Um jovem me pergunta se eu, não sendo marxista, recomendaria ler Marx. Acho a pergunta espantosa. Claro que sim! Marx é uma fonte para o pensamento ocidental. "Ah, mas eu não gosto do socialismo!" Sem problema, o pensamento e a história do ocidente vão um pouco além do seu gosto. "Mas o marxismo embasou regimes autoritários". Sim e a Bíblia foi usada pela Inquisição e Adam Smith foi usado pelos imperialistas em genocídios na África. EXATAMENTE porque pessoas se apropriam de uma fonte importante como a Bíblia ou Marx, que ela deve ser estudada. Em 1980, uma parte expressiva da humanidade vivia sob regimes que invocavam Marx como base. Isso torna o filósofo alemão insuperável. Quase à mesma época, Ronald Reagan e Margaret Thatcher faziam políticas que dialogavam com Adam Smith e outros autores liberais. Isso é um autor base: ficamos comentando séculos e fazendo coisas em seu nome (na maioria das vezes de forma equivocada...)
Estudar não é encontrar o mundo que eu concordo, as ideias que apoiam meu universo, autores que confirmam o que eu já sei. Estudar é expandir, entrar em contradição, pensar, buscar os limites de cada pensamento. Estudar não é abrir um espelho para seu rosto ser contemplado no seu esplendor, mas uma janela para sua mente olhar mais longe e além do seu mundo. Pensamento crítico abomina dogmas. Se você faz um curso de humanas e ainda não leu Agostinho, Marx, Smith, Mill etc está fazendo um caminho equivocado. "Ah, professor", ouvi certa vez, " eu não acredito em Deus e serei obrigado a ler a Cidade de Deus, de Agostinho?". Santo Narciso! A cristandade medieval vai desaparecer, a doutrina da graça deixará de existir e Lutero nunca fará sua obra porque você, no seu quarto de uma cidade periférica do mundo B de uma rua anônima deixou de acreditar em Deus! Chama-se história geral a disciplina, não história do meu narciso e sua importância para definir o globo terrestre. Menos narciso, mais humildade e, acima de tudo, mais leitura!
(Por: Leandro Karnal)

Nenhum comentário:
Postar um comentário