Último dia do ano e ela olhando pra mim na sala de espera pra entrar no restaurante lotado...
Senti como se eu tivesse menos idade, mais massa muscular, menos rugas, mais tanquinho que gordura, mais dinheiro no bolso, mais perfume no pescoço, mais alvura nos dentes, mais sensualidade no caminhar e finalmente decidi falar com ela.
Era uma jovem com metade da minha idade e com muita disposição em me conhecer pelos olhares. Ao entrar, perguntei se podia sentar ao seu lado na mesa. Ela consentiu. Decidi travar um "papo reto", como diz a galera jovem... Muito interessante sua conversa. Ela tinha um corpo avassalador, um português correto, uma maturidade impressionante e uns olhos penetrantes. Como podia me dar bola? Fizemos o pedido como se fôssemos um casal, rimos da escolha um do outro e paramos algumas vezes apenas para nos olharmos. Tudo perfeito!
Por debaixo da mesa belisquei minha perna para ver se estava sonhando, mas não estava!
Que presentão de fim de ano! Uma loira linda na minha frente, num restaurante conceituado, com demonstração evidente de interesse em mim... Só podia ser pegadinha! Olhei para os lados, como que procurando as câmeras, mas não as encontrei. Ela era uma mistura de Paolla Oliveira e Camila Queiroz e eu... Uma mistura de Ave Maria e cruz credo. Totalmente incompatíveis! Mas não pra ela, que sorria com aquela boca maravilhosa a cada nova piada que contava. Foi então que tudo acabou... O garçom pôs fim ao começo do que poderia ser um tórrido romance: ele trouxe a comida. Era o fim. A loiraça com quem durante trinta minutos vivi um sonho surreal comia de boca aberta... Despedi-me educadamente, deixei na mesa minha parte da comida que nem toquei, inventei uma desculpa e fui embora, deixando-a sem entender o que acabara de acontecer. Não. Comer de boca aberta é demais pra mim!

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