quarta-feira, 28 de março de 2012

AH, MILLÔR...


     
     
Quando pequeno, tive meu primeiro contato com Millôr Fernandes através do meu pai, leitor assíduo da revista Veja, em cuja seção semanal este grande escritor deixava as suas impressões sobre o mundo ao seu redor, com crônicas de humor refinado e inteligente. Lembro-me que não entendia quase nada do que ele escrevia, mas desde a tenra idade sabia que eram muito agradáveis seus escritos devido ao forte som das gargalhadas do meu pai, enquanto segurava a revista alegremente. Eu pensava: “Como meu pai pode se divertir tanto com palavras tão sem graça?” mal sabia que o grau de maturidade das pessoas deve acompanhar o nível intelectual de determinadas piadas, não o contrário.

Millôr Viola Fernandes (16 de agosto de 1923 - 27 de março de 2012) foi um cartunista, jornalista, cronista, dramaturgo, roteirista, tradutor e poeta brasileiro.Nasceu no Rio de Janeiro, em 1923 e toda a sua vida foi voltada para as artes em suas mais divertidas formas, texturas e cores. Ao passo em que se preocupava com detalhes da vida dos brasileiros, procurava com otimismo e uma certa dose de malícia e de ironia retratar fatos do cotidiano com alfinetadas apimentadas nos responsáveis pelas mazelas do país.


Após a morte de Chico Anysio no último dia 23 de março, nos sobreveio neste dia 27 uma nova tragédia no âmbito do humor inteligente e da audácia em questionar o inquestionável, priorizando o sorriso, mesmo com tantas lágrimas.


Sempre com o espírito crítico apurado e com o domínio correto das palavras, Millôr procurava mostrar que havia uma luz no fim do túnel, mesmo no mundo político, fortemente marcado por corrupções e por piadas sem graça (o piso salarial do professor é uma palhaçada e a falta do cumprimento do mesmo também não tem graça nenhuma, só pra citar um exemplo). “ Democracia é quando eu mando em você, ditadura é quando você manda em mim.” foi uma das suas frases célebres.

Penso se não existe uma conspiração no mundo sobrenatural contra a alegria do povo brasileiro, pois foram duas perdas irreparáveis no mesmo mês, separados por apenas quatro dias... É, acho que não dá pra rir mais da mesma forma como ríamos antes, porque um bom pedaço do humor que tínhamos até o mês de fevereiro, se foi com mais este gênio das artes risíveis.
                                                 
        






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