
Você já nem deve lembrar, mas na
quinta passada eram 5.901 mortos. Os números vão aumentando desse jeito, cada
vez mais rápido, vão dando saltos. E vai todo mundo se acostumando, porque são
números. Um número muito grande de mortes de repente num desastre sempre
assusta. As pessoas levam um baque. Morreram mais de 250 pessoas em Brumadinho...
É uma tragédia! Nos Estados Unidos, em 2001, morreram quase 3.000 nos atentados
do 11 de setembro. 3000 assim, de repente. Mas quando as mortes vão se
acumulando ao longo de dias e de semanas como acontece agora na pandemia, esse
baque se dilui e as pessoas vão perdendo a noção do que seja isso: 8 mil vidas
acabaram. Eram vidas de pessoas amadas por outras pessoas, pais, filhos, irmãos,
amigos, conhecidos. Aí o luto dessas tantas famílias vai ficando só para elas,
porque as outras pessoas já não têm nem como refletir sobre a gravidade dessas
mortes todas, que vão se acumulando todo dia, todo dia... Hoje são 8500, amanhã
a gente não sabe. Quando é assim, o baque só acontece quando quem morre é um
parente, um amigo, um vizinho ou uma pessoa famosa...
(W. Bonner – JN 06/05)
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