segunda-feira, 29 de abril de 2013

CASO ZYAH


    Será possível alguém amar duas pessoas ao mesmo tempo ao ponto de não saber que posição tomar diante desse impasse? Será que algo tão poderoso como o amor pode nascer e desenvolver-se profundamente como obra ora do acaso, ora do destino, ou nós temos como interferir na força incontrolável desse sentimento? Será possível que um indivíduo em pleno domínio de suas faculdades mentais seria capaz de deixar aquele mundo idealizado em sonhos de infância, prestes a vivenciá-lo na vida adulta, para aventurar-se por um novo e desconhecido mundo, repleto de surpresas e imprevisíveis acontecimentos? 

    Dizem por aí que o amor é um sentimento que deixa a humanidade inebriada e enfeitiçada, totalmente impotente diante da força que exerce sobre todos os que se deixam dominar por ele. Isso pode ser considerado maravilhoso quando ao viver em uma sociedade monogâmica, o indivíduo apaixona-se por uma única pessoa, mas quando uma terceira pessoa é inserida, uma crise passa a ser desenvolvida, principalmente quando a falta de coragem para assumir ou para tomar posição apodera-se da pessoa. 

    Antes de mais nada, precisamos entender que amar alguém e estar envolvido em um relacionamento amoroso não são a mesma coisa. O ser humano difere dos animais no quesito sexualidade porque vivemos em um mundo repleto de convenções sociais, que dependendo da cultura, da época ou da sociedade em que se vive, o número de parceiros pode mudar. Os animais têm a sexualidade regulada por instintos exclusivamente, no caso do homem, há complicações. Além dos instintos, nós possuímos uma consciência capaz de regular o nosso comportamento erótico. 

    
O personagem de Domingos Montagner (Zyah), na novela global das 21 horas “Salve Jorge”, é casado com Ayla (Tania Khallil), com quem vivia um relacionamento relativamente sólido até reencontrar uma antiga namorada por quem ainda está apaixonado: a deslumbrante Bianca (Cleo Pires) e precisa decidir com quem ficará, embora queira as duas. O caso vivido no mundo fictício da telinha é, na verdade, muito mais comum na vida real do que se imagina. Quantas pessoas não já viveram situação semelhante? Quantos não já se encontraram na situação difícil de ter de escolher um em detrimento de outro, seja no namoro, no noivado ou no casamento? Convenhamos, esta é uma tarefa bastante difícil, né? 



    De acordo com o Grupo de Aprimoramento Junguiano sobre Questões Amorosas, da Clínica Psicológica da PUC/SP, a sociedade ocidental de uma maneira geral pode controlar seu comportamento relacionando-se emocionalmente com uma pessoa apenas. Isso, porém, não impede que se possa desejar outra pessoa, afinal, o desejo erótico é incontrolável. Nem por isso somos forçados a sucumbir toda vez que nos sentimos atraídos, uma vez que a construção de uma relação exige foco e energia. Compreender que o sentir não é construído, mas que a relação é, torna-se aqui, fundamental. 
    


    Saber que o amor, a paixão e o sexo têm movimentos próprios e que são ilimitados potencialmente, além de não se subordinarem às conveniências e nem à vontade, é algo importante quando se quer encarar o dilema do amor por duas pessoas ao mesmo tempo com mais segurança e menos dúvidas. A questão ética com que se tem que lidar ao viver em um mundo monogâmico tem de ser levada em consideração, pois haverá um conflito entre os sentimentos de quem diz que ama duas pessoas e os sentimentos das pessoas amadas. “Sua decisão não poderá excluir nenhuma das partes e vai envolver algum nível de sacrifício e comprometimento com as consequências da escolha. Poderá permanecer monogâmico ou relacionar-se com ambos os parceiros, (ou com nenhum) desde que pague o preço.” Diz o grupo. 

    E então, Zyah deve ficar com Ayla ou com Bianca?



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