O mundo curvilíneo das ideias, os elementos abstratos dos edifícios surgidos da fertilidade criativa de uma das maiores mentes da arquitetura mundial ficaram essa semana sem seu maior representante. O legado deixado no planeta arquitetônico no último século por Oscar Niemeyer leva-nos a refletir sobre a nossa própria vida. Quão curvilínea e com formatos arredondados ela está sendo atualmente? Será que o mundo tão pré-definido, quadrado ou retangular, certinho do ponto de vista geométrico, concreto ideologicamente, mas imperfeito nos acabamentos, serão suficientemente capazes de nos fazer felizes?
Todos sabem da importância matemática na construção de qualquer empreendimento, seja ele de que tamanho for, mas esquecem que na vida pessoal, na tomada de decisões a que todos os dias somos submetidos e na elaboração de um futuro promissor, a beleza e o encantamento dos pormenores, que curiosamente não necessitam de tanta análise criteriosa dos prós e dos contras, mas da sensibilidade, da criatividade, da inovação e da visão, são os elementos que abrilhantam e que fazem a diferença em um mundo tão igual.
Vale a pena dedicar um pouco de nossa curta existência nessa terra (Sim, não pense que você chegará facilmente aos 104 anos, não!) ao balanço suave das curvas da estrada, aos formatos femininos do passeio público, musicalizados por uma bossa nova sempre atual, desafiando as linhas retas do nosso tempo, numa busca incessante pela inovação. Essa inquietude diante do comum deve ser inspiração perene na construção de um futuro melhor e mais belo.
Niemeyer conquistou tudo isso nos seus quase 105 anos. Como ele mesmo dizia: " A vida nos leva pra onde ela quer, cada um vem, escreve a sua historinha e vai embora. Não vejo segredo em levar a vida." O fato é que as histórias mais empolgantes e marcantes que ficam registradas nos livros humanos são aquelas em que são escritas com certa dose de poesia, talento para fazer diferente e coragem para desde a fundação até o último andar da nossa existência, desafiarmos os pensamentos contemporâneos, projetando com beleza e harmonia, obras que nem o tempo, nem as retas perfeitas jamais poderão questionar.

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