É por vezes acalentador olhar para uma cama quentinha e poder deitar e dormir gostoso, mas o corre-corre da vida não nos deixa desfrutar deste que é um dos momentos mais prazerosos do nosso dia. Dizem os estudiosos que dormir emagrece, que quem dorme muito cresce mais, que a sesta diária aumenta a produtividade no trabalho, mas, será mesmo verdade?
O certo é que esse objeto surgido desde épocas imemoriais é indispensável para todos os seres humanos. Basta pensar em casar e o casal já começar a se preparar para os gastos, que o primeiro item da lista certamente será a cama (com ou sem segundas intenções!). O colchão utilizado pode ser de poliéster, algodão, fibra de carbono, mola ou d’água, o mesmo tem o incrível poder de proporcionar bons sonhos ou terríveis pesadelos. Quando é confortável faz o tempo passar mais rápido do que gostaríamos, porém, quando desconfortável, as horas teimam em passar vagarosamente e as nossas costas, ah... coitadinhas!
O travesseiro é outro elemento que quando bem escolhido faz os candidatos a sonhadores terem uma noite fantástica, independente da qualidade, do tamanho, da cor, forma ou do que tiver dentro dele (ah, mas se for de pena de ganso, é uma verdadeira viagem ao paraíso!). O lençol, com suas cores, tamanhos, estampas e detalhes, tem a função de embelezar e tornar a cama mais aconchegante e convidativa.
Ao pensar nos elementos básicos que compõem a cama, fico refletindo sobre o que simbolicamente represento neste mundo. Serei o colchão macio e confortável, capaz de provocar bons sonhos em quem de mim necessitar, ou serei um colchão que não consegue suportar determinados pesos e em poucos dias mostrarei que não sou tão confiável, que são muitas as minhas limitações e que os ácaros dessa vida interromperão a minha jornada rumo ao conforto de outrem?
Se eu representar o travesseiro, de que tipo serei? Do tipo que costuma ser grande no tamanho e pouco eficiente no propósito? Do tipo luxuoso, mas inacessível? Do tipo que muda diversas vezes de fronha, mas o seu cheirinho e sua consistência continuarão sendo sempre os mesmos? Almejo ser mais bonito e caro, mais agradável e útil, ou os quatro predicados?
Serei o lençol, capaz de aquecer e com seu perfume e fibra instigar a paz e o frescor? Ou viverei de aparências? A minha única preocupação será cobrir os outros (colchão, travesseiro, cama) com minha beleza, ou terei planos mais audaciosos, embora possa ser constituído de retalhos?
O mais importante nessa simbologia toda é ter a consciência de que acima de qualquer acessório que possamos ser, nós somos cama.
Uns de solteiro, outros de casal, uns novos, outros velhos, uns de primeira qualidade, outros de qualidade duvidosa, uns que “rangem” por quase nada, outros que silenciam mesmo em meio a “turbulências”, mas, que acima de tudo, continua sendo o alento para os cansados e o prazer para os descansados!

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