Independência e Liberdade são vocábulos relativamente distantes no dicionário, mas dá pra perceber que existe uma íntima relação entre os dois no significado e na definição um do outro. Não dá pra falar em independência sem falar em liberdade e vice-versa.
Segundo o dicionário: “Independência é a desassociação de um ser em relação a outro, do qual dependia ou era por ele dominado. É o estado de quem ou do que tem liberdade ou autonomia.
Faculdade de fazer ou de não fazer qualquer coisa, de escolher. Direito que o homem tem por natureza de agir sem qualquer constrangimento externo. Liberdade de opinião, de pensar, direito de exprimir cada um seus pensamentos, suas convicções. Direito concedido aos indivíduos de deliberar sobre assuntos de sua preferência em um lugar franqueado a todos, sem necessidade de solicitar autorização prévia. Livre arbítrio.”
Como se comemora o Dia da Independência aqui no Brasil? Afinal, este é um lugar “onde nunca os humildes são ouvidos e uma elite sem Deus é quem domina, que permite um estupro em cada esquina e a certeza da dúvida infeliz, onde quem tem razão baixa a cerviz e massacram - se o negro e a mulher, pode ser o país de quem quiser, mas não é, com certeza, o meu país.”
Na realidade, a comemoração deveria estar baseada na proclamação da felicidade por estarmos gozando de uma liberdade outrora a nós negada. Mas, que liberdade? Não quero aqui reproduzir discursos, fingir que está tudo bem, negando o que os nossos olhos vêem, ou deixar de ser patriota por isso, quero apenas propor reflexões sobre a liberdade, utilizando os escritos de Luis Fernando Veríssimo no seu livro de crônicas “Em algum lugar do paraíso”, na página 181:
“É livre quem pode fazer o que quiser — dentro das suas limitações de espaço, tempo, energia e recursos. Só se é livre dentro de certos limites. Portanto, toda liberdade é condicional.”
“Alguns são obcecados pela liberdade e prisioneiros da sua obsessão.”
Diante do exposto, novamente questiono: Quem, no mundo, é verdadeiramente livre? Quem tem plena autonomia sobre os seus atos para fazer o que quiser, com quem quiser, quando quiser e onde quiser? Quem pode decidir se deve ou não ter responsabilidade sobre determinada coisa?
É fácil criticar o Brasil pela corrupção latente, pelos estrangeirismos, inclusive da nossa língua, da falta de políticas públicas eficazes para a juventude, pela necessidade urgente da Reforma Agrária, de uma melhor distribuição de renda e de maior valorização da educação... Todo mundo fala assim e é reverenciado por isso. Difícil é falar que admira a terra pelas boas músicas que ainda existem por aqui, pela sua gente hospitaleira e sorridente, que mesmo em face dos graves problemas sociais, ainda consegue fazer festa e ser feliz, pelas diversas modalidades esportivas, que pelo fato de ter pouquíssimo incentivo de quem deveria ter (se comparado a outras grandes potências mundiais na área, como Jamaica e Cazaquistão) ainda se destaca em muitos momentos no cenário mundial, pela sua rica cultura, entre outros.
Isso se chama: Independência filosófica e liberdade de expressão! Entretanto, “Toda liberdade é relativa. Verdade exemplarmente ilustrada por este diálogo entre o preso e o carcereiro.
— Nunca mais vou sair daqui.
— Calma. Não desanime.
— Não tem jeito. Estou aqui para sempre.
— Vou ver o que posso fazer por você -
— Não adianta. Estou condenado. Desta prisão eu não saio. Se esqueceram de mim.
— Eu não esquecerei. Voltarei para visitá-lo.
— Promete? — diz o carcereiro.”
Quer começar a comemorar a independência? Comece livrando-se de rótulos e usufruindo de tudo o que seu país tem de bom para lhe oferecer, inclusive a possibilidade de discordar de textos como esse.

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