No Motel Diamante...
_ É muito bom estar com você de
novo!
_ Fazia quanto tempo que nós não
nos víamos?
_ Nem lembro mais. Valéria marca
sob pressão, você conhece sua amiga, né?
_ Ô se conheço! Quando éramos
pequenas nós vivíamos brigando pelo mesmo brinquedo! Ela sempre foi muito
ciumenta!
_ Imagina comigo! Desde o nosso
casamento que ela desconfia de que estou com outra. Já pensou? Logo eu? Rá, rá,
rá!
_ Nossa! Você é um poço de
fidelidade! Rá, rá, rá! Só sai comigo, né? Cuidado, bichinho...
_ Sou cauteloso, você não sabe?
_ Isso é verdade. Sempre que ela
tem alguma desconfiança, a primeira pessoa que procura sou euzinha aqui, sua
melhor amiga!
_ Coitada! Rá, rá!
Trim! Trim!
_ Esqueci de desligar o celular! É
ela! O que eu faço?
_ Volta pra cama.... Deixa tocar!
_ Não posso... Ela vai continuar
insistindo até eu atender!
_ Desliga, ora bolas!
_ Não dá! Aí é que ela vai
desconfiar e a vistoria vai ser grande em minha roupa!
_ Então atenda e diga que está
comigo no Motel, cara!
_ Calma, Diná, não é assim também
não! Parou. Graças a Deus!
Trim! Trim!
_ Droga! Nunca mais ela pegou no
meu pé... Era muito bom pra ser verdade!
_ Atenda e diga que faltam 35
minutos para sairmos daqui, ainda dá tempo de ir mais umazinha!
_ Deixa de brincadeira, Diná!
Opa... Parou de novo!
Trim! Trim!
_ Não aí já demais! Desliga essa droga
de celular!
_ Não, neguinha... Esse não é o
meu. Agora é o seu...
_ Xiiiii! É Valéria! Será que ela
está desconfiada de mim? Ai, ai!
_ E aí, vai atender?
_ É lógico que não, Suélio! Eu
não saberia mentir pra Valéria!
_ Ah, não? Então porque você não
conta sobre aquela posição... Como é mesmo o nome? Aquela que você fez comigo
ainda há pouco?
_Deixa disso, homem! O que é que
eu faço?
_ Eu já te disse... Ah, parou de
tocar. Ótimo! Vem cá que ainda temos um tempinho...
Trim! Trim!
_ Ah, não, Diná... Fica em
silêncio, vou atender e dizer que estou com o carro quebrado em um lugar muito,
muito distante, que o celular estava dentro do carro e vai descarregar, mas que
o mecânico já está chegando...
_ Boa ideia! Assim ela deixa de
nos importunar. Acho que não é nada, ela não veio chorar em meus ombros,
desconfiada de você nesses últimos tempos...
_ Deve ser dizendo que está me
esperando para o jantar! Faz silêncio, vou atender... Alô? Amor? Oi querida!
Estou com saudades! Olha, ainda vou demorar um pouco porque meu carro quebrou
no trecho Alamedes José com a XV de Novembro e estou esperando o mecânico vir consertar.
O celular estava dentro de minha bolsa no carro e eu não ouvi... Oi? Como?
Hum... Sei. Certo, certo...
Após alguns minutos...
_ E aí? Resolvido? Conseguiu
enganar a esposinha de novo, garanhão?
_ Não...
_ O que houve? Algum problema?
Ela desconfiou de sua história?
_ Não, não...
_ Então? O que ela disse que te
deixou assim tão pálido? Fala que estou nervosa!
_ Ela disse que saiu pra jantar
fora e ia demorar...
_ Ah, que alívio... Mas,
espera... Com quem?
_ Com você...

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