As Sagradas Escrituras no primeiro dos seus 66 livros, começa apresentando o modo como todas as coisas foram feitas. Toda a obra do Criador executada em seis dias, de um pôr do sol ao outro pôr do sol. “E viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. E foi a tarde e a manhã, o dia sexto” (Gen 1:31). Este é o primeiro exemplo registrado de êxito no trabalho em toda a Escritura, mas ainda faltava estabelecer algumas prioridades para a vida humana que se formava na terra.
Alguns conselhos práticos sobre como seriam os dias de Adão e Eva no planeta foram expostos por Deus: “Então Deus os abençoou e lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos; enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra. Disse-lhes mais: Eis que vos tenho dado todas as ervas que produzem semente, as quais se acham sobre a face de toda a terra, bem como todas as árvores em que há fruto que dê semente; ser-vos-ão para mantimento” (Gen 1:28 e 29).
Dois verbos nos chamam a atenção nesse primeiro colóquio entre Criador e criatura - frutificai e dominai. Quem em sã consciência poderia discordar do Senhor quanto a eficiência da primeira ordem “frutificai”? Principalmente porque está implícito no imperativo algo que até hoje, mesmo com tanto pecado, é extremamente saboroso: o sexo. Imagine se Deus tivesse dito: “Façam muito sexo! Incansavelmente, prazerosamente e profundamente! E que venha acompanhado de lindos bebês!” Acredito que muitos nem leriam o finalzinho, tratariam de cumprir rapidamente a ordem do Mestre (Afinal, foi Ele quem mandou!).
O segundo verbo mexe com o ego, “dominai”. Exercer domínio sobre algo ou alguém é o sonho de muita gente até hoje. Ser dominador(a) evidencia muitas vezes aquilo que inconscientemente determina nosso caráter, nossa visão de mundo, nosso futuro, não apenas como ser humano, mas como ser vivo que precisa ter muita responsabilidade já que o destino do planeta, por esta ordem, ficou em nossas mãos. Porém esquece-se do que fica implícito no imperativo: Se existe dominador, existem dominados, e se existem dominados, existe evidentemente uma relação delicada de dependência, cujo sucesso da relação está intrinsecamente ligada a maneira respeitosa, cuidadosa e amorosa com que o dominador assume seu posto.
É bem verdade que ambas as ordens são simples na letra, mas a responsabilidade e a seriedade com que a raça humana deve executá-las revela uma verdade escondida por trás delas: O Criador deixou em nossas mãos um precioso e perigoso presente, o trabalho. Crescer e multiplicar, dominar o planeta, comer de (quase) todos os frutos do jardim, dar nomes aos animais, lavrar e cultivar a terra, educar os filhos, manter a casa, estabelecer a ordem nesse mundo virgem e ser obediente a Deus, era de um prazer incomensurável antes do pecado, mas depois da sua triste chegada...
Robert Benchley diz: “Adoro o trabalho. Sou capaz de ficar horas simplesmente olhando para ele.” Já Abraham Lincoln revela: “O meu pai ensinou-me a trabalhar; não me ensinou a amar o trabalho.” Albert Einstein deixa claro que “O único lugar onde sucesso vem antes do trabalho é no dicionário.” E Mahatma Gandhi deixa-nos a certeza de que “Aqueles que têm um grande autocontrole, ou que estão totalmente absortos no trabalho, falam pouco. Palavra e ação juntas não andam bem. Repare na natureza: trabalha continuamente, mas em silêncio.” Todos esses pensamentos enfatizam que o trabalho tornou-se não uma ordem de prazer como deveria ser no melhor ambiente de trabalho que existia, o Éden. Ficava então, depois da maldita “mordida da fruta”, a certeza de que a ordem tornara-se uma maldição, tão forte quanto a sentença de que haveria um final para a jornada de cada um de nós por sobre a terra.
Por que deixar a cama logo cedinho, na flor da idade para aventurar-se sob a chuva ou o sol escaldante, para fazer determinadas coisas que ao nosso entender beneficiará mais aos outros do que a nós mesmos? Por que não aproveitarmos o nosso dia para comer, dormir e brincar, tendo a certeza de que no dia seguinte daremos continuidade às tarefas de hoje? Por que enriquecer os outros com o nosso sangue e suor? Por que darmos os nossos melhores anos a quem não tem intenção de prolongá-los?
Quando se estabelece uma família e se cumpre a ordem: “Crescei e multiplicai” a responsabilidade quanto ao trabalho aumenta sobremaneira, afinal é mais alguém dependendo de você e do seu trabalho. Quando se busca o domínio sobre todas as coisas, mais trabalho é requerido. A verdade é que o cumprimento dessas ordens hoje traz um trabalho mais pesado que no passado, já que está cada vez mais fácil de multiplicar-se (os adolescentes bobocas, que parece não ter nenhuma orientação sobre preservativos que o digam), e está cada vez mais competitivo o mundo dos dominadores e dominados. Existe salvaguarda então para quem se esquiva de cumprir uma dessas ordens, a fim de não ter trabalho no futuro? "Pensar é o trabalho mais pesado que há, e talvez seja essa a razão para tão poucos se dedicarem a isso." já dizia o empresário Henry Ford.
Dá tanto trabalho ter de justificar o não cumprimento das ordens diante da sociedade, que muitas vezes facilitamos as coisas se soubermos como lidar com elas. Pelo menos isso permanece desde o Éden: Responsabilidade na multiplicação e no domínio exercidos, talvez dessa forma se sinta algum prazer no trabalho.
Portanto, ao trabalho! Não devemos esquecer, porém, que se até Deus descansou no sétimo dia, nós ainda mais precisamos descansar também, não como alguns costumam fazer por aí, trabalhar um dia e descansar seis...
“FELIZ” DIA DO TRABALHO!

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