Ele nasceu em Paracatu, Minas Gerais, filho de um pedreiro e de uma dona de casa. Negro, sete irmãos, arrimo de família quando seus pais se separaram, sempre estudou em colégio público e com apenas 16 anos foi arrumar emprego sozinho em Brasília.
Esta poderia ser a biografia inicial de mais um pobre homem que por todas as dificuldades acima mencionadas não teria muito sucesso na vida. Vencer preconceitos, superar obstáculos naturais na luta por uma boa educação e um bom emprego eram desafios quase que intransponíveis para aquele mineiro da periferia, que como todo ser humano, aspirava dias melhores para ele e para a sua família. O segredo do seu sucesso na escalada para ser destaque nacional? Pensamento coletivo, coragem e determinação.
Joaquim Benedito Barbosa Gomes obteve seu bacharelado em Direito na Universidade de Brasília, onde, em seguida, obteve seu mestrado em Direito do Estado. Prestou concurso público para procurador da República, e foi aprovado. Desde então só fez acumular iniciativas de sucesso e progressão profissional que destaca-se à medida em que sua fama toma conta do país.
Ao tornar-se o terceiro ministro negro do STF teve atuação relevante em diversos momentos de nossa recente história, com posições absolutamente distintas e desafiantes, opondo-se, inclusive, ao foro privilegiado para autoridades (Quem não lembra que foi dele a iniciativa em abrir processo contra o então deputado Ronaldo Cunha Lima, decisão considerada histórica, pois foi a primeira vez em que o STF abriu processo contra um parlamentar?).
Em 2006 assumiu a relatoria da denúncia contra os acusados do mensalão, prometendo levar até as últimas conseqüências as denúncias feitas aos 40 réus do maior escândalo político brasileiro. Em 2012, ao completar 188 anos da criação do STF, um fato histórico vem marcando as decisões comandadas por ele: A condenação de um político, algo nunca antes visto no nosso país (Até parece que os primeiros políticos corruptos surgiram agora, quase dois séculos depois da criação do Supremo!).
A Revista Veja escreveu: “O Brasil nunca teve um ministro como ele (…) No julgamento histórico em que o STF pôs os mensaleiros (e o governo e o PT) no banco dos réus, Joaquim Barbosa foi a estrela – ele, o negro que fala alemão, o mineiro que dança forró, o juiz que adora história e ternos de Los Angeles e Paris”.
Enfrentou inúmeras vezes seus colegas de bancada, defendendo suas idéias e concepções sobre como se deve dirigir processos legais em julgamentos, como na famosa discussão com o “colega” Gilmar Mendes: “Vossa Excelência está destruindo a justiça desse país. (…) Vossa Excelência não está na rua, Vossa Excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro. (…) Vossa Excelência, quando se dirige a mim, não está falando com os seus capangas do Mato Grosso, ministro Gilmar.” Mendes se apressou em encerrar a sessão sem refutar nenhuma das acusações.
22 de novembro marca uma nova história na justiça brasileira. A integridade, a riqueza cultural, a quebra de preconceitos, a coragem e a ousadia do negro mais importante do país, na presidência do Supremo Tribunal Federal. Que sua trajetória à frente deste que é um dos três poderes no Brasil seja tão bem sucedida quanto a sua biografia.
- Fontes: O Globo / cenariomt.com.br / Revista Veja

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