terça-feira, 29 de setembro de 2015

ATEMPORAL




Nosso amor é atemporal.
Nós nos amamos, como dizia o saudoso poeta, "Desde os tempos imemoriais"!

Este sentimento nos acompanha desde o pretérito mais que perfeito, quando a inocência andava de braços dados com a curiosidade. Os casais apaixonados dessa nossa particular "Belle époque", percebiam em nós uma paixão avassaladora, capaz de traduzir por meio de profundas transformações novos modos de pensar e viver o amor. 

Hoje, continuamos abrindo este presente no presente, maravilhando a todos com um sentimento que de tão terno, causa inquietação em quem o estuda e fascinação em quem o observa de perto.

E no futuro, quando não estivermos mais aqui, tenho certeza que os frutos dessa união darão continuidade ao que foi registrado em seus corações, não apenas por meio de palavras, mas através de ações concretas. Subsistirão, portanto, toda abstração e subjetividade existentes na concretude desse atemporal sentimento: O Amor!  

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

É HOJE!

Se existe um dia para ser otimista, esse dia é hoje.
Se existe uma música para ser cantada, o dia de entoá-la é hoje.
Se existe um beijo a ser dado, que os lábios façam a festa hoje.

É hoje que os olhares devem se cruzar.
É hoje que as discussões devem cessar.
É hoje que as línguas precisam se encontrar.

Se há o desejo de abraçar alguém, isso deve ser feito hoje.
Se reconciliações precisam acontecer, que aconteçam hoje.
Se palavras mansas puderem abrandar o furor, que abrandem hoje.

É no hoje que residem as mais sublimes emoções, não no ontem.
É no hoje que nossos sonhos tornam-se realidade.
É no hoje que as melhores gargalhadas encontram-se depositadas.

Sem o hoje não haveria o outrora.
Sem o hoje não haveria razão para a expectativa.
Sem o hoje não haveria o presente.

Ainda há tempo de dizer as palavras que precisam ser ditas.
Ainda há tempo de limpar as lágrimas de quem se ama.
Ainda há tempo de afagar um animalzinho e de cheirar uma flor.

É hoje o dia de fazer o melhor amor já idealizado.
É hoje o dia de consertar o que se quebrou.
É hoje o dia de dizer não ao solitário desejo de ser único.

Hoje é o tempo de viver a inocência da infância.
Hoje é o tempo de sentir a maturidade nos atos.
Hoje é o tempo de estar mais junto a Deus.


sábado, 19 de setembro de 2015

A CORRUPÇÃO NO BRASIL


     
As pessoas felizes no Brasil são aquelas pessoas que acreditam profundamente (e são muitas pessoas que acreditam), que a corrupção está a cargo de um partido; as pessoas que acham que a corrupção está a cargo de um partido e que bastaria tirar esse partido do poder para que o reino da justiça e da igualdade se instalasse no país, são pessoas muito felizes, são pessoas que substituíram cultos como o do papai noel e do coelhinho pelo culto da corrupção is
olada, e quando eu digo isso eu não estou dizendo que um ou outro partido não são notáveis pela corrupção, estou dizendo aquilo que venho dizendo seguidas vezes em muitas manifestações, na televisão ou em textos, que a corrupção que Hamlet nota, começa no leito da sua mãe na Dinamarca, a microfísica do poder, a corrupção começa no andar pelo acostamento, a corrupção começa no recibo de dentista comprado pra entregar um imposto de renda, a corrupção continua no atestado médico falso entregue pelo pai para justificar o filho que apenas vagabundeou para a prova, a corrupção continua com o colega que na aula de ética, política e filosofia, assina a lista pelo colega, estudando Spinoza e a sua ética; a corrupção continua em todos os lugares e apenas numa ponta do iceberg como último elemento da corrupção ela chega a um partido, a um governo e a um poder, se a corrupção fosse de um grupo eu seria uma pessoa profundamente feliz, rejeitaria Hamlet, adotaria Paulo Coelho, seria uma pessoa absolutamente tranquila, porque a partir deste momento eu teria consciência que eliminando aquelas pessoas, que são do mal, eu estaria livre.


Por Leandro Karnal

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

AI, AYLAN...



     No dia em que ia morrer, Aylan Kurdi usava calças azuis e uma camiseta vermelha. A mãe deve tê-lo penteado, ainda que fossem poucos os fios, e tão finos. Agachando-se diante dele, ou segurando-o sobre os joelhos, amarrou-lhe os sapatos e fez, pela última vez, o laço. Aylan caminhou até o porto, com passinhos curtos, ou foi levado no colo? No colo, possivelmente - os braços envolvendo o pescoço da mãe, cabeça reclinada sobre o ombro dela - para não atrasar a marcha rumo à morte.
     Até ontem, o mundo não conhecia Aylan, sírio, três anos. Hoje, sua boca colada à areia, as mãozinhas com as palmas para cima, estampam jornais, deslizam nas telas dos computadores, se agarram à nossa retina.
      Ao contrário de outras dezenas (milhares?) que foram dar à praia, ou jazem do fundo do mar, de Aylan se sabe o nome, a idade, e que tinha um irmão, que também caminhou com ele (ou foi levado no colo, pelo pai) naquela madrugada, rumo ao porto. E esse nome o humaniza (dar nome a uma coisa é uma forma de amá-la). O corpo anônimo emborcado na praia é um ilegal, uma estatística - Aylan, sírio, três anos, trazido pelas ondas, é a criança que fomos, a que levamos ao pediatra, a que dorme no berço ao lado da nossa cama.
      A vida não foi cruel com Aylan. Poupou-o de morrer na guerra, entre poeira, gritos e estilhaços. De ser mutilado, ver a mãe estuprada, o pai degolado. Poupou-o da fome nos campos de refugiados. Poupou-o da longa jornada sobre os trilhos até ser barrado pelos soldados de Montenegro. Poupou-o das cercas de arame farpado da Hungria, dos caminhões frigoríficos da Áustria, das patrulhas da Inglaterra sob o Canal da Mancha - da polícia italiana, dos xenófobos franceses, dos neonazistas alemães.
      Em três, quatro minutos, a água salgada invadiu suas narinas, inundou seus pulmões. Nesses infinitos três, quatro minutos, procurou pela mãe, pelo braço do pai, sem entender porque o abandonavam. Então sentiu sonolência - e mar, mãe, medo se tornaram uma coisa só, depois coisa nenhuma.
     Aylan não sabia, naquela manhã, que era para a morte que o vestiam de camiseta vermelha e calças azuis. Na foto em que se deu a conhecer ao mundo, o Mediterrâneo, não a mãe, é que penteia seus cabelos.
     Não consigo fixar o olhar no seu rosto, nem me demorar nas suas mãos vazias. O que me afoga, junto com ele, com as esperanças de tantos que fogem como ele e ficam pelo caminho, são seus sapatinhos.

(Por Eduardo Affonso)

MUITO IMPORTANTE

           "De acordo com os dados mais recentes do DataSUS, do Ministério da Saúde, referentes a 2018, o País apresenta por dia ...

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