quinta-feira, 30 de maio de 2013

RECORDAR É VIVER?


Tente lembrar como era o gostinho da infância. Associe agora com o prazer de tomar um belo banho de chuva, correndo pelo quintal de sua casa, ou pela liberdade de um sítio. Bom né? Recorde as brincadeiras infantis, com ou sem malícia, a descoberta do próprio corpo e da sexualidade, pense na primeira paixão, no primeiro toque, no primeiro beijo, nas primeiras carícias... Agora reflita sobre como foi ter de pela primeira vez “se virar” para ganhar dinheiro, imagine as dificuldades naturais de tomar decisões sozinho, de entender que a vida adulta enfim chegou, trazendo consigo todo o entendimento das nítidas mazelas que nos cercava desde sempre, mas que devido ao poderoso bloqueio da visão infantil para o que não traz felicidade, não percebíamos.
É gostoso relembrar músicas, amores e conquistas da juventude quando se está na meia idade.É bom saber que fizemos alguma coisa de útil para nós mesmos e para a sociedade na flor da idade. É quase que uma certificação de que não apenas passamos  pelo mundo, mas alteramos um pouco da sua história com nossos discursos, nossas idéias e ações. Quando se trata de discurso, “O discurso não é simplesmente aquilo que traduz as lutas ou os sistemas de dominação, mas aquilo porque, pelo que se luta, o poder do qual nos queremos apoderar.” (Michel Foucault), ou seja, é algo muito mais profundo e ideológico. Ao tratar de idéias, tornamo-nos eternos, pois o que pensamos e colocamos à disposição da humanidade para apreciação e/ou fundamentação perpassa os umbrais do tempo e cauteriza modificações para além de nosso tempo. E quanto as ações, vale salientar que As idéias não colocadas em prática inibem nosso desenvolvimento, que se definha aos poucos nos levando á inércia do comodismo, pela decepção da não concepção. (Ivan Teorilang).
Na terceira/melhor/pior idade tradicionalmente as pessoas passam a maior parte do seu tempo relembrando os bons momentos vividos. Interessante que os de maior relevância na construção da  maturidade – os maus momentos – quase sempre são por aqueles preteridos. Parece que as conquistas, os prazeres e os sabores ficaram para trás e já não importam mais, exceto no campo dos sonhos. O que resta, além das lembranças, são as palavras de orientação, indignação, instrução e o repasse quase sempre sem muita aceitação por parte dos mais jovens, de conselhos sobre a vida.  

O que realmente importa ao final de tudo não é exatamente o que fizemos da nossa curta viagem pela vida ou ainda como colocamos em prática nossos planos e projetos, mas com quem estivemos durante todo esse tempo... Onde está a chuva do passado? Onde estão as brincadeiras da infância? Onde estão as músicas, os amores, as idéias e as paixões da juventude? Onde estão as pessoas que compartilharam com você dos seus anos mais promissores? Elas estão aí do seu lado, vovô, ou vovó?

Nenhum comentário:

Postar um comentário

MUITO IMPORTANTE

           "De acordo com os dados mais recentes do DataSUS, do Ministério da Saúde, referentes a 2018, o País apresenta por dia ...

Pesquisar este blog