquele momento, ninguém conhecia a agressividade do vírus. Eu admito as críticas." Quando Beppe fez a admissão de culpa, os mortos na Lombardia eram 4.500. Nesta sexta, somam-se 5.402, com 37.298 doentes. Nas últimas 24 horas, a Covid-19 matou 541 pessoas na região, segunda pior estatística desde que a epidemia começou. Na véspera, 387. 

     Tantos exemplos da desgraça em um país de primeiro mundo! Imagina por aqui, que a pandemia está apenas começando e somos de terceiro mundo!

Deus nos livre das pragas que...

...Nos põem obrigatoriamente dentro de casa; 

...Nos querem tirar de dentro dela!

terça-feira, 24 de março de 2020

DA JANELA


A primavera não sabia...

Aqui da minha janela, os passarinhos continuam em festa, furando as romãs em busca de alimento. Os beija flores voam ligeiro em volta das helicônias e as orquídeas florescem, num baile de cores e formas...

Da minha janela, vejo uma lua nova a cada noite, sinto um sol mais brilhante invadindo meu quarto ao amanhecer e acompanho o carrossel das nuvens, brincando no céu. 

Da minha janela, observo as formigas carregando seu alimento ao primeiro sinal de chuva e vejo a dança insinuante da pitangueira, entregue ao sabor do vento.

Da minha janela, me encanto com a leveza das borboletas, com as flores pequeninas que brotam dos cactos e com os lagartos que buscam na hera um lugar seguro pra ficar. 

No calendário ainda é outono, mas da minha janela a primavera floresce! A esperança não reconhece as estações...

(Por: Iviana Lima)

sábado, 21 de março de 2020

GRANDE MAL

_ Tenho um aviso importante para todos dessa comunidade...
_ Sim, senhor, estamos aqui!
_ Eis que em breve um grande mal sobrevirá a esta terra, um mal tão forte e tão devastador que até os recônditos desse planeta sentirão o seu furor. Homem, mulher, criança, adolescente, jovem, adulto e idoso, ninguém escapará a ira desse grande mal!
_ Mas quer dizer, mestre, que nenhum de nós escaparemos?
_ Não. Alguns escaparão!
_ O que será preciso fazermos, senhor?
_ Precisarão de higiene...
_ Como assim, higiene? Nós a temos um pouco, senhor!
_ Precisarão de educação também...
_ Alguns ainda não a tem, mestre, mas trataremos de resolver esse problema! Algo mais...?
_ Sim. Pensamento positivo...
_ Temos isso também, senhor, ...
_ Uma alimentação adequada diariamente.
_ Mestre, acho que tudo isso a maioria de nós já tem. Pelo menos os que fazem por merecer. Nosso sistema favorece a meritocracia, sabe? Então, se mereceu, terá melhores condições de vida e cumprirá fielmente seus pedidos. Será que os que não encaixam-se nesse perfil, com sangue nas portas escaparão desse terrível mal?
_ Não.
_ Se pagarmos um bom plano de saúde escaparemos?
_ Não.
_ Se melhorarmos nossa alimentação, comendo comidas mais saudáveis?
_ Não.
_ Nossa... Que mal tão terrível é esse que nos intimida tanto?
_ Primeiramente vou precisar que vocês fiquem em casa e não saiam de lá antes de minha ordem.
_ Sem problemas! São quantos dias?
_ Não posso dizer-lhe com certeza, mas são muitos!
_ Mestre... Será uma semana?
_ Pode ser um mês, dois, três, não sei...
_ Ah, não! Desse jeito não dá. O mal é tão grande assim?
_ É sim.
_ Acho que podemos passar por esse mal sem sentir muito seus efeitos...  O que o senhor nos pede é muito difícil! Responda-nos, mestre, que mal tão terrível é esse?
_ Falta de espírito de coletividade... 

segunda-feira, 16 de março de 2020

16 ANOS...

Ivanildo...

16 anos sem poder sorrir neste dia que sempre foi animado por sua presença, enaltecido por sua conduta de homem honesto e amável. Hoje seria um senhor de 62 aninhos! 

