Ser romântico é saber escrever um livro contando uma
história de amor antes mesmo que ela exista, pelo simples fato de acreditar na
subjetividade de uma frase aparentemente despretensiosa, proferida pelos lábios
carnudos e tentadores de uma bela espécie do sexo oposto (ou como é moda
ultimamente, até mesmo se for proferido por alguém do mesmo sexo, sabe-se lá
das preferências da pessoa!), mas acima de tudo é conseguir ouvir música em
meio a flertes públicos, afagar com o coração a outra pessoa, se divertir com
as diversas formas de expressar carinho, sonhar acordado e sublimar esse sonho
em letras, versos, acordes ou suspiros...
Pobres dos não
românticos. Acredito que um dia essas ásperas representações humanas não
encontrarão mais seu espaço na sociedade, haja vista que as condições naturais
de relacionamento exigirão em pouco tempo uma totalidade de reações químicas
efervescentes mais efusivas e explosivas. Os frios atos ficarão relevados ao
limbo dos marginalizados emocionalmente e aqueles que ainda encontram nos dias
atuais algum tipo de admiração por seu sex appeal desprovido de demonstração de
sentimentos, não serão mais valorizados.
Quem consegue
ver beleza no canto dos pássaros? No perfume das flores? No sorriso de uma
criança? Numa comida suculenta? Certamente você dirá: o romântico...Eu digo:
Não! Qualquer pessoa em sã consciência vê beleza nisso tudo. Quero ver alguém
perceber beleza no canto desafinado de um cantor de banheiro, na “fragrância”
de uma tagetes minuta, conhecida
popularmente como “flor de defunto”, no sorriso desdentado de um pobre morador
de rua, no limpar de um bumbum de criança após uma nada sutil diarréia...
Ver
beleza na adversidade, não sentir vergonha de ser chamado de piegas e conseguir
expressar os sentimentos de maneira terna e carinhosa, além de mostrar a sua
visão particular do mundo ao redor de maneira poética, revela o forte desejo de amar calado "como quem ouve uma sinfonia de silêncio e de luz". Isso é o que se conhece como
romantismo. Puro, limpo, sincero, musical, sonhador, abstrato e eterno.

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