Acredito que é
no lar que as coisas efetivamente acontecem. Projeções quanto ao futuro, sonhos,
medos, anseios e conquistas são iniciadas dentro desse primeiro ambiente, e que
em muitos casos, as pessoas levam para a vida inteira. Tendo essa lógica como
princípio, penso que o estímulo a leitura precisa ser uma dádiva familiar para
ter efeito na vida prática das crianças, tendo em vista que o ensino formal nem
sempre obtém esse avanço. Despertar o gosto pela leitura começa a partir do
instante em que o brilho nos olhos dos pais ao abrirem um livro diante das
crianças é percebido. A leitura antes de dormir, o estímulo quanto à
participação da criança na leitura do verbal e do não verbal, as reflexões
debatidas com elas após lerem gibis, livros ou revistas mostram na prática o
engajamento familiar com algo inerente não somente ao aprendizado das crianças,
mas ao prazer em se sentir integrante do mundo das letras.
2) A importância da
leitura Afetiva no meio familiar
Com a
participação dos pais e com a vida prática dos mesmos no âmbito da leitura, as
crianças tendem a desenvolver o hábito de ler e começam a desenvolver a
capacidade de transformar senso crítico e diversão em companheiros
inseparáveis. Os exemplos em casa, a partir das diversas demonstrações de afeto,
transformam-se em fatores fundamentais para esse crescimento pessoal. A maneira
carinhosa com que o mundo das letras é apresentado aos pequenos pode fazer com
que o hábito se torne um prazer! Nesse momento, a criticidade alinhada à
diversão não só preparam o leitor de base para o mundo que o cerca. Preparam
para a vida, ajudando-o a perpetuar essa prática, especialmente dentro de seu
círculo social. O livro, a princípio, deve ser apresentado ao pequeno como um
brinquedo, um objeto de deleite para a criança que lerá não porque é importante
, mas porque é agradável, estimulante e prazeroso.
3) Problemas nas práticas
de Leitura na escola
É comum ouvirmos
falar de alunos sendo penalizados dentro das escolas devido ao seu mau
comportamento, com visitas indesejadas às bibliotecas. Muitas vezes os
professores agem indevidamente, levando seus alunos a uma leitura
despropositada, ou sem conexão com a vida dos mesmos, fazendo da mesma um
castigo ou uma forma de ocupar o tempo deles e não percebe o quanto está
estigmatizando esta prática, que ao invés de benéfica, traz malefícios
incalculáveis. Encontrar a metodologia certa para estimular a prática não é
tarefa fácil, mas é menos complicada quando em sua vida diária o professor
adota a leitura não apenas como uma obrigação profissional, mas também como uma
maneira de ser feliz. A escola é um campo privilegiado para o desenvolvimento da
alegria da leitura. Muitas vezes é no ambiente escolar que novas descobertas
surgem e novos conhecimentos abrem perspectivas para o futuro.
4) Possibilidade de
atuação do professor na formação do leitor
É verdade que
o sucesso no estímulo à leitura dentro do contexto escolar começa em casa. A
base inicial para essa conquista é tornar a criança protagonista de sua própria
vida como leitor, sem imposições ou associações indevidas com castigo, mas
associadas ao amor. Por mais piegas que possa parecer, sem afetividade ou
prazer, a leitura é vista pelos estudantes quase sempre como um fardo. Diante
disso, o professor precisa considerar como um dever a criação de situações que
façam com que a leitura seja incorporada à vida dos estudantes, estabelecendo
um sentido pessoal para cada parágrafo lido. Já dizia Paulo Freire: "Um
diálogo não pode existir, entretanto, na ausência de um amor profundo pelo
mundo e pelas pessoas... Porque o amor é um ato de coragem, não de medo, amor é
compromisso com os outros". Portanto,
para que o professor transforme seus alunos em bons leitores, ele precisa, sobretudo
ter amor à leitura.




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