A infância é um momento interessante para todos os seres vivos. Momento em que a diversão e a despreocupação com o futuro são marcas constantes do cotidiano infantil. O aprendizado acontece com grande velocidade e acentuada precisão de acordo com os interesses principalmente dos pais. Mas acima de tudo isso, é um momento de descobertas.
Existe coisa melhor do que desbravar o desconhecido? Experimentar novas sensações e prazeres? Dar de cara com o incomum e ser apresentado a ele só depois do seu desfrute? Contemplar as belezas de um novo mundo, até então, inatingível, indescritível, inimaginável?
Tem gente que mesmo depois da infância não desiste de galgar caminhos que fascinam, exatamente pela falta de noção do que aparecerá do outro lado da curva. Mesclando boas e más descobertas, a vida vai ficando recheada de mistérios a serem decifrados, sabores a serem provados, aromas a serem desfrutados, lugares a serem conquistados e amores a serem experimentados de todas as formas e em todas as posições.
511 anos atrás, exploradores, aventureiros, conquistadores, ou o que sua mente quiser classificar, de acordo com o seu conhecimento de mundo (sem trocadilhos!), chegavam ao nosso país dispostos a colonizar/explorar, meio que “por acaso” e encantaram-se com as riquezas desse lugar acolhedor, ecologicamente preservado, com bastante água, tesouros escondidos e visíveis, e a partir de então, não havia mais como voltarem para as suas terras fracas, exploradas ao extremo, sem perspectiva de crescimento, sem preservação. Desenhava-se um novo mundo para os gananciosos, ambiciosos e outros perniciosos osos.
Não entraremos no mérito (ou demérito) da questão, o importante é que hoje moramos em uma nação cuja credibilidade é constantemente questionada devido ao forte apego que o povo brasileiro até hoje tem a este passado, cuja lembrança faz renascer em alguns decepção, em outros tristeza pela maneira como fomos colonizados e em mais alguns indiferença, afinal, já faz mais de meio milênio que o descobrimento aconteceu.
Eu, porém, quero olhar para trás apenas com a finalidade de entender certos dilemas pelos quais passamos hoje, imaginar que posso fazer de meu país um mundo novo no futuro de acordo com o meu presente. Posso garantir um Brasil diferente para meus filhos de acordo com as escolhas que faço no presente, não posso viver me queixando de que sou fruto de um passado de exploração sem limites para justificar meus atos de exploração do trabalho infantil, ou de um passado de escravidão, esquecendo-me da humilhação pela qual faço passar meus subalternos, ou viabilizar a minha corrupção, como sendo um retrato das corrupções que meu povo se sujeitou e se sujeita ainda hoje.
Eu tenho de pensar que serei culpado pelas mazelas do Brasil em 2012, 2022, 2100, etc. Quem faz um futuro melhor sou eu. Não adianta jogar a culpa nos que passaram, especialmente nos portugueses. Tentar compreender o passado para mudar o futuro deve ser o objetivo de todos os que de algum modo ainda tem um pouco de criança no seu viver e que procuram dessa forma descobrir mundos novos de encanto, magia, sobriedade, respeito e muito amor.





