As vezes os embates dessa vida faz-nos crer que existe um certo descompasso entre o que é plausível e o que é simplesmente aceitável. Entretanto, é exatamente nesses momentos de extrema carência que nos tornamos mais vulneráveis a certos tipos de atitudes, muitas vezes destoantes de tudo aquilo que sempre fomos ou professamos ser.
O desequilíbrio causado pela solidão afeta todos os rumos da vida, causando um impacto tão profundo que a visão humana se torna turva à medida que adormece o lado racional enquanto predomina o irreal, o fictício, a miragem...
A história da humanidade é constantemente marcada por desilusões, decepções, e tantas outras coisas, provavelmente porque as sementes despejadas ao longo dos anos no solo fértil das vaidades e egoísmos frutificam, trazendo consigo uma variedade singular de sentimentos temporais, implicando em uma reescritura de vida de pessoas que estão simplesmente passando, rompendo a fronteira do prazeroso e agradável, ao mesmo tempo em que apresentam ao mundo a farsa que é o mundo.
É impossível não aceitar que o inaceitável existe, é triste constatarmos a cada dia que a tristeza é o mais presente dos sentimentos, que a alegria é um companheiro ingrato que só existe pelo prazer de se distanciar de nós depois de aparecer rapidamente em nossa frente. A felicidade é tão somente um vocábulo de dicionário, que na teoria é de uma beleza incomensurável, mas na pratica não passa de uma utopia. O poder mítico da expressão “paz” é tão forte quanto sua inexistência, a eloqüência da vitória na vida é tão marcante e fala tão alto aos nossos corações quanto uma folha seca voando livremente ao sabor do vento. O tempo nos mostra diariamente apenas o quanto passa depressa e por mais que se tente o contrário, os vestígios deixados por ele são tão avassaladores quanto a nossa incompetência no uso do mesmo.
Quais as perspectivas impostas pela vida para cada pessoa? Que horizontes são vislumbrados a frente? Que respostas podem ser encontradas por alguém que as vive procurando, se os valores morais, emocionais, espirituais existem numa plataforma sem explicação, constituída essencialmente de fé e abstração?
Sempre dizemos que podemos continuar nessa jornada sozinhos, achando-nos suficientemente capazes de não sucumbirmos diante das agruras da vida, nossos relacionamentos acabam por se tornar uma inequívoca demonstração de introspecção, retrato de uma vida prioritariamente solitária. A solidão, a princípio, não é de todo um mal desde que seja uma escolha e não uma imposição.
Passamos toda uma história lutando contra as imposições, a favor da livre escolha, sem arbitrariedade, mas chega uma hora em que percebemos que algo mais forte que nós e que sempre prevaleceu diante da humanidade, mais uma vez se apresentou. A morte. Caminhar ao léu a procura de respostas no recôndito de nossos corações é o que nos resta apenas.
Passamos toda uma história lutando contra as imposições, a favor da livre escolha, sem arbitrariedade, mas chega uma hora em que percebemos que algo mais forte que nós e que sempre prevaleceu diante da humanidade, mais uma vez se apresentou. A morte. Caminhar ao léu a procura de respostas no recôndito de nossos corações é o que nos resta apenas.
Sinceramente, por mais que conheçamos “aquilo que marca o nosso triste destino sobre a terra”, não há como nos conformarmos, não há como consolar, não há como aceitar consolo. É uma luta que travamos desde o nosso nascimento e que fatalmente culminará com a nossa derrota... A morte. Sombria perspectiva. Principalmente quando nos referimos a alguém que se foi ou que se vai.
Não é tão difícil de falar sobre aquilo que está constantemente nos rodeando, desde que achemos que somos nós os próximos da lista. Mas e quando são os nossos amados os próximos, ou pior: quando os nossos já tiverem passado pelo triste encontro, como reagir? Como suportar a idéia de que não poderemos mais sentir a sua presença física em nosso meio? Essa é uma das inúmeras perguntas sem respostas convincentes que faremos a Deus, um dia, ou talvez nem as façamos, porque certamente no dia em que com Ele nos encontrarmos, as respostas mais importantes não serão dadas verbalmente, mas em forma de pessoas que um dia perdemos, e que finalmente nos serão devolvidas numa festa de intenso e eterno fulgor!

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