Os absurdos nos acompanham todos os dias. Muitas vezes não percebemos, mas tudo aquilo que é destituído de sentido e de racionalidade tomam conta de nossa vida de tal forma que o imponderável passa a ser plausível e aquilo que antes sequer poderia ser pensado, atinge um nível de aceitabilidade impraticável pelos amantes do bom senso.
Quem nunca achou absurdo ver um pobre passar horas e horas dentro de um hospital esperando por atendimento médico? Investimentos estratosféricos em eventos como Copa do Mundo ou Olimpíadas e o saneamento básico da nação continuar em estado de calamidade em determinadas regiões do país? Tantos parlamentares com regalias múltiplas, enquanto o trabalhador formal perde direitos com reformas nada gentis...? E o absurdo do preço dos combustíveis? Da falta de reforma agrária e tributária?
Quantos ladrões de galinha são presos diariamente enquanto grandes reis do colarinho branco em Brasília nadam no dinheiro alheio? Quantos adolescentes se entregam à morte ao se envolverem com drogas ou com tráfico? Quantas crianças terão a sua infância violada, muitas vezes por parentes, para que a sociedade entenda a importância de se quebrar o silêncio e de se discutir em qualquer que seja o ambiente? Quantas mulheres aceitam os malefícios de uma má relação com seus companheiros, pelo medo da morte? Quanto esforço será necessário por parte do servidor público para que a população reconheça o seu valor?
Quando os professores serão efetivamente valorizados, seja pelo salário, seja pela sociedade? Com a aprovação da lei da mordaça? Com a gravação de imagens em sala para serem usadas contra ele, a partir da interpretação que os "paladinos da justiça" farão? Sendo taxados como doutrinadores, esquerdistas, ou comunistas? Existe a possibilidade de um país crescer, deseducando seu povo desse modo? Rejeitando livros, história, discussões embasadas e intelectualidade? Aceitando a violência, a intolerância e a truculência como meios para destruir atos violentos, intolerantes e truculentos? Tudo isso parece um absurdo, né? E é.
Brasil: O país dos absurdos...
