Das quatro estações, a que mais gosto é o outono.
Para alguns, esta trata-se de uma estação melancólica; nada de flores, chuvas fortes, sol persistente ou dias alegres e compridos. Pra mim não. Vejo por outra ótica, assim como analiso a vida humana em suas multifacetadas estações:
Esta é uma boa época pra recomeçar;
Este é o tempo de deixar as ideias ultrapassadas para trás e construir uma nova perspectiva de vida, a partir das novas folhas que iniciarão o processo de crescimento;
É a hora de renovação das energias a partir de uma criteriosa reflexão acerca do que outrora foi significativo e se merece mais uma vez nossa atenção;
É o momento de desnudar-nos diante da sociedade, mostrando nossa verdadeira face, afinal, não somos sol o tempo todo, tampouco chuva;
É nesse instante, que quem nos conhece por dentro, segue mais confiante nossos passos, a partir das folhas lançadas ao chão;
É exatamente nesse período que os ventos ficam mais fortes e nossas sementes ganham um alcance nunca antes imaginado;
Esta estação nos inspira a querer ser diferentes de tudo o que já fomos um dia, nos dando um poder de sedução que em nenhuma outra estação seria possível...
O outono torna-nos artistas em profunda metamorfose e a complexidade desta arte sempre reservará aos que contemplam nosso "nude" estacional, a excitante imaginação sobre quem nos tornaremos ao final dela.
"As obras de Arte nascem sempre de quem enfrentou o perigo, de quem foi até o extremo de uma experiência, até o ponto que nenhum outro ser humano pudesse ultrapassar. Quanto mais ultrapassar. Quanto mais longe a levamos, mais própria, mais pessoal, mais única se torna." (RILKER,1995, p. 253)

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