Como a música é fascinante! Ela nos faz viajar no tempo e reviver emoções passadas que até um segundo antes de ouvirmos seus primeiros acordes, por algum grande mistério da vida, estavam guardadas em alguma gaveta do nosso subconsciente.
É tão bom saber que esta chave consegue abrir gavetas, portas e janelas deixando escancarados medos, angústias, felicidades, paz, terror, alucinação, saudade, fogo, paixão, despertando nossos instintos mais primitivos e nos proporcionando o usufruto de todas as sensações vividas em outros tempos, em outras idades...
Ao ouvir a música “You and I”, de Kenny Rogers, recordo-me do tempo em que fiquei “sozinho” em casa e minha mãe no hospital. Quanta tristeza e saudade naquele coraçãozinho infantil! Quase não podia conter minha emoção todas as vezes que a ouvia novamente. Assim fui crescendo, com a idade veio a maturidade e a impressão de que realmente as coisas velhas tinham ficado presas em fotografias. Pura ilusão!
Senti-me novamente aquela criancinha de quatro anos, com medo da solidão e com o profundo desejo de ter perto de mim quem tanto amo. Novamente a história se repetiu: minha mãe de novo no hospital, desta vez não vinha uma nova vida a este mundo como na minha infância, agora era a vida dela que eu queria de volta a minha e aquela música orquestrou as lágrimas que de minha face escorriam de novo.
Quantas vezes a música foi docemente letal para mim... Meu pai me dá sempre um novo abraço a cada nota das canções que ele curtia e que pelos meus ouvidos faz a projeção do seu retorno e de um contato transcendental entre seres viventes em mundos diferentes. Eu, neste mundo de dores e de batalhas constantes pela sobrevivência e ele no reino do silêncio, embora fale comigo pelas músicas que nos marcaram tanto.
Ah... paixões também fazem das letras e poesias cantadas um momento de antológico contato com a palpitante dimensão de amores ou sentimentos passados, que como um deja vu refaz os pedaços de um encantador coração adolescente preso dentro de um velho e calejado peito.
Não posso esquecer de mencionar o melhor momento musical que uma pessoa pode passar: o momento do louvor. Mais que palavras entoadas com ritmo de elevação do nome do nosso Criador ao ponto mais alto da nossa curta existência sobre a terra, é a sublime demonstração de gratidão pela grandiosa oportunidade de nos aproximarmos cada vez mais do Senhor do Tempo e da Música: Jesus Cristo...

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