Alguns fatos que acontecem na vida são tão maravilhosos que não podem ficar escondidos no nosso coração ou na nossa mente. Diante disso, muitos de nós decidimos falar ao mundo de maneiras diferentes sobre esses fatos. Uns utilizam o telefone para fazer a divulgação, outros divulgam de maneira pessoal, e ainda outros fazem uso das redes sociais para mostrar ao mundo os motivos para tanta alegria e/ou felicidade. A grande questão é: E se os motivos que levam alguém a usufruir de tanta êxtase forem considerados fúteis pelos outros? Mas, afinal, o que é futilidade?
Recorrendo (como sempre) ao dicionário, lemos que "Futilidade é algo de pouco valor, insignificante, ninharia, frivolidade". Pressupomos, então, que se algo pode ser considerado por alguém como sem valor, ou insignificante, não merece a "honra" da divulgação... Será mesmo?
Vivemos em um mundo absolutamente preconceituoso, onde cada ato nosso é criteriosamente avaliado pelos outros. Quanto maior nossa relevância dentro de um determinado grupo social, maior nossa responsabilidade sobre o que falamos, comentamos, expomos e divulgamos. Vide exemplos: Você morreu de rir assistindo ao filme "Banzé no Oeste" em uma reprise da Sessão da Tarde; deliciou-se ao passar por um lugar que estava tocando a música "Ah, como eu amei" de Benito de Paula; chorou ao ver o esforço de uma pequenina formiga deficiente de uma das suas seis patinhas, carregando com dificuldade um saboroso pedaço de bolo; passou a tarde lendo a Bíblia e acabou encontrando respostas para seus questionamentos no Livro Sagrado...
Tudo isso seria digno de fazer ecoar aos quatro ventos sobre como você está feliz, afinal, o que faz o mundo preto e branco ficar colorido são esses pequenos detalhes. Fazer comentários maldosos ou que discriminem o sujeito feliz pelo objeto da sua felicidade, apenas mostra o estado de mediocridade em que vivem certas pessoas que muitas vezes por quererem parecer inteligentes vivem a criticar os outros. Já dizia Marie Von Ebner Eschenbach "Somos tão fúteis que nos importamos mesmo com a opinião daqueles que não nos importam."
A vida deve ser vivida com mais leveza, não com irresponsabilidade. Parafraseando a passagem bíblica em que o sábio Salomão verseja sobre o tempo, eu diria que existe tempo pra tudo: Tempo de lutar pela moral e pelos bons costumes e tempo de deixar os outros lutarem um pouquinho também, tempo de ser inteligente e tempo de deixar-se levar pelo efêmero, tempo de criticar e tempo de desenvolver uma autocrítica honesta. Tempo de ouvir músicas eruditas e tempo de curtir um breguinha, tempo de assistir filmes intelectualmente dispostos na galeria dos melhores, como "Crianças Invisíveis" ou "Uma Mente Brilhante" e tempo de se emocionar como um adolescente assistindo "Amanhecer - Parte II"...
Se evitar as futilidades tiver a ver com a negação de detalhes que dão prazer e que nos motivam a continuar vivendo, prefiro viver a futilidade a morrer na intelectualidade. E tenho dito.
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