terça-feira, 31 de maio de 2011

31 PRIMAVERAS

Iviana, vivemos tantas primeiras coisas que já perdemos a conta. Nosso primeiro beijo, quanta emoção! Sua boca virgem de mim, proporcionava a minha boca uma alegria indescritível. A sensação de ser o seu primeiro namorado da igreja me fazia o mais orgulhoso dos seres.
E os primeiros encontros em sua casa? Sem  conhecer direito sua família (exceto Ivanilda), tímido como sempre, mas determinado como nunca a seguir em frente com o nosso relacionamento. O primeiro cuscuz com charque, a primeira rápida despedida ao correr pra pegar o ônibus das 21 horas, as primeiras palavras de carinho ao telefone, as primeiras reclamações na igreja devido ao nosso excesso de carinho na hora dos cultos (afinal, quem já se viu o namorado colocar o braço em volta da namorada enquanto estava sentado, assistindo ao culto?), o primeiro filme (naquela época eu ainda conseguia assistir até o fim sem dormir!), entre tantos outros.
O primeiro conflito que passamos solidificou ainda mais o nosso amor e nos trouxe a primeira reconciliação, as primeiras lágrimas, misto de tristeza e felicidade. Lágrimas cujas gotas lembravam o orvalho de sucessivas manhãs que passaríamos juntos. Nosso trocar de alianças, nossa noite de núpcias, nosso primeiro toque intimamente profundo, nossa primeira casa, nosso primeiro cachorro, nossa primeira doença, nossa primeira filha... Quanta história!
Seu sorriso me cativou desde o primeiro dia que te vi. Seu jeito de menina sempre foi muito admirado por mim. No início eu via isso como motivo de afastamento por achar que uma aproximação física e emocional podia ganhar uma conotação de pedofilia, mas depois constatei que a minha paixão estava concentrada nessa doçura, nessa ingenuidade e nesse sorriso de menina moça.
Sempre adorei te observar em segredo, ver a maneira como você conversava com suas amigas, tão espontânea, alegre e divertida. Ficava refletindo sobre a minha condição introspectiva e via em você o contrário de mim...
Meu mundo antes de você era preto e branco, ao seu lado passei a ver a vida colorida e a ter a certeza de que alguém seria capaz de me amar mesmo com os meus defeitos. Hoje, após tantas primeiras vezes, posso me orgulhar de ter usufruído de 50,5% da sua vida, até aqui com participação efetiva nas suas conquistas e vitórias pessoais, emocionais, materiais e espirituais.
      Nesta ocasião especial em que nosso mundo comemora suas trinta e uma primaveras, faço minhas as palavras de Fernando Pessoa sobre o amor: 

"O AMOR, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar, 
E se um olhar lhe bastasse
P'ra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe 
                               Porque lhe estou a falar...“mo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?” Preciso dizer mais alguma coisa?

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