sábado, 21 de dezembro de 2013

K7

    Há exatos 50 anos era lançada no mercado uma verdadeira revolução tecnológica no mundo da áudio difusão: A fita cassete. A fita era constituída basicamente por 2 carretéis, a fita magnética e todo o mecanismo de movimento da fita alojados em uma caixa plástica, isto facilitava o manuseio e a utilização, permitindo que a fita fosse colocada ou retirada em qualquer ponto da reprodução ou gravação sem a necessidade de ser rebobinada como as fitas de rolo. Com um tamanho de 10 cm x 7 cm, a caixa plástica permitia uma enorme economia de espaço e um excelente manuseio em relação às fitas tradicionais. (Wikipédia)
    Minha paixão pela música foi cultivada em grande parte por esse pequeno instrumento viciante. Lembro quantas vezes sonhava com a possibilidade de comprar fitas virgens e tirar-lhes o inocente silêncio e pureza, introduzindo sons e gemidos de prazer... Ter um som com duplo deck e auto reverse então, era quase um “ménage à trois” musical, com diversas possibilidades de despertar o prazer máximo de todos os que ao redor quisessem deixar os acordes penetrarem profundamente seus ouvidos...
    Enfiar uma caneta em um de seus orifícios para alcançar o ponto “G” da fita, era realizado quase sempre quando se sentia a necessidade de economizar pilhas, no caso do walkman, ou quando os decks já estavam ocupados. As fitas que possuíam maior capacidade de gravação causavam frisson entre os amantes da música e, embora a qualidade não fosse necessariamente a melhor, despertava nestes seus instintos mais primitivos e olha que continuavam com o mesmo tamanho (10 cm X 7 cm – não era documento mesmo!)
    Mas fetiche maior que copular auditivamente com os sons emitidos por uma fita chrome não existia. A Basf, uma das pioneiras no ramo, procurou fidelizar seus clientes dessa forma, fazendo com que a concorrência, devidamente traída (era comum essa história de trocar uma de 90 por duas de 46!), corresse atrás do prejuízo e seduzisse novamente sua antiga clientela, proporcionando “orgasmos musicais” com mais qualidade e refinamento.
    Fico triste por ver que no mercado as fitas k7 já não fazem mais sucesso. As delícias que proporcionavam, hoje são apenas lembranças. As fantasias criadas permanecem no imaginário de seus admiradores, que por uma boa noitada ao seu lado faziam qualquer coisa.  O CD veio para substituí-la (embora com um único orifício, ao invés de dois) e mostrou ao mundo dos sons que atingir o ápice do prazer era possível. Acabavam as idas e vindas magnéticas, rebobinamentos, limpezas de cabeçotes para um melhor aproveitamento das relações, enfim, o ciclo acabou, não procriou, não houve uma continuidade, mas uma mudança brusca de tecnologia. Não sei por que motivo, afinal, o único que deveria ser estéreo era o equipamento de som, não a fita cassete... 

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