Há exatos
50 anos era lançada no mercado uma verdadeira revolução tecnológica no
mundo da áudio difusão: A fita cassete. A
fita era constituída basicamente por 2 carretéis, a fita
magnética e todo o
mecanismo de movimento da fita alojados em uma caixa plástica, isto facilitava o manuseio e a utilização,
permitindo que a fita fosse colocada ou retirada em qualquer ponto da
reprodução ou gravação sem a necessidade de ser rebobinada como as
fitas de rolo. Com um tamanho de 10 cm x 7 cm, a caixa plástica permitia uma enorme
economia de espaço e um excelente manuseio em relação às fitas tradicionais.
(Wikipédia)
Minha
paixão pela música foi cultivada em grande parte por esse pequeno instrumento
viciante. Lembro quantas vezes sonhava com a possibilidade de comprar fitas
virgens e tirar-lhes o inocente silêncio e pureza, introduzindo sons e gemidos
de prazer... Ter um som com duplo deck e auto reverse então, era quase um
“ménage à trois” musical, com diversas possibilidades de despertar o prazer
máximo de todos os que ao redor quisessem deixar os acordes penetrarem
profundamente seus ouvidos...
Enfiar
uma caneta em um de seus orifícios para alcançar o ponto “G” da fita, era
realizado quase sempre quando se sentia a necessidade de economizar pilhas, no
caso do walkman, ou quando os decks já estavam ocupados. As fitas que possuíam
maior capacidade de gravação causavam frisson entre os amantes da música e,
embora a qualidade não fosse necessariamente a melhor, despertava nestes seus
instintos mais primitivos e olha que continuavam com o mesmo tamanho (10 cm X 7
cm – não era documento mesmo!)
Mas
fetiche maior que copular auditivamente com os sons emitidos por uma fita
chrome não existia. A Basf, uma das pioneiras no ramo, procurou fidelizar seus
clientes dessa forma, fazendo com que a concorrência, devidamente traída (era
comum essa história de trocar uma de 90 por duas de 46!), corresse atrás do
prejuízo e seduzisse novamente sua antiga clientela, proporcionando “orgasmos
musicais” com mais qualidade e refinamento.
Fico
triste por ver que no mercado as fitas k7 já não fazem mais sucesso. As delícias
que proporcionavam, hoje são apenas lembranças. As fantasias criadas permanecem
no imaginário de seus admiradores, que por uma boa noitada ao seu lado faziam
qualquer coisa. O CD veio para
substituí-la (embora com um único orifício, ao invés de dois) e mostrou ao
mundo dos sons que atingir o ápice do prazer era possível. Acabavam as idas e
vindas magnéticas, rebobinamentos, limpezas de cabeçotes para um melhor
aproveitamento das relações, enfim, o ciclo acabou, não procriou, não houve uma
continuidade, mas uma mudança brusca de tecnologia. Não sei por que motivo,
afinal, o único que deveria ser estéreo era o equipamento de som, não a fita
cassete...

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