Mentir descaradamente é considerada uma atitude repulsiva por boa parte dos seres humanos; compulsivamente, é abominável; repetidamente é inadmissível, porém, mesmo com tantos maus adjetivos, tal atitude é considerada agradável, desde que seja proferida por uma boa causa. Por uma boa causa? Como algo tão devastador pode ser considerado em determinados momentos como algo bom ou digno da aceitação social?
“Eu não merecia ser enganada assim!” Diz a mulher ao descobrir que seu casamento sempre foi uma mentira. “Como você pôde fazer isso comigo?” indaga alguém no instante em que encontra-se diante do improvável. “Até pra mim você mentiu?” questiona este que acreditava estar numa redoma de proteção ante ao conhecido mentiroso. “Não minta pra mim!” brada a mãe ao ouvir aquilo que considera ultrajante por parte do filho.
A psiquiatria atual muitas vezes não consegue resolver essa que é uma das questões mais intrigantes na história da humanidade: a mentira. Note que não mencionei ainda nenhum mestre na arte de mentir como os políticos, por exemplo, que mentem institucionalmente e que por mais que critiquemos, sempre acabamos por acreditar em algumas de suas lindas e falsas palavras, mas com peso de verdades (só não são verdades porque temos noção plena de que não cumprirão o que prometeram, mas pelo menos nos deram um vislumbre fabuloso de uma realidade alternativa que adoraríamos que fosse real).
A forma curiosa como a humanidade trata desse tema nem de longe deixa transparecer a influência avassaladora da mentira. Trata-se de um verdadeiro fenômeno social que envolve direta ou indiretamente conveniência, conivência, boa convivência, estratégia de sucesso, planos políticos, ascensão, status, obtenção de crédito ou qualquer outra coisa indevida, etc. Por outro lado, perde-se tudo o que se podia conquistar com a mentira pelo simples fato de estar do lado da veracidade. É como se o ato de mentir estivesse intimamente relacionado ao oposto de falar a verdade e não o é. Mentir remete o sujeito a arte de enganar para obter vantagens próprias, não acontece necessariamente o contrário se o mesmo falar a verdade.
É importante que se atente para o fato de que a mentira sempre estará associada ao prejuízo de alguém, seja de quem foi enganado(a) seja de quem estava enganando. É mister ainda que se note a intencionalidade do mentiroso, tendo em vista que é muito mais pertinente analisar a mentira proferida por este aspecto, do que pelo ato em si.
É evidente que a arte de contar histórias criadas não está ligada a mentira, já que criação, invenção, confabulação e fantasia não são necessariamente sinônimos da dita cuja. Como dizia Mário Quintana, "A mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer." Quando esta afirmação fica clara diante do que foi inventado, a invenção não pode ser classificada como mentira.
Um dos problemas mais graves da mentira é a tentativa de mostrar ao mundo o que as pessoas não são ou não tem. Na maioria das vezes são levadas pela insegurança e pela falta de autonomia a buscarem suplantar o medo de serem rejeitados com criações fantásticas. Simplesmente constroem suas vidas e relações com histórias impressionantes que precisarão constantemente de reparos e de futuras mentiras que as estabeleçam como verdades incontestáveis.
Portanto, se seu objetivo é agir com falsidade, com o objetivo de enganar, deturpar, denegrir, comprometer ou diminuir alguém, destruir, ameaçar, fazer alguém acreditar no que não existe, mesmo sabendo que você estará sempre correndo o risco de ser descoberto, mas acreditando que vale a pena em virtude das vantagens que obterá com o uso da mentira, PARABÉNS! Esse dia é seu!
FELIZ DIA DA MENTIRA!

Verdade suas considerações sobre a mentira. Imagino que proferir mentiras não traduz o comportamento daquele que caminha com a verdade. Parabéns!
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