Certa vez, diante das dificuldades que a falta de visão pode proporcionar na vida de uma pessoa, um homem acordava em uma manhã de sol e seguia a sua triste sina de ser subjugado pelos grandes da época, pela sua marginal situação. Mal sabia que aquele não era um dia comum. Ele teria contato com uma pessoa diferente, que o trataria de um modo nada convencional, mas que traria para os seus futuros dias, um novo horizonte de luz, cor e beleza imensuráveis. O cego dessa história só tinha uma chance de mudar seu destino e era por meio de um milagre.
Jesus estava no último ano do seu ministério e não podia perder a oportunidade de transformar mais uma vida desgraçada pelos preconceitos, muito mais do que pela limitação física. E assim o fez. Aquele pobre homem foi levado aos pés do Salvador e como quem se sustenta na única chance de sua vida de poder ver o mundo "com outros olhos", recebeu do Mestre a cura tão esperada, mas com uma forte dose de excentricidade: Jesus curou o cego com cuspe!
Não havia uma outra forma de levar os olhos daquele homem à luz? O Senhor não podia ter apenas falado, como fez com Bartimeu? O simples toque dos seus dedos nos olhos do rapaz não seria mais, digamos... limpo e higiênico?
A verdade é que Jesus veio para mostrar que valia a pena andar na contramão do mundo; que o servo não era maior que o seu senhor; que as mulheres mereciam respeito; que os maus e fracassados deveriam ter uma nova oportunidade de serem ressocializados; que os preconceitos deveriam ser combatidos; que a face da direita deveria ser dada, ao invés do revide por uma ação indesejada contra a face da esquerda; que o que era de César tinha de ser devolvido a ele, de maneira extremamente politizada; que o altruísmo, através da distribuição de alguns pães e peixes, seria o suficiente para acabar com a fome de multidões; que as crianças eram exemplos a serem seguidos pelos adultos na caminhada rumo ao céu; que palavras brandas poderiam sempre ser ditas como modo de acabar com as crises sociais e que uma cuspida...uma cuspida! Quando dada pela boca certa, da forma certa e com propósitos certos podem mudar o mundo!
Que pena que ao longo dos séculos o ato de cuspir nunca mais tenha sido feito pela boca certa, da forma certa e com propósitos certos...

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