terça-feira, 28 de abril de 2020

LUTO





     Não há o que comemorar. O contexto é de luto. O retrato que vemos hoje revela, mas não ineditamente, o quanto nossa política está comprometida e pautada por muitos valores que não correspondem ao Estado Democrático de Direito. Manipulações em consonância aos interesses pessoais. Não há nada de novo sob o sol. No entanto, eis um cenário onde não cabe espanto: o caos que vivemos se prenuncia desde o pleito eleitoral, estava posto e claro. Pensaram com o fígado e continuamos padecendo. É hora da tomada de consciência e da responsabilidade na construção do cenário que temos hoje. Será que voltamos à pauta da autocrítica?

     Elegeram um candidato sem propostas, que vociferava raivosamente e, somente assim, deu vazão a um sem-fim de sentimentos represados que se materializou exclusivamente na oposição a um partido. Esqueceram que os problemas que há muito enfrentamos não podem ser explicados por siglas ou símbolos. São de ordem conjuntural, a história mostra. Em política, mais do que preferências, discute-se projetos. E, reitero, o projeto que se estabelece hoje se anunciou ontem.

    Do meu lugar de fé e fala, meu espanto aumenta quando olho a Igreja Evangélica Brasileira, que negociando sua identidade, cedeu o espaço do Evangelho de Cristo à uma bandeira humana. O apoio institucional, irrestrito e acrítico ao, até então, presidente lançou na conta dos protestantes um preço alto, um dia será cobrado. Que Deus tenha misericórdia! 

      Continuamos com uma igreja confusa de quem a chamou e para que a chamou e, agora, se debate para justificar os rumos que seu posicionamento toma diante do caos que está posto. A igreja milita e luta com a verdade, não há espaço para outra coisa senão a verdade, aquela que, conhecida, liberta, lembra?

    Vista-se de panos de saco e cinzas, dobrem os joelhos! Largue o bezerro de ouro, voltem seus olhos ao verdadeiro Messias: infalível, incorruptível e justo! A hora de clamar por misericórdia se faz urgente, mais do que quando as campanhas eclesiásticas levantavam uma bandeira partidária e um candidato. 

     Que entendam esta crise como a oportunidade de ajustar o foco. É inevitável lembrar de Stott quando pontua que “num mundo caído, nenhum programa político pode reivindicar ser a expressão da vontade de Deus”, a expressão da vontade do Senhor está em Cristo e este, por sua vez, é o firme fundamento da Igreja, ninguém mais. Não há outra causa. Não há outro Messias! 

    Que a essência do verdadeiro Evangelho seja retomada, que os valores de Cristo ecoem no coração, na mente e nas decisões; que o conhecimento profundo da Sua Palavra ajude a discernir que Mateus 5 vem antes de Marx. Encerro com o alerta de Stott “os cristãos devem ter o cuidado de não batizar qualquer ideologia política (de direita, de esquerda ou de centro) como se ela detivesse um monopólio de verdade e bondade”. 

     E, por fim, que tudo isso conduza a Igreja a se reencontrar com Cristo, seu alicerce!


(Por: Camila Matos)

segunda-feira, 27 de abril de 2020

A LEITURA NO LAR E NA ESCOLA



 1) A família e a formação de leitores
Acredito que é no lar que as coisas efetivamente acontecem. Projeções quanto ao futuro, sonhos, medos, anseios e conquistas são iniciadas dentro desse primeiro ambiente, e que em muitos casos, as pessoas levam para a vida inteira. Tendo essa lógica como princípio, penso que o estímulo a leitura precisa ser uma dádiva familiar para ter efeito na vida prática das crianças, tendo em vista que o ensino formal nem sempre obtém esse avanço. Despertar o gosto pela leitura começa a partir do instante em que o brilho nos olhos dos pais ao abrirem um livro diante das crianças é percebido. A leitura antes de dormir, o estímulo quanto à participação da criança na leitura do verbal e do não verbal, as reflexões debatidas com elas após lerem gibis, livros ou revistas mostram na prática o engajamento familiar com algo inerente não somente ao aprendizado das crianças, mas ao prazer em se sentir integrante do mundo das letras.

2) A importância da leitura Afetiva no meio familiar
Com a participação dos pais e com a vida prática dos mesmos no âmbito da leitura, as crianças tendem a desenvolver o hábito de ler e começam a desenvolver a capacidade de transformar senso crítico e diversão em companheiros inseparáveis. Os exemplos em casa, a partir das diversas demonstrações de afeto, transformam-se em fatores fundamentais para esse crescimento pessoal. A maneira carinhosa com que o mundo das letras é apresentado aos pequenos pode fazer com que o hábito se torne um prazer! Nesse momento, a criticidade alinhada à diversão não só preparam o leitor de base para o mundo que o cerca. Preparam para a vida, ajudando-o a perpetuar essa prática, especialmente dentro de seu círculo social. O livro, a princípio, deve ser apresentado ao pequeno como um brinquedo, um objeto de deleite para a criança que lerá não porque é importante , mas porque é agradável, estimulante e prazeroso.





3) Problemas nas práticas de Leitura na escola
É comum ouvirmos falar de alunos sendo penalizados dentro das escolas devido ao seu mau comportamento, com visitas indesejadas às bibliotecas. Muitas vezes os professores agem indevidamente, levando seus alunos a uma leitura despropositada, ou sem conexão com a vida dos mesmos, fazendo da mesma um castigo ou uma forma de ocupar o tempo deles e não percebe o quanto está estigmatizando esta prática, que ao invés de benéfica, traz malefícios incalculáveis. Encontrar a metodologia certa para estimular a prática não é tarefa fácil, mas é menos complicada quando em sua vida diária o professor adota a leitura não apenas como uma obrigação profissional, mas também como uma maneira de ser feliz. A escola é um campo privilegiado para o desenvolvimento da alegria da leitura. Muitas vezes é no ambiente escolar que novas descobertas surgem e novos conhecimentos abrem perspectivas para o futuro.


4) Possibilidade de atuação do professor na formação do leitor
É verdade que o sucesso no estímulo à leitura dentro do contexto escolar começa em casa. A base inicial para essa conquista é tornar a criança protagonista de sua própria vida como leitor, sem imposições ou associações indevidas com castigo, mas associadas ao amor. Por mais piegas que possa parecer, sem afetividade ou prazer, a leitura é vista pelos estudantes quase sempre como um fardo. Diante disso, o professor precisa considerar como um dever a criação de situações que façam com que a leitura seja incorporada à vida dos estudantes, estabelecendo um sentido pessoal para cada parágrafo lido. Já dizia Paulo Freire: "Um diálogo não pode existir, entretanto, na ausência de um amor profundo pelo mundo e pelas pessoas... Porque o amor é um ato de coragem, não de medo, amor é compromisso com os outros".  Portanto, para que o professor transforme seus alunos em bons leitores, ele precisa, sobretudo ter amor à leitura.

MUITO IMPORTANTE

           "De acordo com os dados mais recentes do DataSUS, do Ministério da Saúde, referentes a 2018, o País apresenta por dia ...

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