Apressado,
dirigindo meu carro, com mil e uma coisas pra fazer e inúmeras decisões a
tomar, de repente dou uma rápida olhada na hora e percebo que tenho apenas 6
minutos para percorrer um trajeto que duraria em média 23 minutos. Pior:
Percebo ao olhar pra frente que o sinal estava no fim do amarelo e que o
vermelho chegaria em questão de segundos. Tento acelerar, mas, enfim, o sinal
avermelha e sou obrigado a parar o carro contra a minha vontade.
Chama-me a
atenção, surpreendentemente, uma criança atravessando o sinal em um ritmo
totalmente diferente do meu. Estava sozinha, sem preocupação com o tempo. Seus passos
lentos, andar inocente, sandálias simples, cabelos longos e bem tratados eram
abrilhantados por um belo sorriso no rosto. Uma cena linda de se ver! Havia uma
sintonia em nossos olhares que se cruzavam naquele sinal e que certamente em
outros dias jamais pensaria existir. Parecia uma eternidade o tempo em que o
sinal passou no vermelho. Pude ver seus livros embaixo do braço e algumas
crianças que a esperavam do outro lado da rua, no fim da faixa de pedestre.
As motos
gritavam de desespero pela pressa, os carros ao meu lado vociferavam palavrões
pela demora do sinal, enquanto o motor do meu já não fazia mais barulho, a
relatividade do tempo apresentada na prática diante dos meus olhos me dava a certeza de que aquele momento de
pausa podia me fazer perder um certo tempo para chegar ao meu destino, mas a
imagem dos passos sem pressa daquela criança, contrastando com a velocidade do
meu tempo, me ensinaram a importante lição de que não basta apenas viver
bastante, mas ter qualidade nessa vida. Portanto, não existe perda de tempo
quando se para para refletir e sossegar a cabeça e o coração. Pelo contrário,
existe reposição de energia para seguir em frente. Daí a importância dos
semáforos em nossa vida.

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