quarta-feira, 28 de novembro de 2018

PERDENDO TEMPO

     
   Enquanto isso, a água continua escassa, a fila do hospital aumenta, o desocupado continua ocioso esperando na esquina uma vacilada para se dar bem. 
   Enquanto isso o mar não está mais pra peixe pela poluição da água. A motosserra trabalha sem hora extra, derrubando o que era pra ficar de pé. Falta farinha, perde-se o feijão porque não choveu o suficiente. 
   Enquanto isso, a violência toma conta da escola, e a gente não encontra respostas nos livros, nos consultórios ou nas religiões. Enquanto isso aparecem prédios no lugar de flores, tornando as sombras escassas. 
  Enquanto isso, dispensamos a nossa capacidade cognitiva de respeitar a diversidade e seguimos preconceituosos. Fazemos de conta que o nosso latifúndio pessoal merece mais flores do que o restante do mundo.
   Enquanto isso enxotamos a credibilidade da bondade inerente ao ser humano. Enquanto isso os juros sobem, a honestidade cai, a sensibilidade desaparece, o respeito toma ônibus só de ida, a certeza fica cheia de dúvidas, a mentira encurta mais as pernas e a verdade parece tão longe dos simples mortais. 
  Enquanto isso pedimos desculpas por não resistirmos a tentação em dar o jeitinho para nos beneficiar. Enquanto isso reclamamos do erro dos outros mortais. Culpamos quem não sabe se defender. Fingimos a solidariedade que não temos.
   Enquanto isso a vida continua dura. A luz encarece, o telefone fica mudo, o trânsito mais caótico, o stress toma conta, o tempo fica escasso, as prioridades mudam, as tentações consumistas atacam e o cartão vai ao limite.
  Enquanto isso a fidelidade é adulterada por conceitos modernos e as derrapadas afetivas são consideradas burrices da vida.
    Enquanto isso a bolsa cai, a saia sobe, o emprego some, o dinheiro acaba, as preocupações fazem rugas fenomenais e insistimos em chover no molhado.
     Enquanto isso o sol brilha lá fora sem precisar ninguém interferir. A chuva cai quando ela decide. E o relógio trabalha gratuitamente.
    Enquanto isso precisamos encurtar a distância entre o que a nossa alma se tornou e o que ela de fato deveria ser. Enquanto isso, a felicidade fica reduzida a bonitos poemas.

(Por: Ita Portugal)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

MUITO IMPORTANTE

           "De acordo com os dados mais recentes do DataSUS, do Ministério da Saúde, referentes a 2018, o País apresenta por dia ...

Pesquisar este blog