quinta-feira, 23 de maio de 2019

DESFILE


O amor requer privacidade, acolhimento, convívio, diálogo.

Coloque em dobro todas essas recomendações na hora de tratar com crianças esperando adoção. Elas são mais frágeis, já experimentaram traumas e conflitos familiares e dependem de passos firmes para fortalecer a sua estima. Não podem ser expostas ao sofrimento gratuitamente. Exigem a proteção incansável de seus cuidadores e de uma transição segura para um novo lar. 

Nada disso aconteceu em shopping de Cuiabá (MT), na terça (21/5). No evento Adoção na Passarela", crianças e adolescentes de 4 a 17 anos, aptas para a adoção, atravessaram a passarela em busca de famílias candidatas. 

Não há como entender os objetivos da Associação Mato-grossense de Pesquisa e Apoio à Adoção (Ampara) e da Ordem dos Advogados do Brasil do Mato Grosso (OAB-MT). 

Desde quando crianças são escolhidas pela aparência, pelos atributos físicos? Estão oferecendo modelos para interessados? Tem que ser bonito e desfilar para ser aceito? Tem que estar arrumado e ostentar figurino de grife? 

Elas querem pais, não empresários. 

Ideias, olhares, sonhos, palavras, ternura, alma não servem para coisa alguma? É o recado que está sendo dado? 

A exposição de meninos e meninas, com cabelo produzido e maquiagem, não tem graça. O desamparo não é um concurso de miss. A dor não é uma disputa de beleza. 

Meu impulso é chorar de raiva, jamais aplaudir a iniciativa. Corresponde a maltratar uma esperança já calejada, criar expectativas para uma finalidade equivocada, priorizar a futilidade e incentivar o descarte humano. 

Exibir órfãos a um desfile é erotizar o abandono, num movimento contrário às campanhas contra o abuso e a exploração de menores. É rasgar em pedacinhos o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e transformá-lo em confetes e serpentinas. 

É promover um leilão. É organizar uma venda coletiva. Em vez de roupas e produtos, é possível oferecer lances para levar vidas indefesas para a casa. 

Como se os pequenos fossem escravos. Como se os pequenos fossem obrigados a mostrar os dentes. Como se os pequenos fossem obrigados a rebolar, dançar e girar para atrair o interesse. Como se as nossas crianças fossem absolutos objetos de consumo. 

(Por: Fabrício Carpinejar - Publicado no jornal Zero Hora, GaúchaZH, 22/5/2019)

quarta-feira, 1 de maio de 2019

SONHOS


Neste dia do trabalho, momento difícil na atual conjuntura brasileira, em que a cada ano as coisas só se complicam pra o trabalhador, principalmente quando pensamos na reforma trabalhista já executada e na iminente reforma previdenciária, sem contar no corte de verbas para diversas universidades pelo país, está cada vez mais complicado ter esperança em dias melhores. Acreditar que algo será feito pelos trabalhadores, em especial os assalariados. O artista Sergio Ricciuto Conte enfatiza poeticamente que a única coisa que nos resta é sonhar...

"Sonha não ser demitido.
Sonha ser empregado com um salário melhor. 
Sonha ser empregado, com qualquer salário. 
Sonha não ter férias parceladas. 
Sonha ter férias, de qualquer forma que seja. 
Sonha que o sindicado funcione. 
Sonha que haja alguém que o defenda. 
Sonha que na hora de reclamar possa ser escutado. 
Sonha ter um ‘patrão’ mesmo que não possa nunca reclamar contra ele. 
Sonha ter aquele auxílio vale transporte, sonha que tenha transporte. 
Sonha ter sua opinião, sonha liberdade de opinar. 
Sonha trabalhar com que ama. Sonha sair da miséria. 
Sonha trabalhar. Sonha aposentar. 
A riqueza de um país não está em quem possui riquezas. 
Está em quem sonha."

MUITO IMPORTANTE

           "De acordo com os dados mais recentes do DataSUS, do Ministério da Saúde, referentes a 2018, o País apresenta por dia ...

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