Imagino seus cabelinhos brancos; 
suas ruguinhas salientes; 
sua roupa impecável, cuidadosamente preparada por sua amada esposa; 
talvez um óculos no rosto pra esconder seu ar de galanteador, 
mas sua inteligência e criatividade, além de sua disposição em fazer o bem seriam sua marca maior...

Penso na alegria de seus netos que correriam quando ouvissem a buzina de seu carro; 
as brincadeiras que tiraria com cada um; 
as risadas que dariam juntos quando você contasse algo constrangedor da minha infância, 
mas, acima de tudo, os ensinamentos que viriam de sua boca sobre o amor do Pai do céu por cada um deles...

Muito do que sou hoje devo a você, pai, e sei que celebraremos a vida por toda eternidade! Estaremos juntos pra sempre! Falta ainda um pouquinho, mais esse dia chegará! Enquanto isso continuo cantando: "Eu queria tanto estar no escuro do meu quarto,  à meia noite, à meia luz, sonhando. Daria tudo por meu mundo e nada mais..."

sábado, 14 de março de 2020

É GUERRA!



Todos os dias nos deparamos com diversas mortes e alguns dados básicos comprovam que estamos em guerra contra bactérias, vírus, má alimentação, contra a distribuição irregular de renda no país, contra a corrupção e, por que não dizer, contra o próprio ser humano! Não falo apenas da guerra sexista, bairrista, clubista ou xenofóbica. Falo também das guerras que enfrentamos todos os dias no trânsito das nossas cidades. Falo dos feminicídios vivenciados por muitos em nosso país e no mundo. Falo da guerra entre classes, entre brancos e negros, entre quem vive no bombardeio de fatos e fakes espalhados diariamente nas redes sociais e entre quem acusa e defende discussões ideológicas e/ou espirituais, com violência e até mortes!

No Brasil, para este ano, segundo dados do MS/INCA, a Incidência estimada, conforme a localização primária do tumor e sexo, quando falamos especificamente de câncer, apresenta um dado assustador: Mais de 600 mil pessoas enfrentarão a doença!

A cada hora, cerca de 40 pessoas morrem em decorrência de doenças do coração. As doenças cardiovasculares são as principais causas de morte no Brasil, de acordo com o último levantamento da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). As doenças provenientes do coração chegam a atingir, por ano, mais de 300 mil vítimas!

A Sociedade Brasileira de Diabetes no Brasil também considera muito grave a situação dos doentes no país. O Dr. Reginaldo Albuquerque, Professor da UnB, declara que o perfil da mortalidade no Brasil está mudando. Diz que cada vez mais pessoas estão morrendo de diabetes, fato que é atribuído pelo Ministério da Saúde ao aumento de pessoas com excesso de peso. Os dados não levam em consideração as doenças decorrentes do diabetes, nem os problemas enfrentados por aqueles que não sabem que têm a doença (cerca de 50%). Mais de 400 mil mortos só nesta última década!

De acordo com o boletim do Ministério da Saúde, no começo deste ano foram detectados quase 31 mil casos prováveis de dengue. A região mais afetada pela doença é a Centro-Oeste, com 32,5 casos para cada 100 mil habitantes. O estado de São Paulo concentra 30,4% das notificações do país.

Diante de todas essas “guerras” contra epidemias, doenças e contra nós mesmos, precisamos ter atenção ao que significa preservar a vida. De acordo com o dicionário online, a palavra preservar significa “Conservar, evitar a destruição de algo, de alguém ou de si mesmo; proteger do mal; defender de algum perigo.

Portanto, vencer ou perder, rir ou chorar, abraçar ou distanciar-se ao menos um metro de alguém, tudo faz parte de nossa rotina diária. Vivemos num ciclo insistente de altos e baixos, de perdas e ganhos, de mudanças de opinião e de vida, de nascimentos e de mortes e é necessário que entendamos como funciona esse mecanismo que precisa todos os dias equilibrar-se entre preservar e deixar partir...

