Por
que existem inúmeras pessoas que se dedicam tanto a um time de futebol, se não
há retorno de nenhum tipo para elas? O que leva alguém a brigar, desistir de
fazer outras coisas para ir a um estádio, ou simplesmente ficar em frente a uma
TV por pelo menos duas horas, gritando, esbravejando, chorando, rindo ou
comemorando, vendo 22 caras correndo atrás de uma bola?
Pode
ser o puro desejo de sentir parte de um mundo mais amplamente visualizado. A
sensação de fazer parte de um grupo, grande ou pequeno, muito ou pouco
conhecido, mas que de alguma forma, em um dado momento está chamando a atenção.
Considera a vitória do “seu” time, uma vitória sua! Talvez tenha poucas
conquistas pessoais na galeria da sua medíocre história e procure misturar a trajetória
de um time com a sua, para poder dar um pouco de sentido e de valor aos seus
melancólicos dias sobre a terra.
Torcer
por um clube desperta ao mesmo tempo o desejo inconsciente que a maioria das
pessoas tem de encontrar em algo ou alguém, de maneira explícita ou implícita,
a oportunidade de veneração, de exaltação e de idolatria. Um time de futebol é
um ótimo caminho para essa necessidade humana, porque tem representatividade,
tem notoriedade e independente de suas vitórias, tem seguidores, fanáticos ou
não.
A
vida sem sal, sem graça e sem perspectiva de alguns é preenchida pelo futebol,
que não exige inteligência do torcedor, não espera esforço de ordem intelectual
para provar que time A ou time B é realmente o melhor, pode ser assunto de
rodas de conversa em praticamente todos os lugares reais ou virtuais (bares,
esquinas, casas de parentes, restaurantes, feiras livres, igrejas, redes
sociais, blogs...)
O
futebol tem esse poder: Você, um pacato cidadão que professa ter idéias
próprias e não se vender ao consumismo desenfreado ou inconseqüente fortemente
influenciado pela televisão (Veja bem, estou falando de todas as emissoras que
trabalham também com futebol, não apenas a uma, como os falsos moralistas
tentam pregar por aí... Putz!), de repente se vê fortemente tentado a comprar
uma camisa oficial do seu time do coração, ainda que custe 300,00! (Pra família
às vezes fica faltando até o que comer ou vestir por falta de recursos
financeiros...)
Se
sentir importante quando se trata de futebol não acontece exclusivamente com
quem é a favor do esporte. Tem gente que se sente mais valorizado falando mal
dele. Não pretendo aqui chamar atenção pra mim quando falo sobre tal assunto,
mas chamar a atenção para o fanatismo exacerbado de quem é contra ou a favor de
um time, ou de quem é contra ou a favor do futebol, mas que age sem controle,
sem responsabilidade (quem disse que não se pode ser responsável quando se
trata de entretenimento?) e sem respeito.
Se
através do futebol você consegue se sentir parte integrante do planeta,
independente de quão invisível você possa ser; se a única chance que lhe surge
na vida de “zoar” o seu chefe sem riscos de demissão sumária é quando o seu
time supera o dele; se torcer não te afasta das pessoas e não te deixa
constrangido em reuniões familiares, nem te impede de ter uma vida social
sadia; se na torcida apaixonada pelo seu time tal esporte te deixa mais feliz e
completo... Por que não?
O
retorno que muitos não fanáticos recebem ao torcerem pelos seus times vai muito
além de questões financeiras ou ideológicas, às vezes a simples lembrança de
seu pai vestido com as cores de um determinado clube, pode ser a força motriz
que te conduz a gritar apaixonado: “Goooooooooooooool!!!!”
Já
pensou nisso?
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