Num país muito, muito distante, morava uma comunidade bastante sofrida por causa da tirania dos seus líderes. Sofria humilhações, pagava altos impostos e trabalhava em regime de escravidão. O que chamava a atenção dos povos vizinhos é que mesmo diante da subserviência perene daquela humilde sociedade, a mesma era feliz.
Chamada por todos como a terra do basam (Dança típica da região que mistura euforia e frivolidade exacerbadas) e de um esporte conhecido como boltefu, era uma nação admirada pelas suas belezas naturais e pelo clima sempre agradável. Acontece que seus governantes não amavam o país. Trabalhavam insistentemente para aumentar os tributos, a fim de bancar seus privilégios e estimular ainda mais a desigualdade social. Estabeleciam leis muito boas, porém com brechas que só os seus advogados - os mais caros do país - sabiam encontrá-los. Apenas os governantes tinham condições financeiras para bancar os custos dos advogados, isso colocava a população em um patamar sempre inferior na busca por justiça, com o detalhe que o dinheiro do pagamento dos jurisperitos vinha do próprio povo contra o povo. Se fossem descobertas falcatruas do líder máximo, o mesmo pagava a seus "julgadores" para que não o julgassem. Em troca lhes eram oferecidos mais privilégios e dinheiro, jantares sofisticados, posições mais altas em seu governo e a certeza de que a impunidade era a sua mais fidedigna aliada...
Nada funcionava direito nesse país. Exceto para os poderosos que o controlavam. Restava uma alternativa: A luta. Mas uma coisa não podia ser negada: Coragem lhes faltava. Coragem para mudar seus governantes, para destituí-los, para reivindicar os direitos legais do povo, para tomar o poder, para mudar as leis, para não permitir uma só atitude que não correspondesse aos anseios e necessidades do país.
Houve uma época em que se buscava justiça, mas mais uma vez o povo foi manipulado pela ideia de que o mal tinha nome e partido, em detrimento de todos os outros facínoras titeriteiros. Assim, podiam, na surdina, continuar atuando em um cenário mais ameno, ainda que em profundo contraste com a realidade escravocrata atroz. Instalou misturadores de voz em seu gabinete para "proteger informações sigilosas" e negou qualquer ligação com os crimes atribuídos a sua pessoa, ainda que 95% da população soubesse de sua culpa; a pobre nação rica servia de chacota para as demais, pois quem colocava os líderes no poder era o próprio povo e na hora de gritar, esbravejar, lutar e bater panelas em prol do bem comum, preferia ir dormir pra enfrentar o "batente" no dia seguinte, que, ao que tudo indica será sempre pior do que foi o ontem.
E o poder de escolher seus governantes? Isso existia por lá, mas a tragédia tantas vezes anunciada, a cada quatro anos era novamente evidenciada pela falta de maturidade política e de memória.
Pobre SILBRA... Perto está o temor servil... Pela falta desses dois elementos - Maturidade e memória política - as pessoas viviam infelizes para sempre.

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