"Dizem que antes de um rio entrar no mar, ele treme de medo. Olha para trás, para toda jornada que percorreu, para os cumes, as montanhas, para o longo caminho sinuoso que trilhou através de florestas e povoados, e vê à sua frente um oceano tão vasto, que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre. Mas não há outra maneira. O rio não pode voltar. Ninguém pode voltar. Voltar é impossível na existência. O rio precisa se arriscar e entrar no oceano. Somente ao entrar no oceano o medo irá desaparecer, porque apenas então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano, mas de tornar- se oceano." As palavras de Khalil Gilbran reacendem os mais profundos anseios da humanidade de crescer e tornar-se parte integrante de um mundo novo e cheio de realizações com nossas digitais. O problema é que poucos entendem que para haver crescimento é preciso que entendamos o quanto temos de sublimar nossa existência, misturando-nos uns aos outros.
É preciso despojar-nos do nosso próprio eu para tonar-nos nós... É necessário ainda que todo o egocentrismo que ajudou a nos constituir como seres individuais seja transformado em ações altruístas e desprovidas de holofotes particulares. O mundo é vasto e nós somos apenas uma minúscula parte dele, embora tenhamos nossa importância em sua constituição. Fundamental no processo de transformação rio/oceano é conhecer qual o nosso lugar no mundo, para, assim, torná-lo melhor com nossa participação social. Dessa forma, o caminho que trilhamos, o que fizemos das oportunidades que tivemos, quem nos tornamos, de acordo com a educação que nos deram e sobre que valores foram fundamentados nossos passos na história da vida, independente disso tudo, um dia seremos engolidos pelo oceano da vida e seremos parte integrante dele. A questão é: Estou preparado para ser um com os outros neste oceano, ou quero continuar sendo apenas um rio, que inevitavelmente distancia-se do grotão a cada dia e que fatalmente desaguará nas correntezas dos mares da vida?

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