quinta-feira, 17 de março de 2016

AUSÊNCIA


Sempre gostei de caminhar pela bela cidade de Campina Grande. Costumo visitar um supermercado periodicamente daqui da cidade, ainda que seja só para olhar os produtos e as promoções, sem levar nada... Gosto também de sentar em um banco de praça que fica próximo aos principais bancos da cidade, ainda que seja só para observar o movimento. Passear nas proximidades do CEDUC (Centro de Educação) e respirar novamente aquele ar me faz viajar no tempo. O que esses lugares tem em comum? Os encontros inesperados  que quase sempre aconteciam de modo a fazer meu coração arder de amor. 

No supermercado vez por outra encontrava meu pai (provavelmente fazendo a mesma coisa que eu - só olhando os produtos e as promoções!). Nosso carinho era tão grande que alguns nos olhavam com olhares estranhos como se suspeitassem de nossa masculinidade! Andávamos pelos corredores do supermercado de mãos dadas!

Também era comum estar nas proximidades dos bancos quando encontrava minha tia Ilca... Sua música atrás de mim era quase um refrão típico de nossos encontros casuais: "Não te empresto mais meu piano...", paródia da música de Roberto Carlos que me fazia cantarolar em seguida, enquanto me virava para ela: "Eu não presto, mas eu te amo!" E nos abraçávamos com profundo carinho.

Próximo ao antigo CEDUC existia para mim um refúgio para muitos dos momentos em que os estudos estavam me estressando: A casa de minha Vó Marinete. Era com ela que meus fardos de estudo se tornavam mais leves. Ainda sinto seu perfume quando ando por lá e quase ouço sua voz, que em sua derradeira mensagem me dizia: "O amor é bem maior, riqueza de valor para o coração..."

É triste revisitar esses lugares e ter a certeza de que não mais os encontrarei, não os abraçarei, beijarei, ouvirei sua voz, tocarei suas mãos... A data de seu aniversário se torna um marco de dor, saudade e tristeza, pois antes de sua partida a música tradicional desta data querida era entoada com grande alegria, mas agora só nos resta o silêncio, nada de música, nada de encontros... 

Os lugares podem até ser os mesmos, mas a ausência de quem amamos acaba mudando a paisagem. Até o dia em que finalmente não estaremos mais caminhando pelos supermercados, universidades, casas de parentes ou sentados em bancos de praça. Nossa ausência será sentida numa corrente aparentemente infindável...


"Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim." (Carlos Drummond de Andrade)

(Ontem, 16 de março, meu pai completaria 58 anos...)

Um comentário:

  1. Saudades é olhar para trás e reviver momentos únicos, inesquecíveis e pessoas especiais que tornaram a sua vida mais bela... E por mais que o tempo passe, sempre estará na memória esses lindos momentos. Miriam Barbosa

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