sexta-feira, 22 de março de 2013

SOBRE VOCAÇÕES



   Hoje pela manhã ouvi minha filha de 3 anos gritar: “Olha a comida recheada!” enquanto carregava brinquedos simbolicamente transformados em alimento, muito real na sua imaginação infantil e pus-me a questionar sobre os planos que os pais fazem para o futuro profissional de seus filhos, costumeiramente usando a expressão: “Eis o que ele/ela será quando crescer!” 

   Quando a criança é vista pelos pais brincando de construir casinhas com peças de montar ou castelos de areia na praia, logo é vislumbrado para o seu futuro o mundo da arquitetura; quando ela brinca de médico (no bom sentido, lógico!) todos acham que a medicina é o seu futuro; com animais, veterinária; com o quadro negro, o seu destino é a sala de aula; mas numa situação como a vivida por mim hoje, teria eu a capacidade de dizer que ela vai ser camelô, feirista, vendedora ambulante ou comerciante? 

   Cerca de 12,9 milhões brasileiros vivem atualmente do comércio informal, de acordo com o IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, com base em informações do IBGE. As estimativas indicam que nesse ambiente circulem de 10% a 15% do Produto Interno Bruto (PIB). Nada menos do que 52,6% dos brasileiros que praticam alguma atividade remunerada gravitam em ambientes informais, gerando uma renda familiar de pelo menos R$ 500,00 (quinhentos reais) por mês e fazendo a economia nesse tipo de mercado crescer exponencialmente a cada ano no Brasil. Ou seja, são inúmeros brasileiros que vivem e dão sustento às suas famílias, fazendo uso dessa que é uma das profissões mais antigas do mundo. Então, será que quando excluímos dos sonhos pro futuro dos nossos filhos tal profissão estamos sendo preconceituosos? 

   Analise, colocando em questão a sua atual ocupação, seu grau de satisfação pessoal com o emprego e se está havendo de sua parte a certeza da realização profissional, levando em consideração não apenas o dinheiro ou o status conquistados, mas a estabilidade, a disposição para o trabalho a cada nova alvorada, as boas relações com os colegas e com o chefe e o tempo que o emprego exige de você além da carga horária normal, se está ou não afetando as outras áreas de sua vida. 

   Dinheiro e status são realmente algumas prerrogativas de sucesso profissional, mas são elementos básicos para a felicidade, pensando de forma global? Não necessariamente. Existem milhares de vendedores ambulantes sorrindo, enquanto inúmeros empresários de sucesso choram por aí. Sorriso consistente? Choro inconsolável? Não sei. O que sei, é que respeitar as escolhas dos filhos, sem deixar de orientá-los para o que consideramos o melhor para eles, não deixando de enfatizar que a idoneidade, a honestidade e o foco são o trio de ouro para a possibilidade real de garantirmos um futuro promissor, independente do que se pretende fazer, podem ser os primeiros passos. 

   Seu filho quer ser um garçom? Que ele seja o melhor! Quer ser gerente? Que seja o melhor! Quer ser taxista? Que seja o melhor! Quer ser médico, professor, veterinário, advogado, técnico em computação, eletricista ou vendedor ambulante? Que seja o melhor. Não para agradar aos outros, mas a si mesmo. Esse sim é o ponto chave para que nossos filhos caminhem a passos largos rumo ao sucesso profissional e tudo começa com a liberdade de escolha...

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