É verdade que nem tudo está sob nosso domínio e que precisamos da consolação dos mais experientes para superarmos perdas repentinas ou anunciadas. Mas também é verdade que algumas separações irreparáveis são ainda mais dolorosas quando sabemos que podíamos tê-las evitado de algum modo.

O Coronavírus está aí, mostrando baixa letalidade, mas alta disseminação. Devemos ter atenção especial também nesta guerra e não descuidarmos dela a despeito de outras consideradas mais graves. Se alguém disser que não devemos polemizar, ou nos desesperarmos com um possível contágio, aceite. Mas se disser que em outras guerras morre-se mais pessoas e que nesta, nossos problemas são menores, portanto, podemos deixar a preocupação de lado, lembre-se que uma vida perdida, quando próxima de nós, dói tanto quanto cem distantes.







domingo, 8 de março de 2020

SER MULHER


O que é ser mulher?

Mulher é essa palavra fértil, capaz de jorrar sangue e brotar a vida. Mulher é vir a ser o que sempre esteve lá sendo, mas nem sempre se soube que podia. Porque o vulcão não sabe da larva até explodir.

Eu sou mulher, obviamente, porque me tornei. Porque me basto. Mas quero companhia. Porque me acalmou. Mas quero revolução. Porque meus hormônios fervem por justiça e meu ponto G é G de Guerra e Girassol.

Sou mulher porque quase já não fui. Porque me tamparam a boca e me disseram que eu era frágil e eu quase acreditei. Porque aos 8 anos, me disseram "tadinha, como vai entrar na igreja sendo filha de uma mãe sem pai". Mas eu tinha pai. E mãe. E minha mãe me ensinou que meu templo sempre serei eu. Você que limpe os pés para entrar em mim! 

Sou mulher porque aos 15 anos me rasguei toda e só lá pelos 18 é que voltei inteira. Porque aos 23 fundei uma empresa e saí na coluna social. No mesmo dia que ele bateu a porta na minha cara e disse que só não me batia porque nem isso eu merecia. 

Sou mulher porque aos quase 30 chorei tão fundo, mas tão fundo que nem eu sabia que tinha tão fundo pra chegar! E depois dos 30 eu já gargalhei tão alto, mas tão alto que eu não sabia que podia ser feliz por tudo e nada. 

Sou mulher porque aos 40 descobri o orgasmo e abençoei meu clítoris por ser essa ponta do iceberg feito só pra me dar prazer. Sou mulher porque aos 50, 60 ou 70, quem sabe, quando minha idade já não for da conta de ninguém, mas ainda quiserem me contar em datas, eu descobrir que sou meu próprio tempo. Aliás, eu sou a Deusa Eternidade. 

Sou mulher porque faço ciência e lavo banheiro. Balanço a raba e dou meu peito pro menino parar de berrar. E dou meu dedo pro babaca parar de me encher. 

Sou mulher porque aprendi a reconhecer uma. Seja na menininha frágil que achou que ia morrer quando o namorado a abandonou, mas não sabia que era ali que estava se encontrando, se descobrindo. Seja no corpo que nasceu com pênis, mas sente e sofre como eu. E se quer me chamar de mana, é porque sua mana vou ser. 

Sou mulher porque as palavras me pertencem. E embora elas não tenham gênero, são femininas como minha alma. 

Sou mulher porque sou mais do que serpente seduzindo Adão. Sou Eva comendo a serpente , Adão e a maçã! Afinal, se sou mulher é porque sou gulosa. Sou mulher porque me deixo ser carente, independente, inconsequente e intransigente.... E tudo que tiver rima pobre e pose rica, porque eu não uso mais guardanapo para saborear a vida. 

O que é ser mulher? Você me perguntou... 
Eu quero é passar a vida descobrindo. Com minha mão em punho, meu seio aberto e minha voz nunca mais silenciada. 
Porque se sou mulher é porque aguento. Se sou mulher é porque posso. 

(Por: Samelly Xavier)

MUITO IMPORTANTE

           "De acordo com os dados mais recentes do DataSUS, do Ministério da Saúde, referentes a 2018, o País apresenta por dia ...

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