Uma jovem aluna chegou pra mim essa semana e disse se sentir um pouco incomodada pelos preconceitos que vem sofrendo pelo fato de ser homossexual. Perguntou se aquela revelação, que, diga-se de passagem, me pegou de surpresa, me deixou chateado ou com alguma inquietação. Respondi que não tinha preconceito, embora não concorde com isso. Falei do carinho que devemos ter para com as pessoas que pensam diferente, que têm posturas e opiniões contrárias as nossas, orientação sexual diferente e que o respeito deve estar acima de tudo. Ela respirou aliviada, demonstrando que se importava com a minha opinião e que admirava pessoas assim, que mesmo seguindo por um caminho divergente do que escolhera, aceitava continuar sendo sua amiga, sem discriminação.
A amizade, o respeito e o carinho entre os seres humanos independe da forma como você encara o mundo e a sua diversidade. As múltiplas cores de um jardim devem servir para esta reflexão: Alguém pode achar a gérbera vermelha de miolo escuro a mais bela das flores. Eu prefiro a branca de miolo amarelo! Descarto as demais por serem diferentes? De forma alguma! A humanidade vive a descartar os seres de cores diferentes...
Bauman, na obra "Vidas desperdiçadas", fala sobre a globalização, retratando o quanto a sociedade atual vem construindo um novo modelo de banimento das pessoas, em prol do crescimento acelerado da supérflua vida moderna. No livro, ele procura apresentar o lado sombrio da humanidade que tende a cada dia a excluir os que pensam de modo diferente, tratando-os como verdadeiros "refugos humanos". O intelectual polonês diz que “O problema da identidade resulta principalmente da dificuldade de se manter fiel a qualquer identidade
por muito tempo, da virtual impossibilidade de achar uma forma de expressão da identidade que tenha boa probabilidade de reconhecimento vitalício e a resultante necessidade de não adotar nenhuma identidade
com excessiva firmeza, a fim de poder abandoná-la de uma hora para outra.“ A instabilidade
humana no que concerne a necessidade de assumir uma postura identitária diante de uma sociedade excludente acaba causando a falsa sensação de que tudo é fugaz, inclusive a pessoa que segue por um caminho diferente do da maioria.
A jovem estudante retirou-se da sala de aula feliz após a nossa conversa naquele dia. Não porque ganhou um "aliado" quanto a sua orientação sexual, mas porque encontrou em mim um amigo, que mesmo sendo declaradamente hétero, consegue ter a noção de que o fato de preferir a alvura de uma determinada flor, não exclui os demais que preferem a vermelha com miolo escuro.


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