sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

SONHOS E ACORDES

Sonhei que caminhava certo dia por uma pauta. Isso mesmo, uma pauta musical! Nos acordes das mais variadas canções dos anos 80 e 90 solfejava harmoniosamente músicas que marcaram minha infância e adolescência, em cujas letras meus sonhos mais puros eram embalados. Saltitava por sobre breves e semibreves e à medida que o compasso das canções ia mudando, acompanhando o novo ritmo proposto pelos mais diversos compositores de renome nacional e internacional, minha mente e meu coração buscavam a mesma afinação...
As situações, as pessoas, os relacionamentos, os fatos que marcaram a sociedade brasileira de um passado não tão distante retratados em notas musicais! Pude contemplar, admirado, cantores entoando notícias, revoltas e paixões, ouvi verdades sendo ditas ao microfone, rimas ricas em claves de sol, descrevendo a pobreza social e as mazelas de nosso povo. Percebi verdadeiras revoluções sendo iniciadas do outro lado do “Dó, ré, mi”...
O nível das músicas, a elegância das vozes, o sentido de cada letra dispostos simbolicamente em cinco linhas representava uma realidade intelectual pouco valorizada em nossos dias. A moral jamais desmoralizada através da “primeira arte” e o preciosismo das divisões de vozes permeavam meus passos pela partitura do tempo. Então comecei a cantar também. Da minha boca saíam apenas melodiosos “lá, lá, lás”, como sinal de que essa linguagem perpassaria os umbrais temporais das canções retrógradas, ao acordar.
De repente, não mais que de repente LEPO! LEPO! Acordei e caí da cama. Um som altíssimo do vizinho tocava músicas de procedência e de admiração duvidosas que me faziam voltar à realidade pós moderna... “Mas que pena, eu acordei e já não estava ali. E do sonho restou a canção que eu não mais esqueci: Lá, lá, lá...”


Nenhum comentário:

Postar um comentário

MUITO IMPORTANTE

           "De acordo com os dados mais recentes do DataSUS, do Ministério da Saúde, referentes a 2018, o País apresenta por dia ...

Pesquisar este blog